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Restaurantes libaneses em Lisboa apoiam afetados pela guerra no Líbano

Restaurantes libaneses em Lisboa apoiam afetados pela guerra no Líbano

"Caram", em árabe, significa "generosidade", e em Portugal é o nome de uma associação de libaneses, que juntou oito restaurantes para apoiar a ajuda humanitária no Líbano, que contabiliza mais de um milhão de deslocados.

Lusa /

Até 17 de abril, oito restaurantes libaneses em Lisboa vão doar parte dos lucros para apoiar os esforços humanitários no Líbano, na iniciativa "Jante e Doe para o Líbano". Participam os restaurantes Mesa, Bal, Touta, Sumaya, Falafoliva, The Happy Salad, Maída e Taza.

A iniciativa pretende "reunir a comunidade libanesa em Portugal e promover os restaurantes libaneses em Lisboa", ao mesmo tempo que os restaurantes direcionam parte dos lucros para a associação Caram Portugal, que os remete depois para organizações parceiras no terreno.

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) alertou na sexta-feira para a situação "extremamente preocupante" no Líbano, onde existe um "risco real" de uma catástrofe humanitária, com mais de um milhão de pessoas, um quinto da população, deslocadas no país, devido aos ataques israelitas.

"A situação está muito difícil neste momento. A economia já estava mal no Líbano e agora está ainda pior. Temos uma situação humanitária muito, muito catastrófica", relatou à Lusa Antoine Kassis, presidente da Caram Portugal.

"Não expressamos opinião sobre política ou religiosa, o que nos interessa é o lado humanitário. E quando se vê crianças e famílias a dormir em tendas e a não comer todos os dias, isto vai além de qualquer discussão política ou religiosa, esta é a prioridade", disse o responsável da associação.

Antoine Kassis destacou a resiliência do povo libanês.

"O que salva o Líbano é que o povo é muito resiliente, mas, por vezes, o ponto negativo é que conseguem aceitar e passar por muito", referiu, lamentando: "Por trás desta resiliência, esquecemos o trauma das crianças, os problemas psicológicos das pessoas, até dos adultos, porque as pessoas só precisam de sobreviver e comer".

A chefe de cozinha Cynthia Bitar, do Touta, um dos restaurantes participantes, descreveu à Lusa que "é muito frustrante" estar longe da família e amigos.

"É uma altura muito difícil para estar longe, mas continuamos a procurar formas de ajudar, da melhor forma possível", disse a chef, que relatou uma "situação muito, muito complicada" no seu país.

"Há milhares de famílias nas ruas, sem casa e com acesso muito limitado a comida. Por isso, estamos a tentar colaborar tanto quanto possível para fornecer o máximo de ajuda possível ao nosso povo no Líbano", afirmou.

No dia 01 de abril, a chef vai preparar um menu pensado especialmente para este evento, propondo uma combinação entre sabores do Médio Oriente, como `hommos` com pinhões e azeite com `sujuk`, e portugueses, como lula dos Açores ou porco preto alentejano.

"Gostamos de prestar homenagem a ambas as culturas", comentou a chef, que definiu a sua cozinha como "maioritariamente libanesa, com produtos sazonais portugueses".

A associação Caram Portugal, que conta atualmente com 200 associados, incluindo portugueses, foi criada em 2022 para aproximar a comunidade libanesa e promover um maior conhecimento sobre o país do Médio Oriente em Portugal, mas também se envolve em ações de solidariedade em Portugal, nomeadamente nas inundações que atingiram o país ou colaborando com uma casa de acolhimento em Lisboa.

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