SECA NA AUSTRÁLIA
Um cancro que corrói culturas agrícolas

A Austrália enfrenta a maior seca de que há memória, afetando agricultores e criação de gado.

Um criador de gado atravessa uma área onde anteriormente existia água que se encontra completamente seca em Nova Gales do Sul /Foto de David Gray - Reuters

A Austrália enfrenta uma das secas mais severas de sempre e sem fim à vista. Os Estados mais afetados são os de Nova Gales do Sul e Queensland.

Nova Gales do Sul sofre os maiores danos. A totalidade do Estado encontra-se em seca. Nova Gales do Sul é responsável por um quarto da produção agrícola australiana. Este Estado registou este verão o seu quinto julho mais seco.

Deficiência de chuva

Os dados mais recentes disponibilizados pelo Governo australiano indicam que, nas primeiras semanas de setembro, foram registados períodos de chuva no sudoeste da Austrália Ocidental, áreas costeiras do sudeste da Austrália, centro e nordeste do Estado de Vitoria, Tasmânia, leste do Estado Nova Gales do Sul, costa central e Sudeste de Queensland.

 

Os mapas abaixo apresentam o impacto da seca extrema na vegetação. A zona oriental do país foi a que sofreu uma maior perda de áreas verdes no espaço de dois anos.


Taça de poeira

Com pastagens transformadas em poeira e ração cara e escassa, a seca está a ter um grande impacto no gado.

Criador alimenta o gado numa propriedade afetada pela seca em Nova Gales do Sul /Foto de David Gray - Reuters

Os agricultores têm importado feno vindo de produtores do oeste e norte do país para conseguirem alimentar os animais. Essas fontes estão a ficar escassas, no entanto, e à medida que os silos de grãos no sul são esvaziados os proprietários em desespero veem-se forçados a abater os animais, mesmo que isso signifique anos até que os rebanhos recuperem.

O abate irá reduzir drasticamente o tamanho do rebanho nacional, prevendo-se um período bastante alongado para a reconstrução do armazenamento e um aumento de preço para a indústria.

Zonas rurais


Abaixo da superfície

As sementes dependem não apenas da chuva, mas também da humidade já presente no solo, que transporta nutrientes para o crescimento das plantas e regula a temperatura do solo. A seca devastou grandes extensões de terras agrícolas da Austrália oriental, que fornecem cerca de um terço do trigo do país.

Foto de David Gray - Reuters

O passado inverno foi o mais quente dos últimos 100 anos. Estas condições obrigaram os agricultores a plantar em solo seco com esperança que chova para salvar as colheitas.

Em previsões oficiais estima-se que a colheita de trigo deste ano desça para 21,9 milhões de toneladas e que a produção caia ainda mais sem chuva. Alguns analistas privados dizem que a colheita pode chegar a 13 milhões de toneladas, o que seria menor do que a colheita de 2008, um ano também atingido pela seca.

Quanto a soluções por parte do Governo, foi criado um pacote de ajuda com um valor superior a mil milhões de dólares australianos para fornecer ajuda aos agricultores.


Olhar aprofundado

Nas regiões mais afetadas pelas seca, a falta de humidade nos solos levou à perda de grandes árvores, algumas delas centenárias. Cientistas relataram que grande parte das florestas está a morrer.

Foto de David Gray - Reuters

As raízes mais profundas da vegetação conseguem chegar até aos seis metros de profundidade para encontrar humidade. No entanto, até esse nível de profundidade está seco e os efeitos são visíveis.

O mapa abaixo mostra a humidade profunda do solo no último ano em relação aos níveis normais. O leste é o mais atingido. Grandes áreas de Nova Gales do Sul e Queensland apresentam deficiências extremas.

O período de seca mais longo que a Austrália enfrentou foi a seca do milénio, que ocorreu entre 1997 e 2005.

Fonte: REUTERS GRAPHICS / Edição: RTP