Rússia em dia de luto nacional. Aumenta o número de mortos no ataque ao Crocus City Hall

por Carlos Santos Neves - RTP
Foram instalados cartazes onde se vê uma única vela, a data do atentado e a frase “Estamos de luto” Maxim Shipenkov - EPA

No dia em que os russos observaram um dia de luto nacional, cresceu o balanço de vítimas do atentado no complexo Crocus City Hall, sala de espetáculos de Krasnogorsk, nos arredores de Moscovo, devastada pelas chamas. O número de mortos foi este domingo atualizado para 137, mas só 62 corpos foram identificados. Com o equivalente a um muro de silêncio erguido perante a reivindicação do Estado Islâmico, o Kremlin agita uma vaga suspeita de ligação dos atiradores à Ucrânia. Kiev responde chamando “miserável” a Vladimir Putin.

“A identificação dos corpos está em curso. A esta hora, os corpos de 137 pessoas, entre as quais três crianças, foram encontrados no local do ataque terrorista”, adiantou em comunicado, durante a tarde, o Comité de Investigação da Rússia.

No complexo visado pelo atentado da noite de sexta-feira, indicou ainda a estrutura russa de investigação criminal, terão também sido encontradas duas espingardas de assalto e uma grande quantidade de munições.O ataque provocou 154 feridos. A maioria permanece hospitalizada.


Vladimir Putin dirigiu-se aos russos, no sábado, para anunciar um dia de luto nacional, prometer perseguir e punir todos os responsáveis pela ação terrorista e asssinalar que os quatro presumíveis autores dos disparos no interior do Crocus City Hall, já sob custódia das autoridades, teriam procurado escapar para solo ucraniano, através da fronteira ocidental. O presidente russo sugeriu mesmo que haveria pessoas em território da Ucrânia preparadas para os acolher.

As forças de segurança russas detiveram, ao todo, 11 pessoas alegadamente relacionadas com o atentado. Os quatro alegados atiradores terão sido capturados na região de Bryansk, cerca de 340 quilómetros a sudoeste de Moscovo. Encontram-se agora na capital para enfrentarem a justiça - arriscam penas de prisão perpétua.

O tribunal distrital de Basmanny, em Moscovo, acusou já formalmente de ato terrorista dois dos suspeitos, identificados como Dalerdzhon Barotovich Mirzoyev e Saidakrami Murodali Rachabalizoda.
"Tudo perfeitamente previsível"

Na noite de sábado, no seu discurso quotidiano em vídeo, o presidente ucraniano reagiu com uma barragem de críticas ao Kremlin.

“Ontem aconteceu tudo isto e o miserável Putin, em vez de cuidar dos próprios cidadãos russos, de se dirigir a eles, ficou um dia em silêncio, a pensar como haveria de ligar isto à Ucrânia. É tudo perfeitamente previsível”, redarguiu Volodymyr Zelensky.
Já este domingo, Putin fez questão de acender uma vela em homenagem às vítimas do atentado, depois de, na véspera, ter expressado “profundas e sinceras condolências ao todos os que perderam entes queridos”.
“Estamos de luto”
Ao longo do dia, em Moscovo e outras cidades russas, multidões quiseram render tributo aos mortos e feridos, acendendo velas, depositando flores ou mesmo a doar sangue – há notícia de reservas acumuladas para quatro a seis meses.

Ao complexo de concertos dos arredores da capital afluíram milhares de pessoas durante o fim de semana.
Em diferentes locais de Moscovo, foram instalados cartazes onde se vê uma única vela, a data do atentado e a frase “Estamos de luto”.
“Nenhuma implicação ucraniana”
Na noite de sábado, o Estado Islâmico voltou a recorrer ao seu braço de informação, a agência Amaq, para divulgar o que descreveu como imagens do assalto ao Crocus City Hall. Por sua vez, os media russos revelaram um video em que um dos presumíveis atacantes afirma ter recebido dinheiro para levar a cabo o atentado.

De Washington saiu entretanto nova garantia de que não haverá “nenhuma implicação ucraniana” nos acontecimentos de sexta-feira. E “nenhuma prova” que consubstancie as afirmações de Putin.

“O Estado Islâmico é responsável”, insistiu este domingo a vice-presidente norte-americana, Kamala Harris, durante uma entrevista televisiva. No mesmo sentido, Adrienne Watson, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, reiterou que o grupo extremista está por trás da ação contra a Rússia.

A Casa Branca recordava no sábado que a Administração Biden havia partilhado informações com Moscovo, no início do mês, sobre o risco de ataques extremistas iminentes em solo russo. Emitiu mesmo um aviso a cidadãos norte-americanos no país de Vladimir Putin.

c/ agências
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