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Guerra na Ucrânia
"Rússia pede demasiado". Vance faz ponto de situação das negociações sobre Ucrânia
O vice-presidente norte-americano, JD Vance, afirmou na quarta-feira que os russos estão a "pedir demasiado" nos requisitos para acabar com a guerra com a Ucrânia, revelando a crescente frustração dos EUA. O presidente Donald Trump declara que “não está feliz com isso” e Vance defende que está na hora de os dois lados se unirem em "negociações diretas".
É mais um sinal de frustração da Administração norte-americana. As declarações em causa partiram do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, durante a conferência de segurança de altos líderes militares e diplomáticos que aconteceu na quarta-feira em Washington.
O vice-presidente dos EUA apontou o dedo a Moscovo dizendo que a Rússia está a pedir "demasiado" nas negociações para o fim da guerra na Ucrânia.
"Eu não diria que os russos não estão interessados em tornar possível essa resolução", disse Vance durante uma entrevista conjunta com o presidente do Conselho de Segurança de Munique, Wolfgang Ischinger.
“O que eu diria é que, agora, os russos estão a pedir um certo conjunto de requisitos, um certo conjunto de concessões para acabar com o conflito. Nós pensamos que eles estão a pedir demasiado”, acrescentou.
Também na quarta-feira, confrontado com os comentários de Vance sobre a Rússia, o presidente Donald Trump disse desconhecê-los, mas admitiu que o seu vice pudesse “saber de mais coisas”.
Esforços paralisados perante inflexibilidade russa
Vance recordou que, perante o cessar-fogo de 30 dias proposto pelos EUA e que a Ucrânia aceitou, a Rússia declarou que “não era” do seu “interesse estratégico” e que defendia um “acordo de longo prazo”.
A inflexibilidade da Rússia para acabar com a guerra está a frustrar não só Vance, mas também o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Steve Witkoff, enviado de Trump, realizou quatro rondas de conversações diretas com Putin, mas não conseguiu arrancar qualquer concessão concreta do lado russo.
Vance reiterou a ameaça de que a Casa Branca “se afastaria da mediação se [Trump] achar que não está a progredir”.
Vance reiterou a ameaça de que a Casa Branca “se afastaria da mediação se [Trump] achar que não está a progredir”.
A recusa de Putin em concordar com a trégua de 30 dias é apontado como principal “impedimento” para progredir nas negociações de paz, argumentou Keith Kellogg, também enviado de Trump para mediar o conflito.
Sobretudo quando a Ucrânia está disposta a criar uma zona desmilitarizada dentro de seu território como parte de um potencial acordo de cessar-fogo, acrescentou Kellogg.
“O impedimento ao progresso das negociações é o presidente da Rússia agora não concordar com o cessar-fogo de 30 dias”, explicou Kellogg à Fox News. E sublinhou que seria do interesse do líder do Kremlin concordar com o cessar-fogo porque “os russos não estão a vencer essa guerra”.
Próximo passo: negociação direta
Assim, na opinião de Vance, a próxima etapa deverá consistir em que a Rússia e a Ucrânia conversem diretamente uma com a outra.
"Nós gostaríamos que os russos e os ucranianos realmente concordassem em algumas diretrizes básicas para se sentarem e conversarem uns com os outros", apontou.
“Obviamente, os Estados Unidos estão felizes em participar nessas conversações, mas é muito importante que os russos e os ucranianos comecem a comunicar uns com os outros. Achamos que esse é o próximo grande passo que gostaríamos de dar”, enfatizou.
Porém, será essencial que haja uma aproximação entre Moscovo e Kiev: “Achamos que provavelmente será impossível mediarmos esse acordo sem que haja alguma negociação direta entre os dois”.
"Humanista genuíno"
Para Vance, a continuação deste conflito é má para os EUA, a Europa, a Rússia e a Ucrânia.
"Nós gostaríamos que os russos e os ucranianos realmente concordassem em algumas diretrizes básicas para se sentarem e conversarem uns com os outros", apontou.
“Obviamente, os Estados Unidos estão felizes em participar nessas conversações, mas é muito importante que os russos e os ucranianos comecem a comunicar uns com os outros. Achamos que esse é o próximo grande passo que gostaríamos de dar”, enfatizou.
Porém, será essencial que haja uma aproximação entre Moscovo e Kiev: “Achamos que provavelmente será impossível mediarmos esse acordo sem que haja alguma negociação direta entre os dois”.
"Humanista genuíno"
Para Vance, a continuação deste conflito é má para os EUA, a Europa, a Rússia e a Ucrânia.
“Acreditamos que, se as cabeças frias prevalecerem, podemos levar isso em conta e acordar uma paz duradoura que será economicamente benéfica tanto para os ucranianos quanto para os russos e, o mais importante, impedirá o fim da destruição das vidas humanas”.
Vance realçou também que o presidente dos EUA “ainda não se mostra pessimista” sobre as possibilidades de acabar com o conflito, até porque Trump é um “humanitário genuíno” e quer ver o fim dos combates.