Resgatadas 114 pessoas. Pelos menos 160 mortos após enxurrada repentina no Nepal

Resgatadas 114 pessoas. Pelos menos 160 mortos após enxurrada repentina no Nepal

Pelo menos 350 turistas continuavam desaparecidos após as primeiras horas de buscas, na sequência de uma enxurrada devastadora na fronteira do Nepal com o Tibete. Já foram recuperados 160 corpos e confirmado o resgate de 114 pessoas. Chuvas torrenciais têm provocado inundações por todos os Himalaias.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Navesh Chitrakar - Reuters

As cheias repentinas no distrito de Rasuwa, área fronteiriça do Nepal com os Himalaias, provocaram uma centena de mortos e destruíram estradas, pontes e projetos de energia, segundo a última atualização das autoridades à imprensa.


Entre os desaparecidos estão turistas de várias nacionalidades que deviam atravessar hoje a fronteira para o Tibete, incluindo 142 indianos, 17 malaios, quatro sul-africanos, três norte-americanos e 12 britânicos. A nacionalidade de 111 está por determinar.

Oitenta franceses e 90 italianos encontram-se nos Himalaias, mas nenhum dos governos destes países conseguiu determinar nas primeiras horas se algum dos seus cidadãos estava entre as vítimas. Um australiano e um neerlandês, que viajavam com a agência Kathmandu Holiday Tours & Trave, foram dados como desaparecidos.

As autoridades sul-coreanas indicaram que, desde as cheias, não têm notícias de oito dos seus cidadãos, que trabalhavam na construção de uma central hidroelétrica no distrito de Rasuwa.

O porta-voz da polícia, Abi Narayan Kafle, disse à Agência France Presse que 28 polícias foram igualmente dados como desaparecidos.Estão desaparecidos 93 nepaleses.

A presidente da Comissão Europeia lamentou hoje as vítimas destas "inundações devastadoras", anunciando a ativação do sistema satélite europeu Copernicus para auxiliar os esforços de busca e salvamento.

"O Copernicus foi ativado para ajudar a mapear as zonas afetadas no Nepal e apoiar a resposta no terreno".

"Estamos prontos para mobilizar mais assistência europeia, se necessário", adiantou a líder da Comissão Europeia. O Copernicus é o programa de observação da Terra da UE, que usa sobretudo satélites, mas também dados de sensores terrestres, marítimos e aéreos, para acompanhar o estado do planeta.

As cheias deverão ter sido motivadas pelo derretimento excessivo de neve no rio Bhote Koshi. De acordo com o Centro Alemão de Pesquisas em Geociências (GFZ), há suspeitas de que a inundação tenha sido provocada por um terremoto de magnitude de 4.4 na escala de Richter, que desencadeou a quebra dos blocos de gelo.

Decorrem no local as operações de busca, de ambos os lados da fronteira. Já foram resgatadas 114 pessoas.

"Os trabalhos já começaram, para tomar as medidas necessárias em coordenação com os médicos”, informou o primeiro-ministro do Nepal, após uma reunião de emergência para avaliação dos danos da tragédia. 

Fernando Nobre acredita que as primeiras 48 horas vão ser essenciais para os resgates e salvamentos possíveis no Nepal.

O médico, presidente e fundador da AMI, conhece bem o local onde esteve na assistência depois do grande terramoto há mais de 10 anos.

A autoridade de gestão de desastres do Nepal alertou os cidadãos que vivem junto à margem dos rios e em áreas mais vulneráveis para tomarem as precauções necessárias.

O presidente Xi Jinping pediu esforços redobrados na busca pelos desaparecidos e apelou à criação de sistemas de alerta rigorosos para prevenir novos desastres.

A televisão estatal chinesa, CCTV, noticiou que pelo menos três pessoas morreram e 265 foram dadas desaparecidas, reportou a agência espanhola EFE.

Trata-se do primeiro balanço divulgado pela China, cujo Presidente, Xi Jinping, tinha anteriormente ordenado prioridade máxima no socorro às vítimas da tragédia.

A circulação e as comunicações permanecem interrompidas na região por tempo indeterminado, de acordo com as autoridades locais.

Apesar de a extensão dos estragos do lado do Tibete, o pico mais alto do mundo, ser ainda incerta, as autoridades da nação nepalesa e da China já antecipam “uma grande perda” e o aumento do número de prejuízos materiais.
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