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Gaza. Rússia e China vetam resolução dos EUA para cessar-fogo imediato

por Joana Raposo Santos - RTP
Amir Cohen - Reuters

A Rússia e a China vetaram esta sexta-feira um projeto de resolução proposto pelos Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU que determinava "um cessar-fogo imediato e sustentado" na guerra de Israel contra o Hamas em Gaza. A trégua, com duração de seis semanas, teria como objetivo proteger civis e permitir a entrega de ajuda humanitária.

O texto, da autoria de Washington, recebeu 11 votos a favor, uma abstenção e três votos contra, entre eles da Rússia e da China, dois membros permanentes do Conselho de Segurança. A Argélia também rejeitou o projeto.

A resolução, proposta após mais de cinco meses de guerra, marcou a primeira vez que os Estados Unidos pediram um cessar-fogo imediato em Gaza no Conselho de Segurança, após terem vetado vários projetos de resolução apresentados por outros países.

“A maioria deste Conselho votou a favor desta resolução mas, infelizmente, a Rússia e a China decidiram exercer o seu veto”, declarou a embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield.

Antes da votação, esta responsável tinha alertado que seria um “erro histórico” rejeitar a proposta norte-americana. Por outro lado, o embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, tinha apelado aos restantes membros a que votassem contra.Após o veto desta sexta-feira, o Conselho de Segurança da ONU vai votar no sábado às 10h00 (15h00 em Lisboa) um novo texto que apela a um cessar-fogo imediato, avançaram fontes diplomáticas à agência France Press.

Na visão do representante de Moscovo, a resolução norte-americana era “excessivamente politizada” e implicava uma luz verde efetiva para que Israel montasse uma operação militar em Rafah, cidade do sul da Faixa de Gaza onde mais de metade dos habitantes da região está refugiada.

“Isto libertaria as mãos de Israel e resultaria em que toda a população de Gaza tivesse de enfrentar a sua destruição, devastação ou expulsão”
, defendeu o russo, acrescentando que vários membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU desenharam uma proposta alternativa mais “equilibrada”.


O embaixador da China nas Nações Unidas disse, por sua vez, apoiar essa alternativa, mas o mesmo não aconteceu com a embaixadora dos Estados Unidos.

“Na sua forma atual, esse texto não fornece apoio a uma diplomacia sensível na região. Pior… pode mesmo dar ao Hamas uma desculpa para abandonar o acordo que está em cima da mesa”, explicou Linda Thomas-Greenfield.

Blinken lamenta veto "cínico"
O secretário de Estado norte-americano já reagiu aos vetos da Rússia e China, considerando-os "cínicos".

Antony Blinken falou aos jornalistas em Israel, onde se deslocou para reuniões com figuras do executivo, entre as quais o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Com esta resolução, "que recebeu um apoio muito forte mas que foi cinicamente vetada pela Rússia e pela China, penso que estávamos a tentar mostrar à comunidade internacional o sentido de urgência de um cessar-fogo associado à libertação dos reféns, algo que todos, incluindo os países que a vetaram, deveriam ter apoiado", declarou Blinken.

O secretário de Estado dos EUA avisou ainda que uma ofensiva na cidade de Rafah, no sul de Gaza, arriscaria "isolar ainda mais" Israel e prejudicar a sua segurança a longo prazo, para além de "arriscar matar mais civis" e "causar mais estragos na ajuda humanitária".

c/ agências

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