Mundo
Guerra na Ucrânia
Putin recebe aliados com nova "estabilidade estratégica global" em pano de fundo
O presidente chinês Xi Jinping chegou esta quarta-feira a Moscovo, um entre três dezenas de líderes estrangeiros aguardados na capital russa para celebrar os 80 anos da vitória sobre a Alemanha nazi, festejos que culminam sexta-feira com uma grande parada militar na Praça Vermelha.
As celebrações decorrem sob fortes medidas de segurança e o Kremlin anunciou na semana passada três dias de cessar-fogo com a Ucrânia, ameaçando Kiev com consequências se a trégua não fosse respeitada.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, não se comprometeu e o responsável autárquico de Moscovo anunciou um ataque com drones ucranianos quarta-feira, a coberto da noite. Os engenhos foram abatidos.
Putin pretende que a capital da Rússia se torne nos próximos dias o centro da resistência à influência do Ocidente, num momento de diversos confrontos militares acesos e de uma guerra comercial mundial, devido às tarifas impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump. As celebrações russas do Dia da Vitória coincidem ainda com o início do Conclave no Vaticano que deverá eleger um novo papa da Igreja Católica nos próximos dias.
De acordo com o Kremlin, o convidado mais importante, o presidente chinês Xi Jinping, irá adotar com Vladimir Putin duas declarações conjuntas, uma sobre as suas relações bilaterais e a outra sobre a "estabilidade estratégica global".
Os festejos dos 80 anos da vitória sobre a Alemanha nazi irão servir sobretudo de palco para Vladimir Putin reforçar a sua narrativa de que a Rússia está a combater o ressurgimento nazi na Ucrânia e que os esforços do Ocidente para o isolar depois da invasão da Ucrânia, falharam.
"O Kremlin planeia usar o 80.º aniversário da vitória sobre a Alemanha nazi para traçar paralelos com os dias de hoje e dizer que a vitória é igualmente inevitável", disse Boris Bondarev, antigo diplomata da missão da Rússia na ONU em Genebra, ao The Moscow Times.
"Mais importante ainda, tal como Ialta e Potsdam moldaram a ordem do pós-guerra, o Kremlin dirá que esperamos uma nova ordem mundial após a guerra na Ucrânia — uma que seja 'justa' aos olhos da Rússia, o que significa que a Rússia pode fazer o que quiser sem consequências", disse Bondarev, que se demitiu em protesto contra a invasão em grande escala. Europa ausente
Especialmente embaraçosa para a União Europeia será a presença em Moscovo do primeiro-ministro da Eslováquia, Roberto Fico, apesar das pressões de Bruxelas.
Fico, líder de um estado membro da UE e da NATO e que deverá reunir-se sexta-feira brevemente com o presidente russo, tem sido acusado de prosseguir uma política de apaziguamento de tensões com Vladimir Putin, diminuindo as pretensões de Kiev, contrariamente às políticas europeias.
Além do eslovaco, apenas o presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, um país europeu com laços históricos fortes com a Rússia, estará também em Moscovo.
"Não conseguimos reunir participantes dos Aliados anti-Hitler — e isso é revelador", referiu um alto diplomata russo sob anonimato para falar abertamente sobre um assunto político.
A guerra com a Ucrânia irá ensombrar as celebrações, numa altura em que os esforços para tréguas marcam passo.
A parada militar de sexta-feira deverá servir para demonstrar todo o poderio russo apesar da guerra que dura há três anos e o apoio a Moscovo por parte da China, do Vietname, de Myanmar e do Egito, incluindo o desfile de soldados oriundos destes países.
O Kremlin referiu que "veteranos de Israel e dos Estados Unidos", poderão estar entre os participantes no desfile e indicou que os ministros da Defesa de vários países estarão presentes, tal como o embaixador norte coreano, país que enviou um contingente militar para combater na Ucrânia, além de fornecer munições.
Uma nova ordem
A ocasião poderá servir ainda para a Rússia e a China cimentarem a sua influência mundial, incluindo através do grupo de nações que compõem o BRICS, 11 países com economias emergentes que representam 49 por cento da população humana e 39 por cento do PIB mundial.
Na tribuna da Praça Vermelha são aguardados os mais próximos aliados do Kremlin, e presenças habituais nas celebrações, como o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokaïev e o bielorusso Alexandre Loukachenko.
Também a Arménia e o Azerbaijão, rivais no Cáucaso, marcam presença ao mais alto nível, com o presidente azeri Ilham Aliev e o primeiro-ministro arménio, Nikol Pachinian. O presidente dos sérvios-bósnios, Milorad Dodik, perseguido pela Justiça da Bósnia, confirmou que irá a Moscovo.
O venezuelano Nicolás Maduro e o cubano Miguel Díaz-Canel, líderes de regimes próximos da Rússia na América Latina, estarão presentes. Maduro já se reuniu com Vladimir Putin.
Entre os líderes africanos aguardam-se representantes do Burkina Faso, do Zimbabué, do Congo, da Etiópia e da Guiné Equatorial.
Outros aliados tradicionais da Rússia, como os dirigentes do Vietname, do Laos, da Mongólia, do Egito e da Birmânia também estarão na tribuna.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, não se comprometeu e o responsável autárquico de Moscovo anunciou um ataque com drones ucranianos quarta-feira, a coberto da noite. Os engenhos foram abatidos.
Putin pretende que a capital da Rússia se torne nos próximos dias o centro da resistência à influência do Ocidente, num momento de diversos confrontos militares acesos e de uma guerra comercial mundial, devido às tarifas impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump. As celebrações russas do Dia da Vitória coincidem ainda com o início do Conclave no Vaticano que deverá eleger um novo papa da Igreja Católica nos próximos dias.
