Mundo
"Situação é crítica". Cidade siciliana à beira de precipício após deslizamento de terra
O fenómeno foi desencadeado pela passagem do ciclone Harry, que atingiu o sul de Itália na semana passada com chuvas intensas e ventos fortes.
A cidade de Niscemi, no sul de Sicília, vive momentos de tormento depois de um deslizamento de terra de grandes proporções ter deixado casas suspensas à beira de um precipício.
Cerca de 1.500 pessoas foram retiradas após o deslizamento começar a dar sinais de movimento, no passado domingo, e evoluir rapidamente para uma fenda com cerca de quatro quilómetros de extensão na encosta onde se encontra a cidade, segundo o jornal britânico The Guardian.
Na passada segunda-feira, o Governo italiano declarou estado de emergência para as regiões do sul afetadas pelo ciclone Harry. Os prejuízos já ultrapassam 1,5 mil milhões de euros.
A tempestade trouxe chuvas contínuas e ondas de até nove metros, causando destruição em Sicília, Calábria e Sardenha, com estradas e defesas costeiras arrasadas e balneários devastados.
O Governo italiano reservou 100 milhões de euros para responder às “primeiras intervenções urgentes”, segundo a primeira-ministra Giorgia Meloni nas redes sociais.
A cratera desencadeada pelo deslizamento continua a alargar-se, alimentando o receio de que possa engolir o centro histórico de Niscemi. “Este é um deslizamento de terra dramático”, afirmou o presidente da câmara, Massimiliano Conti, num vídeo publicado nas redes sociais.
O autarca pediu ainda aos moradores fora das zonas isoladas que “fiquem em casa” e alertou que não quer “que ninguém subestime este evento”.
Fabio Ciciliano, chefe do Departamento Nacional de Proteção Civil destacou que "as casas com vista para a crista do deslizamento de terra não serão nunca mais habitáveis e, portanto, precisamos considerar a realocação permanente dessas famílias”, de acordo com o jornal da Sicília Giornale Di Sicilia.
Após estabelecida a criação de uma zona vermelha que se estende por 150 metros a partir do início da área de asfalto não colapsada, Renato Schifani, presidente da região siciliana, afirmou que “o limite de segurança de 150 metros está correto. Decidiremos mais tarde se o reduziremos, mas é certo que muitas pessoas nunca mais irão voltar para as suas casas."
Apesar da gravidade da situação, não há registo de vítimas. “Felizmente, não houve feridos, apenas danos às casas”, acrescentou Conti. Imagens e vídeos divulgados mostram edifícios à beira do colapso, com o solo a ceder a poucos metros das habitações.
O diretor-geral da Proteção Civil da Sicília, Salvatore Cocina, foi taxativo ao avaliar o risco. “Todas as casas num raio de 50 a 70 metros irão desabar”.
Como medida de precaução, as escolas permaneceram fechadas e a estrada que liga Niscemi à cidade costeira de Gela foi interditada. Com cerca de 25 mil habitantes, Niscemi está a acolher muitos dos que foram retirados de casa, enquanto centenas passaram as últimas duas noites numa arena desportiva local, adaptada como abrigo de emergência.
“Não há como negar, estamos com medo”
Numa entrevista ao jornal italiano La Repubblica, publicada esta terça-feira, Conti admitiu o clima de medo. “Não há como negar- estamos com medo”.
Segundo o autarca, o deslizamento avançou mais dez metros na manhã desta terça-feira. “Pelas imagens aéreas, foi chocante ver a nossa Niscemi a desmoronar-se”, disse. “A situação é crítica, especialmente porque os estalos continuam, e a chuva não está a ajudar nem as operações de socorro nem os levantamentos técnicos.”
Outra preocupação central é o risco de isolamento da cidade. “Estamos a monitorizar a situação sem parar, porque ela pode mudar a qualquer momento”, sublinhou Conti.
O ministro da Proteção Civil, Nello Musumeci, afirmou que “nos próximos dias, o Governo adotará uma nova medida interministerial para permitir a restauração e reconstrução da infraestrutura danificada”, segundo o jornal The Guardian.
Em Sicília, são estimados 740 milhões de euros em prejuízos, embora o presidente da região, Renato Schifani, tenha alertado que o valor final poderá ser o dobro.
Os desalojados pelo deslizamento de terra na ilha em Sicília, irão receber contribuições do Estado italiano, até 900 euros por família. “400 euros por família, mais 100 euros por membro individual, até um máximo de 900 euros por mês por agregado familiar, durante um ano”, citou o jornal siciliano Giornale Di Sicilia.
A agência de notícias italiana ANSA apurou que o processo remuneratório foi iniciado após a ordem de despejo e concluir-se-á nos próximos dias.
A Contribuição para Alojamento Autônomo (CAS) destina-se a quem foi obrigado a abandonar as suas casas, atualmente cerca de 1.500 pessoas. Segundo a agência ANSA, “apesar da magnitude do fenómeno natural e da destruição material”, não foram registadas mortes até o momento.
