Rússia detém oito suspeitos do ataque à ponte da Crimeia

Os serviços federais de segurança da Rússia (FSB) indicaram na quarta-feira que detiveram oito pessoas por suspeitas de terem participado na organização do ataque do último sábado que atingiu a ponte Kerch, essencial para a ligação entre o território russo e aquela península ucraniana.

Andreia Martins - RTP /
Imagem de satélite da ponte de Kerch após a explosão de 8 de outubro. Maxar Technologies via Reuters

Em comunicado de imprensa, o FSB afirma que “cinco russos e três cidadãos ucranianos e arménios” foram detidos, sem dar mais detalhes sobre a nacionalidade exata destes três últimos suspeitos.

O FSB, citado pela agência Interfax, alega que o "ataque terrorista" foi organizado pela inteligência militar ucraniana, garantindo que um agente supervisionou o transporte dos explosivos através de Kiev e esteve em contato com os vários intermediários.

Em concreto, as autoridades russas apontam para o envolvimento de Kyrylo Budanov, chefe da Diretoria Principal de Inteligência do Ministério ucraniano da Defesa, nas explosões ocorridas no último sábado.
De acordo com o FSB, a explosão foi provocada por um artefacto “escondido em 22 paletes de rolos de filme plástico com um peso total de 22.770 quilos”.
O percurso dos explosivos segundo o FSB

Segundo as autoridades russas, os explosivos em causa foram enviados de barco do porto de Odessa, na Ucrânia, para o de Ruse, na Bulgária, no início de agosto. Passaram depois pelo porto de Poti, na Geórgia, e foram enviados para a Arménia, antes de chegarem à Rússia por estrada.

Os serviços russos afirmam que os explosivos deram entrada na Rússia a 4 de outubro num camião registado na Geórgia. A viatura chegou à região russa de Krasnodar, na fronteira com a Crimeia, a 6 de outubro, dois dias antes da explosão.

No passado sábado, uma forte explosão danificou parcialmente a ponte da Crimeia que liga esta península ucraniana, anexada por Moscovo em 2014, ao resto do território russo. Apesar dos danos graves, o tráfego ferroviário e rodoviário foi parcialmente retomado.

Em resposta a este ataque, a Rússia bombardeou várias cidades ucranianas durante os dias de segunda e terça-feira.

A ponte Kerch, como é designada, é uma rota vital de comunicação para o exército russo e foi inaugurada em 2018, quatro anos depois na anexação da Crimeia.
Ucrânia nega envolvimento

Noutro comunicado de imprensa, o FSB também revela ter frustrado duas tentativas de ataque atribuídas aos serviços de segurança ucranianos (SBU). Um dos detidos é um cidadão ucraniano acusado de ter trazido dois lançadores portáteis de mísseis Igla através da Estónia.

De acordo com o FSB, essas duas armas de origem soviética deveriam ser usadas em "atos de sabotagem e terrorismo" na região de Moscovo, na Rússia.

Os serviços russos de segurança indicaram ainda ter detido outro ucraniano que viajou para a Rússia através da fronteira com a Estónia. Segundo o FSB, o suspeito pretendia realizar um ataque à bomba num centro logístico de Briansk, uma cidade russa localizada perto da fronteira com a Ucrânia.

Na reação às investigações de Moscovo, a Ucrânia considerou esta quarta-feria que as acusações são "absurdas".

"Toda a atividade do FSB e do Comité de Investigação é um absurdo", indicou a emissora estatal Suspilne, citando o porta-voz do ministro do Interior, Andriy Yusov.

O porta-voz destaca que o FSB e o comité de investigação russo são "instituições falsas que servemo regime de Putin", pelo que a Ucrânia se recusa a comentar as acusações lançadas contra Kiev.
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