Roménia. Movimento pró-UE apela ao voto na segunda volta para defender democracia
O movimento de cidadãos romenos pró-União Europeia (UE) #EuroManifest quer apelar ao voto, no dia 18, dos eleitores que se abstiveram na primeira volta das presidenciais, alertando que o candidato nacionalista George Simion ameaça a democracia da Roménia.
"A nossa mensagem é que a Roménia quer liberdade, democracia e a Europa", disse, em entrevista à Lusa em Bucareste, Victor Toth, membro deste movimento civil.
O #EuroManifest surgiu por causa do "choque" provocado pela vitória inesperada do populista Calin Georgescu, um político até então praticamente desconhecido, na primeira volta das eleições presidenciais romenas, realizada em 24 de novembro do ano passado.
Esta votação foi anulada pelo Tribunal Constitucional, por alegada interferência da Rússia, suspeita de ter lançado uma campanha maciça para promover Georgescu nas redes sociais, em particular na plataforma chinesa TikTok.
Calin Georgescu foi acusado pela justiça de seis crimes, incluindo atos inconstitucionais, e foi impedido de concorrer à repetição da votação, cuja primeira volta se realizou no passado domingo.
O herdeiro político de Georgescu, George Simion, líder do partido de extrema-direita Aliança para a União dos Romenos (AUR, segunda maior força no parlamento), venceu a primeira volta, com 41%, e vai disputar a segunda volta no dia 18 de maio com o centrista e europeísta Nicusor Dan (21%).
"Já não há cinzento, pela primeira vez temos de escolher entre branco e preto", afirmou Alexandra Cristea, do mesmo movimento.
A ativista pró-UE justificou o apelo ao voto, recordando que na primeira volta, quase metade dos eleitores não votou -- a participação foi de 53,21%, segundo dados oficiais.
"Temos de intervir e focamo-nos nas pessoas que não votaram, porque o voto é mais importante que nunca e não podemos deixar que decidam por nós", sustentou.
Os membros do movimento acreditam que, a ser eleito Presidente, George Simion representa uma ameaça aos direitos e liberdades, além de significar uma inversão no caminho pró-Ocidente traçado pela Roménia desde o fim do regime comunista, em 1989 - o país aderiu à NATO em 2004 e à UE em 2007.
Simion descreve-se como "soberanista", defende uma "Roménia maior", reclamando territórios da Moldova, da Ucrânia e da Bulgária -- foi declarado `persona non grata` por Kiev e Chisinau -, critica os "burocratas de Bruxelas" e afirma-se alinhado com o movimento MAGA ("Make American Great Again", "Tornar a América Grande Outra Vez", na tradução em português) do Presidente norte-americano, Donald Trump.
Além disso, Simion já declarou que, se for eleito, nomeará Calin Georgescu como primeiro-ministro, denunciando a anulação das eleições de novembro como um "golpe de Estado".
Com uma intensa campanha nas redes sociais, a verificação de informações divulgadas `online` (`fact-checking`), debates e manifestações, o movimento espera incentivar ao voto nas próximas duas semanas.
"Há uma grande falta de literacia, principalmente no meio rural, e quando as pessoas não têm acesso à educação, é fácil serem manipuladas. Estamos a lutar contra isso", disse Alexandra Cristea.
Os ativistas advertem ainda para a retórica violenta de George Simion e dos seus apoiantes, que descrevem como "fanáticos".
Simion, sustentaram, "incita à violência e à agressão", acrescentando: "O Presidente representa-nos a todos e não podemos ter alguém assim".
O chefe de Estado na Roménia é o responsável pela condução da política externa e de defesa e tem assento no Conselho Europeu.
"Temos de mostrar o perigo que George Simion representa", salientou Alexandra Cristea, recordando o antigo regime comunista e a revolução de 1989 que depôs o ditador Nicolau Ceausescu.
"Os nossos antepassados lutaram com o seu próprio sangue e vidas pela liberdade. Vamos ter de passar por tudo outra vez ou podemos lutar de uma forma inteligente para evitar isso?", questionou Alexandra Cristea.