Separatistas do Sul do Iémen aceitam proposta de diálogo na Arábia Saudita

Os separatistas do sul do Iémen, que na sexta-feira anunciaram o início de um processo de independência, aceitaram a proposta do Governo reconhecido internacionalmente para participar numa cimeira na vizinha Arábia Saudita.

Lusa /
Foto: Al Mukalla - AFP

Num comunicado divulgado no sábado, o Conselho de Transição do Sul (STC, na sigla em inglês) disse que "se congratula com o convite do Reino da Arábia Saudita para patrocinar um diálogo sobre o sul".

"Este convite representa uma tradução prática da abordagem adotada pelo Conselho desde a sua criação, que se baseia no diálogo como o único meio racional de abordar questões políticas, principalmente a questão dos povos do Sul e o seu direito de restaurar o seu Estado", lê-se na nota.

Na sexta-feira, os separatistas anunciaram o início de um processo de dois anos rumo à independência do Sul do Iémen, que deverá incluir um referendo a 02 de janeiro de 2028.

O STC reafirmou o "compromisso inabalável" com o diálogo e agradeceu à Arábia Saudita pela mediação, reconhecendo os "esforços contínuos para garantir um apoio regional e internacional sólido à causa do povo do Sul".

O conflito territorial no sul do país tem sido ofuscado por anos de guerra civil entre o Governo iemenita e o movimento rebelde Huthi, que controla a capital, Sana, há cerca de uma década.

No auge do conflito, os separatistas do STC apoiaram de forma relutante as autoridades de Aden em troca de promessas de independência, num país que esteve dividido entre norte e sul até 1990.

O anúncio do STC baseia-se no "reconhecimento da vontade do povo do Sul, num prazo definido e com plenas garantias internacionais", mantendo um referendo popular "livre e justo" como essencial para qualquer solução, referiu a organização.

Também no sábado, o Presidente do Iémen, Rashad Mohamed al-Alimi, confirmou que pediu à vizinha Arábia Saudita que acolha uma cimeira com os separatistas do sul do país.

Al-Alimi admitiu que "a causa do Sul é justa", mas defendeu que a solução do conflito "não pode ser monopolizada por uma única parte" nem "reduzida a medidas unilaterais ou a reivindicações de representação exclusiva".

Horas antes, a diplomacia da Arábia Saudita tinha convidado "todas as fações do Sul [do Iémen] a participarem ativamente na conferência", que visa encontrar "soluções justas (...) que satisfaçam as legítimas aspirações do povo".

Al-Alimi rejeitou de forma categórica a imposição de factos consumados pela força ou do uso de armas para obter ganhos políticos que não beneficiem o povo do sul do Iémen ou que produzam efeitos legais ou constitucionais.

O STC tomou vastas áreas do território nas últimas semanas, incluindo grandes partes das províncias vizinhas de Hadramout, fronteiriça com a Arábia Saudita e rica em petróleo, e de Mahra.

Na sexta-feira, ataques aéreos contra bases militares separatistas em Al-Khasha e Seyoun, efetuados pela coligação liderada pela Arábia Saudita no Iémen, mataram pelo menos 20 combatentes, disse um oficial militar do STC.

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