Mundo
Serviços secretos europeus ajudaram EUA a espiar a Europa
Na audição de ontem perante o Congresso norte-americano, o chefe da NSA afirmou que foram os próprios serviços secretos da França, da Itália e da Espanha que ajudaram a sua agência a espiar os respectivos países. O fornecimento de "metadados" aos EUA terá sido feito ao abrigo de acordos de troca de informações entre os diversos serviços.
O chefe da National Security Agency (NSA), general Keith Alexander, afirmou ontem perante a comissão da Câmara dos Representantes, segundo citação do diário francês Le Monde, que os cerca de 70 milhões de dados telefónicos recolhidos em França, num só mês do final de 2012, pela mesma NSA lhe foram transmitidos pela congénere francesa DGSE.
Segundo Alexander, a transmissão desses dados era inteiramente legal e feita ao abrigo de um protocolo entre NSA e DGSE, firmado entre o final de 2011 e o início de 2012, e designado por "Lustre". Protocolos semelhantes estariam em vigor com outros países, como a Itália e a Espanha, em que se registaram igualmente queixas sobre a espionagem norte-americana. E também aí a imprensa teria confundido a cedência voluntária de informações dos seus serviços nacionais à NSA com uma espionagem levada a cabo por esta agência dos EUA.
O diário francês Le Monde procurou esclarecer o assunto junto de fonte da DGSE e cita um seu "alto responsável" a explicar que a França detém uma posição estratégica por terem os seus terminais em Marselha e em Penmac'h, na Bretanha, os cabos submarinos que transportam a maior parte dos dados provenientes de África e do Afeganistão. Segundo o mesmo responsável, há "uma troca que se instituiu entre a direcção da NSA e a da DGSE. Damos-lhes blocos inteiros sobre estas zonas e eles dão-nos, em contrapartida, de partes do mundo em que estamos ausentes".
Acontece que, ao fornecer aos EUA a informação sobre comunicações de África ou do Afeganistão com a França, a DGSE teria forçosamente que fornecer a um serviço secreto estrangeiro, no caso norte-americano, informação sobre os cidadãos franceses que eram contraparte nessas comunicações, colocando-se eventualmente sob a alçada da lei francesa relativa à protecção de dados, para já não falar de legislações que possa haver sobre o tema em África ou no Afeganistão.
Para além do melindre jurídico, há também um melindre político do intercâmbio: não parece provável que a NSA tenha, simetricamente, fornecido à DGSE dados sobre comunicações de cidadãos norte-americanos com qualquer parte do mundo.
Ao ajudar a NSA a espiar cidadãos franceses, os serviços secretos franceses envolveram-se assim numa operação de alto risco que em Le Monde se considera impensável sem uma cobertura política ao mais alto nível. Por outro lado, a confirmar-se a existência dessa cobertura política, acrescenta o mesmo diário, toda a indignação ostentada nos últimos dias no Eliseu sobre a espionagem norte-americana contra a França só poderia ser vista como encenada.
Assim, o próprio Governo francês apressou-se a desmentir, pela sua porta-voz Najat Vallaud-Belkacem, as declarações de Keith Alexander, que entretanto também foram qualificadas no Quai d'Orsay como "extravagantes" e "bizarras".
Segundo Alexander, a transmissão desses dados era inteiramente legal e feita ao abrigo de um protocolo entre NSA e DGSE, firmado entre o final de 2011 e o início de 2012, e designado por "Lustre". Protocolos semelhantes estariam em vigor com outros países, como a Itália e a Espanha, em que se registaram igualmente queixas sobre a espionagem norte-americana. E também aí a imprensa teria confundido a cedência voluntária de informações dos seus serviços nacionais à NSA com uma espionagem levada a cabo por esta agência dos EUA.
O diário francês Le Monde procurou esclarecer o assunto junto de fonte da DGSE e cita um seu "alto responsável" a explicar que a França detém uma posição estratégica por terem os seus terminais em Marselha e em Penmac'h, na Bretanha, os cabos submarinos que transportam a maior parte dos dados provenientes de África e do Afeganistão. Segundo o mesmo responsável, há "uma troca que se instituiu entre a direcção da NSA e a da DGSE. Damos-lhes blocos inteiros sobre estas zonas e eles dão-nos, em contrapartida, de partes do mundo em que estamos ausentes".
Acontece que, ao fornecer aos EUA a informação sobre comunicações de África ou do Afeganistão com a França, a DGSE teria forçosamente que fornecer a um serviço secreto estrangeiro, no caso norte-americano, informação sobre os cidadãos franceses que eram contraparte nessas comunicações, colocando-se eventualmente sob a alçada da lei francesa relativa à protecção de dados, para já não falar de legislações que possa haver sobre o tema em África ou no Afeganistão.
Para além do melindre jurídico, há também um melindre político do intercâmbio: não parece provável que a NSA tenha, simetricamente, fornecido à DGSE dados sobre comunicações de cidadãos norte-americanos com qualquer parte do mundo.
Ao ajudar a NSA a espiar cidadãos franceses, os serviços secretos franceses envolveram-se assim numa operação de alto risco que em Le Monde se considera impensável sem uma cobertura política ao mais alto nível. Por outro lado, a confirmar-se a existência dessa cobertura política, acrescenta o mesmo diário, toda a indignação ostentada nos últimos dias no Eliseu sobre a espionagem norte-americana contra a França só poderia ser vista como encenada.
Assim, o próprio Governo francês apressou-se a desmentir, pela sua porta-voz Najat Vallaud-Belkacem, as declarações de Keith Alexander, que entretanto também foram qualificadas no Quai d'Orsay como "extravagantes" e "bizarras".