De acordo com o Kremlin, o convidado mais importante, o presidente chinês Xi Jinping, irá adotar com Vladimir Putin duas declarações conjuntas, uma sobre as suas relações bilaterais e a outra sobre a "estabilidade estratégica global".
Os festejos dos 80 anos da vitória sobre a Alemanha nazi irão servir sobretudo de palco para Vladimir Putin reforçar a sua narrativa de que a Rússia está a combater o ressurgimento nazi na Ucrânia e que os esforços do Ocidente para o isolar depois da invasão da Ucrânia, falharam.
"O Kremlin planeia usar o 80.º aniversário da vitória sobre a Alemanha nazi para traçar paralelos com os dias de hoje e dizer que a vitória é igualmente inevitável", disse Boris Bondarev, antigo diplomata da missão da Rússia na ONU em Genebra, ao The Moscow Times.
"Mais importante ainda, tal como Ialta e Potsdam moldaram a ordem do pós-guerra, o Kremlin dirá que esperamos uma nova ordem mundial após a guerra na Ucrânia — uma que seja 'justa' aos olhos da Rússia, o que significa que a Rússia pode fazer o que quiser sem consequências", disse Bondarev, que se demitiu em protesto contra a invasão em grande escala. Europa ausente
Especialmente embaraçosa para a União Europeia será a presença em Moscovo do primeiro-ministro da Eslováquia, Roberto Fico, apesar das pressões de Bruxelas.
Fico, líder de um estado membro da UE e da NATO e que deverá reunir-se sexta-feira brevemente com o presidente russo, tem sido acusado de prosseguir uma política de apaziguamento de tensões com Vladimir Putin, diminuindo as pretensões de Kiev, contrariamente às políticas europeias.
Além do eslovaco, apenas o presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, um país europeu com laços históricos fortes com a Rússia, estará também em Moscovo.
"Não conseguimos reunir participantes dos Aliados anti-Hitler — e isso é revelador", referiu um alto diplomata russo sob anonimato para falar abertamente sobre um assunto político.
A guerra com a Ucrânia irá ensombrar as celebrações, numa altura em que os esforços para tréguas marcam passo.
A parada militar de sexta-feira deverá servir para demonstrar todo o poderio russo apesar da guerra que dura há três anos e o apoio a Moscovo por parte da China, do Vietname, de Myanmar e do Egito, incluindo o desfile de soldados oriundos destes países.
O Kremlin referiu que "veteranos de Israel e dos Estados Unidos", poderão estar entre os participantes no desfile e indicou que os ministros da Defesa de vários países estarão presentes, tal como o embaixador norte coreano, país que enviou um contingente militar para combater na Ucrânia, além de fornecer munições.
Uma nova ordem
A ocasião poderá servir ainda para a Rússia e a China cimentarem a sua influência mundial, incluindo através do grupo de nações que compõem o BRICS, 11 países com economias emergentes que representam 49 por cento da população humana e 39 por cento do PIB mundial.
Um deles é o Brasil e o seu presidente, Inácio Lula da Silva, chegou quarta-feira a Moscovo.
Temas como a guerra das tarifas ou o controlo de terras raras, de produção agrícola e de reservas de água mundiais, os conflitos no Médio Oriente e a pressão norte-americana sobre o Irão, ou o regresso do conflito armado entre a Índia e o Paquistão, poderão estar na agenda.
Putin passou já o dia de quarta-feira em reuniões com aliados, do Congo à Mongólia. Quinta-feira irá reunir-se com o seu parceiro mais importante, o presidente chinês, Xi Jinping.
A "estabilidade estratégica global" que ambos irão subscrever deverá marcar todos os encontros entre o presidente russo e os restantes líderes e aliados tradicionais, na maioria autocratas e déspotas.
Os presentes
O Kremlin confirmou a presença dos líderes das antigas repúblicas soviéticas, com exceção da Ucrânia, dos Estados Bálticos e da Georgia. Apenas os governadores russos de duas regiões georgianas separatistas pró russas, a Abkazia e a Ossetia do Sul irão fazer parte dos festejos.
Na tribuna da Praça Vermelha são aguardados os mais próximos aliados do Kremlin, e presenças habituais nas celebrações, como o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokaïev e o bielorusso Alexandre Loukachenko.
Também a Arménia e o Azerbaijão, rivais no Cáucaso, marcam presença ao mais alto nível, com o presidente azeri Ilham Aliev e o primeiro-ministro arménio, Nikol Pachinian. O presidente dos sérvios-bósnios, Milorad Dodik, perseguido pela Justiça da Bósnia, confirmou que irá a Moscovo.
O venezuelano Nicolás Maduro e o cubano Miguel Díaz-Canel, líderes de regimes próximos da Rússia na América Latina, estarão presentes. Maduro já se reuniu com Vladimir Putin.
Entre os líderes africanos aguardam-se representantes do Burkina Faso, do Zimbabué, do Congo, da Etiópia e da Guiné Equatorial.
Outros aliados tradicionais da Rússia, como os dirigentes do Vietname, do Laos, da Mongólia, do Egito e da Birmânia também estarão na tribuna.
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, que havia confirmado a viagem, anulou a presença devido à escalada militar em curso com o Paquistão.
O Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, deverá também reunir-se com Putin.
Os secretários-gerais da Organização de Cooperação Islâmica, da Organização de Cooperação de Xangai e da Organização do Tratado de Segurança Coletiva também participarão nas cerimónias.
Os secretários-gerais da Organização de Cooperação Islâmica, da Organização de Cooperação de Xangai e da Organização do Tratado de Segurança Coletiva também participarão nas cerimónias.