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"Seria ótimo se não precisássemos de usá-los". Trump volta a ameaçar Irão com navios de guerra
O presidente dos Estados Unidos volta a instar o Irão a cessar o programa nuclear e a parar de matar civis, caso contrário a frota de navios de guerra dos Estados Unidos será acionada.
Segundo Donald Trump, uma grande frota de navios de guerra dos EUA já está posicionada no Médio Oriente e pronta para ser usada, se necessário.
“Eles (Irão) precisam de fazer duas coisas. Primeiro, nada de armas nucleares. E segundo, parar de matar manifestantes”, declarou Trump aos jornalistas, segundo o jornal britânico The Guardian.
Afirmou ainda que o regime iraniano está “matando milhares de pessoas” e acrescentou que os EUA têm “muitos navios muito grandes e muito poderosos a navegar para o Irão, neste momento, e seria ótimo se não precisássemos de usá-los”. Jornal da Tarde | 30 de janeiro de 2026
As declarações foram feitas durante a estreia do documentário sobre esposa de Trump, Melania Trump, num momento em que o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, chegava à Turquia para avaliar se existe alguma base para um acordo com Washington.
Araghchi reunir-se-á esta sexta-feira com o presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, de forma a tentar evitar um eventual ataque dos EUA contra o Irão- cenário que destabilizaria o Médio Oriente.Apesar do diálogo entre Trump e os iranianos, o presidente dos EUA tem reforçado a retórica de pressão.
Numa publicação recente na rede Truth Social, Trump escreveu: “Espero que o Irão venha à mesa de negociações rapidamente e chegue a um acordo justo e equitativo – SEM ARMAS NUCLEARES”.
Na mesma publicação, Trump alertou que uma “armada enorme está a caminho do Irão” e que está “pronta, disposta e capaz de cumprir rapidamente sua missão, com rapidez e violência, se necessário”.
Do lado iraniano, a leitura é oposta. As autoridades de Teerão olham para as exigências norte-americanas como uma escalada que, se totalmente atendida, significaria o fim da soberania do país.
O enviado especial de Trump, Steve Witkoff, defendeu o encerramento completo do programa de enriquecimento nuclear do Irão, a retirada do stock de urânio para fora do país, limites ao programa de mísseis e o fim do apoio a grupos em países como o Líbano, o Iraque e o Iémen.
O ministro Araghchi respondeu às ameaças, afirmando que o Irão continua aberto a um acordo, mas sob condições claras. “O Irão sempre acolheu favoravelmente um acordo nuclear mutuamente benéfico, justo e equitativo- em pé de igualdade e livre de coerção, ameaças e intimidação”, disse.
De acordo com Araghchi, tal acordo deve “assegurar o direito do Irão à tecnologia nuclear pacífica e garantir a ausência de armas nucleares”.
“Essas armas não têm lugar nos nossos cálculos de segurança e NUNCA procuramos adquiri-las”, referiu Araghchi.Foram mantidas conversas telefónicas entre Araghchi e os ministros dos Negócios Estrangeiros de Catar, Egito, Emirados Árabes Unidos, Omã e Turquia.
O Guardian escreve que todos os países árabes envolvidos garantiram que suas instalações aéreas e terrestres não serão usadas pelos EUA para atacar o Irão.
“Europa não tem compreensão correta da situação internacional”
Na Turquia, Araghchi criticou a decisão da União Europeia, anunciada na passada quinta-feira e que deverá ser seguida pelo Reino Unido, de classificar a Guarda Revolucionária Islâmica como organização terrorista.
“A verdade é que a Europa é um continente em declínio, que perdeu o seu papel no cenário internacional e perdê-lo mais a cada dia”, afirmou. Para Araghchi, a medida demonstra que a UE “não tem uma compreensão correta da situação internacional” e representa “um grande erro estratégico”.
Embora Araghchi não tenha detalhado possíveis retaliações, o Ministério britânico dos Negócios Estrangeiros teme que tal decisão conduza o Irão a romper relações diplomáticas com o Reino Unido.
