Senadores republicanos juntam-se a democratas para restringir poderes militares de Trump

Cinco senadores dos Estados Unidos juntaram-se aos democratas no voto favorável a uma resolução que impediria Donald Trump de tomar novas medidas militares contra a Venezuela, enquanto presidente, sem autorização do Congresso.

Graça Andrade Ramos - RTP /
O senador norte-americano Rand Paul (republicano pelo Kentucky) fala aos jornalistas no Capitólio, nos EUA, a 8 de janeiro de 2026 Evelyn Hockstein - Reuters

Trump reagiu nas redes sociais, dizendo que os Senadores nunca mais deveriam ocupar cargos públicos. "Susan Collins, Lisa Murkowski, Rand Paul, Josh Hawley e Todd Young nunca mais deveriam ser eleitos para cargos públicos", escreveu o presidente norte-americano na rede Truth Social.
Os cinco senadores republicanos votaram esta quinta-feira com todos os democratas, para permitir uma futura votação de uma proposta de lei, intitulada Lei dos Poderes de Guerra, que limitaria os poderes militares do presidente quanto a ações na Venezuela.

Ainda este mês, graças à pressão dos democratas, a Câmara dos Representantes irá votar uma medida semelhante para limitar os poderes de Trump em futuras e eventuais intervenções militares na Venezuela.

Se ambas forem aprovadas, as duas câmaras legislativas precisarão de unificar as duas resoluções, enviando, em última instância, um documento para a mesa de Trump para sua apreciação.O presidente deverá vetá-la.

As propostas surgem depois da intervenção norte americana na Venezuela, sábado passado, autorizada por Donald Trump sem antes informar o Congresso nem lhe pedir autorização.

O senador Rand Paul recordou o que está em causa. 

"A Constituição é muito clara e divide a guerra em dois aspetos. Um é a declaração ou o início da guerra, poder que foi dado ao Congresso, e a execução da guerra, a tomada de decisões sobre a guerra, que ficou a cargo do presidente", explicou aos jornalistas.

Os governos têm contudo a obrigação de notificar o Congresso no prazo de 48 horas após o envio das tropas e de terminar as ações militares dentro de 60 a 90 dias, na ausência de autorização, limites que os presidentes de ambos os partidos têm ultrapassado rotineiramente.

Rand Paul afirmara antes que tinha ouvido outros dois republicanos a admitir que estavam a considerar apoiar a resolução, aumentando as hipóteses da sua aprovação.
Aprovação mais provável
A decisão dos republicanos surpreendeu até alguns democratas, que não tinham a certeza de como os votos republicanos se distribuiriam. A medida completa deverá ser votada na próxima semana, exigindo 51 votos no Senado. Terá antes de passar por um processo completo de alterações e o apoio à resolução final não está garantido.

A votação no Senado era considerada sobretudo uma manobra política dos democratas e do senador republicano do Kentucky, Rand Paul, um dos coautores da medida.

O objetivo seria obrigar os seus colegas republicanos a registarem o seu descontentamento, ou apoio, às políticas da Administração Trump que levantam dúvidas à oposição democrata.

Com o voto favorável destes cinco senadores republicanos, a legislação torna-se numa ameaça muito mais real ao que pode ou não fazer o presidente na Venezuela. 

Não há contudo garantias sobre se o apoio dos cinco senadores republicanos se irá manter na votação final, ou se outros senadores do partido se lhes irão juntar.
Quem pode levar "o país à guerra"

As questões dos limites da autoridade presidencial e do papel do Congresso na autorização de ações militares no estrangeiro, tem agitado o Capitólio nos últimos meses, à medida que a Administração Trump intensifica a sua retórica contra países da América do Sul. A operação que levou à deposição e captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro desencadeou esta semana uma série de reuniões confidenciais em Washington, que resultaram numa divisão partidária.

Mesmo entre os republicanos, surgem dúvidas sobre uma eventual mobilização militar norte-americana, que Trump poderá ordenar nas próximas semanas, contra Cuba, a Colômbia ou a  Gronelândia.

Em declarações à imprensa na tarde de quarta-feira, antes da votação, o senador republicano do Kentucky, Rand Paul, sublinhou que a resolução apresentada pelo Senado não é um referendo sobre se Maduro era ou não um "mau da fita", mas sim sobre a afirmação do direito do Congresso de declarar guerra.

“O debate não é realmente sobre o bem ou o mal, o mau ou o bom. Há muito mal no mundo. A questão é quem tem o poder de levar o país à guerra”, disse Rand Paul.

com agências
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