República Checa pede demissão de relatora especial da ONU
A República Checa juntou-se hoje a França e Alemanha e pediu a demissão da relatora especial da ONU para os Territórios Palestinianos Ocupados, Francesa Albanese, por alegadamente ter considerado Israel "um inimigo comum da humanidade".
"A paciência tem limites. A relatora especial da ONU, Francesca Albanese, deve demitir-se", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros checo num comunicado citado pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP).
A diplomacia checa descreveu as declarações atribuídas a Albanese como "inaceitáveis e indefensáveis", e considerou que tal "retórica não contribui para reduzir a tensão" no Médio Oriente.
"Pelo contrário, apenas aumenta as tensões e mina a confiança na imparcialidade da ONU e do seu sistema. Esperamos responsabilidade, profissionalismo e imparcialidade por parte de representantes das Nações Unidas", acrescentou o ministério.
Após as críticas às declarações no fim de semana num fórum realizado no Qatar, Albanese defendeu que se referia ao sistema que permitiu "o genocídio na Palestina" e não a Israel como país.
"Nunca disse que Israel é o inimigo comum da humanidade. Falei dos crimes de Israel, do `apartheid`, do genocídio e condenei como inimigo comum o sistema que não permite levá-lo perante a justiça e pôr fim aos crimes de Israel", esclareceu.
"O facto de, em vez de travar Israel, a maior parte do mundo o ter armado, lhe ter dado desculpas políticas, refúgio político e apoio económico e financeiro, é um desafio", afirmou.
Os governos de França e da Alemanha acusaram Albanese de fazer "comentários inapropriados e indignos", e pediram a sua demissão.
A diplomacia francesa disse que Albanese "não é perita nem independente, mas sim uma ativista política que incita setores do ódio que desvalorizam a causa do povo palestiniano que, no entanto, pretende defender".
O Governo da Alemanha também criticou Albanese e defendeu que a posição da jurista italiana é insustentável.
"Respeito o sistema dos relatores independentes da ONU. No entanto, a senhora Albanese já se comportou de forma inapropriada em várias ocasiões no passado", afirmou o chefe de diplomacia, Johann Wadephul.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, reconheceu que não partilha a linguagem utilizada por Albanese sobre as atuações das autoridades e forças israelitas na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
Considerou, no entanto, que o trabalho dos relatores especiais, sendo independente da ação do secretário-geral, "é uma parte importante da arquitetura internacional de Direitos Humanos".
"Toda a gente tem um papel nesta organização. Não estamos de acordo com grande parte do que ela [Albanese] diz. Não usaríamos a linguagem que usa para descrever a situação", afirmou na quinta-feira o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric.
O porta-voz referiu que Albanese "tem um papel específico" e recordou que são os governos e o Conselho de Direitos Humanos da ONU que nomeiam os relatores especiais.
"Todos têm responsabilidades, seja o secretário-geral ou os Estados-membros", afirmou.
"Se os Estados-membros não estão satisfeitos com o que dizem um ou vários dos relatores especiais, é sua responsabilidade envolverem-se no trabalho do Conselho dos Direitos Humanos, participarem e impulsionarem a direção que desejam impulsionar", acrescentou.
O mandato de Albanese como relatora especial da ONU para os Territórios Palestinianos Ocupados termina em 2028.