Em Niscemi, cada novo deslizamento reforça o sentimento de urgência. O solo continua a ceder assim como a incerteza sobre o futuro da ilha.
Cerca de 1.500 pessoas foram retiradas após o deslizamento começar a dar sinais de movimento, no passado domingo, e evoluir rapidamente para uma fenda com cerca de quatro quilómetros de extensão na encosta onde se encontra a cidade, segundo o jornal britânico The Guardian.
Na passada segunda-feira, o Governo italiano declarou estado de emergência para as regiões do sul afetadas pelo ciclone Harry. Os prejuízos já ultrapassam 1,5 mil milhões de euros.
A tempestade trouxe chuvas contínuas e ondas de até nove metros, causando destruição em Sicília, Calábria e Sardenha, com estradas e defesas costeiras arrasadas e balneários devastados.
O Governo italiano reservou 100 milhões de euros para responder às “primeiras intervenções urgentes”, segundo a primeira-ministra Giorgia Meloni nas redes sociais.
A cratera desencadeada pelo deslizamento continua a alargar-se, alimentando o receio de que possa engolir o centro histórico de Niscemi. “Este é um deslizamento de terra dramático”, afirmou o presidente da câmara, Massimiliano Conti, num vídeo publicado nas redes sociais.
O autarca pediu ainda aos moradores fora das zonas isoladas que “fiquem em casa” e alertou que não quer “que ninguém subestime este evento”.
Fabio Ciciliano, chefe do Departamento Nacional de Proteção Civil destacou que "as casas com vista para a crista do deslizamento de terra não serão nunca mais habitáveis e, portanto, precisamos considerar a realocação permanente dessas famílias”, de acordo com o jornal da Sicília Giornale Di Sicilia.
Após estabelecida a criação de uma zona vermelha que se estende por 150 metros a partir do início da área de asfalto não colapsada, Renato Schifani, presidente da região siciliana, afirmou que “o limite de segurança de 150 metros está correto. Decidiremos mais tarde se o reduziremos, mas é certo que muitas pessoas nunca mais irão voltar para as suas casas."
Apesar da gravidade da situação, não há registo de vítimas. “Felizmente, não houve feridos, apenas danos às casas”, acrescentou Conti. Imagens e vídeos divulgados mostram edifícios à beira do colapso, com o solo a ceder a poucos metros das habitações.
O diretor-geral da Proteção Civil da Sicília, Salvatore Cocina, foi taxativo ao avaliar o risco. “Todas as casas num raio de 50 a 70 metros irão desabar”.
Como medida de precaução, as escolas permaneceram fechadas e a estrada que liga Niscemi à cidade costeira de Gela foi interditada. Com cerca de 25 mil habitantes, Niscemi está a acolher muitos dos que foram retirados de casa, enquanto centenas passaram as últimas duas noites numa arena desportiva local, adaptada como abrigo de emergência.
“Não há como negar, estamos com medo”
Numa entrevista ao jornal italiano La Repubblica, publicada esta terça-feira, Conti admitiu o clima de medo. “Não há como negar- estamos com medo”.
Segundo o autarca, o deslizamento avançou mais dez metros na manhã desta terça-feira. “Pelas imagens aéreas, foi chocante ver a nossa Niscemi a desmoronar-se”, disse. “A situação é crítica, especialmente porque os estalos continuam, e a chuva não está a ajudar nem as operações de socorro nem os levantamentos técnicos.”
Outra preocupação central é o risco de isolamento da cidade. “Estamos a monitorizar a situação sem parar, porque ela pode mudar a qualquer momento”, sublinhou Conti.
O ministro da Proteção Civil, Nello Musumeci, afirmou que “nos próximos dias, o Governo adotará uma nova medida interministerial para permitir a restauração e reconstrução da infraestrutura danificada”, segundo o jornal The Guardian.
Em Sicília, são estimados 740 milhões de euros em prejuízos, embora o presidente da região, Renato Schifani, tenha alertado que o valor final poderá ser o dobro.
Os desalojados pelo deslizamento de terra na ilha em Sicília, irão receber contribuições do Estado italiano, até 900 euros por família. “400 euros por família, mais 100 euros por membro individual, até um máximo de 900 euros por mês por agregado familiar, durante um ano”, citou o jornal siciliano Giornale Di Sicilia.
A agência de notícias italiana ANSA apurou que o processo remuneratório foi iniciado após a ordem de despejo e concluir-se-á nos próximos dias.
A Contribuição para Alojamento Autônomo (CAS) destina-se a quem foi obrigado a abandonar as suas casas, atualmente cerca de 1.500 pessoas. Segundo a agência ANSA, “apesar da magnitude do fenómeno natural e da destruição material”, não foram registadas mortes até o momento.
Em Niscemi, cada novo deslizamento reforça o sentimento de urgência. O solo continua a ceder assim como a incerteza sobre o futuro da ilha.