O representante do líder supremo iraniano na Guarda Revolucionária reforçou o tom de ameaça, afirmando que a ação europeia terá “sérias consequências” para a União Europeia.
“Eles (Irão) precisam de fazer duas coisas. Primeiro, nada de armas nucleares. E segundo, parar de matar manifestantes”, declarou Trump aos jornalistas, segundo o jornal britânico The Guardian.
Afirmou ainda que o regime iraniano está “matando milhares de pessoas” e acrescentou que os EUA têm “muitos navios muito grandes e muito poderosos a navegar para o Irão, neste momento, e seria ótimo se não precisássemos de usá-los”. Jornal da Tarde | 30 de janeiro de 2026
As declarações foram feitas durante a estreia do documentário sobre esposa de Trump, Melania Trump, num momento em que o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, chegava à Turquia para avaliar se existe alguma base para um acordo com Washington.
Araghchi reunir-se-á esta sexta-feira com o presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, de forma a tentar evitar um eventual ataque dos EUA contra o Irão- cenário que destabilizaria o Médio Oriente.Apesar do diálogo entre Trump e os iranianos, o presidente dos EUA tem reforçado a retórica de pressão.
Numa publicação recente na rede Truth Social, Trump escreveu: “Espero que o Irão venha à mesa de negociações rapidamente e chegue a um acordo justo e equitativo – SEM ARMAS NUCLEARES”.
Na mesma publicação, Trump alertou que uma “armada enorme está a caminho do Irão” e que está “pronta, disposta e capaz de cumprir rapidamente sua missão, com rapidez e violência, se necessário”.
Ainda segundo o presidente norte-americano, “o tempo está a esgotar-se” para Teerão, embora a Casa Branca pareça esperar que o aumento da força militar conduza o regime iraniano a adotar uma postura mais flexível, de acordo com The Guardian.
Do lado iraniano, a leitura é oposta. As autoridades de Teerão olham para as exigências norte-americanas como uma escalada que, se totalmente atendida, significaria o fim da soberania do país.
O enviado especial de Trump, Steve Witkoff, defendeu o encerramento completo do programa de enriquecimento nuclear do Irão, a retirada do stock de urânio para fora do país, limites ao programa de mísseis e o fim do apoio a grupos em países como o Líbano, o Iraque e o Iémen.
O ministro Araghchi respondeu às ameaças, afirmando que o Irão continua aberto a um acordo, mas sob condições claras. “O Irão sempre acolheu favoravelmente um acordo nuclear mutuamente benéfico, justo e equitativo- em pé de igualdade e livre de coerção, ameaças e intimidação”, disse.
De acordo com Araghchi, tal acordo deve “assegurar o direito do Irão à tecnologia nuclear pacífica e garantir a ausência de armas nucleares”.
“Essas armas não têm lugar nos nossos cálculos de segurança e NUNCA procuramos adquiri-las”, referiu Araghchi.Foram mantidas conversas telefónicas entre Araghchi e os ministros dos Negócios Estrangeiros de Catar, Egito, Emirados Árabes Unidos, Omã e Turquia.
O Guardian escreve que todos os países árabes envolvidos garantiram que suas instalações aéreas e terrestres não serão usadas pelos EUA para atacar o Irão.
“Europa não tem compreensão correta da situação internacional”
Na Turquia, Araghchi criticou a decisão da União Europeia, anunciada na passada quinta-feira e que deverá ser seguida pelo Reino Unido, de classificar a Guarda Revolucionária Islâmica como organização terrorista.
“A verdade é que a Europa é um continente em declínio, que perdeu o seu papel no cenário internacional e perdê-lo mais a cada dia”, afirmou. Para Araghchi, a medida demonstra que a UE “não tem uma compreensão correta da situação internacional” e representa “um grande erro estratégico”.
Embora Araghchi não tenha detalhado possíveis retaliações, o Ministério britânico dos Negócios Estrangeiros teme que tal decisão conduza o Irão a romper relações diplomáticas com o Reino Unido.
O representante do líder supremo iraniano na Guarda Revolucionária reforçou o tom de ameaça, afirmando que a ação europeia terá “sérias consequências” para a União Europeia.