Sonda espacial Rosetta acordou e está operacional

Foi um momento de triunfo para a equipa da ESA responsável pela sonda espacial Rosetta, quando recebeu, dentro do horário previsto, a comunicação de que a sonda saiu do estado de hibernação em que esteve nos últimos 31 meses.

Graça Andrade Ramos, RTP /
Uma imagem artística da sonda Rosetta no espaço Reuters/ESA/NASA

A equipa da ESA que recebeu o sinal no Centro Espacial da ESA em Darmstad, Alemanha, reconheceu a tensão em que estava, concluindo logo depois que "agora começa o trabalho a sério."

"Era imprescindível que a sonda acordasse" disse Fred Jansen, responsável pela missão Rosetta na ESA. "Depois de um dia de espera ansiosa estamos felicíssimos que a nossa sonda está acordada e novamente a comunicar," acrescentou.

Andrea Accomazzo, diretor operacional da Rosetta, festejou com aplausos no centro de controlo. "Agora voltamos a tê-la. Cabe-nos a nós levá-la até ao cometa."

Quarenta minutos após a receção do sinal e da ESA confirmar que foi retomado o contacto com Rosetta, foram enviados os primeiros telecomandos à sonda.
Mais de seis horas à espera
Rosetta, atualmente a 800 milhões de quilómetros da Terra, foi acordada esta manhã às 10h00 GMT e esteve a proceder a vericações e aquecimento dos sistemas e à sua própria localização, de forma a poder enviar para o nosso planeta um sinal de que está 'acordada' e a funcionar.

À velocidade da luz, o sinal demorou 45 minutos a chegar à Terra e foi captado dentro da janela temporal prevista, pelas 18h18 em Portugal, por uma estação da NASA em Goldstone, na Califórnia.

Tanto a operação de 'acordar' a sonda como a da receção do sinal foram transmitidas em direto pela ESA via internet, tendo sido seguidas em cerca de 8.000 computadores.

A missão da Rosetta teve início há 10 anos e entra agora na fase final que deverá demorar cerca de dois anos: alcançar a órbita do cometa 67P/TG Churyumov-Gerasimenko, colocar um robot na superfície deste e proceder a diversas análises.
"Caçadora de cometas"
A sonda encontra-se ainda a dois milhões de Km de distância do cometa e nas próximas semanas os 21 instrumentos científicos que seguem a bordo da sonda serão ativados e verificados.

"A nossa caçadora de cometas está de volta! Graças a Rosetta vamos iniciar uma nova fase na exploração de cometas" regozijou-se o diretor da exploração robótica da ESA, Álvaro Gimenez.

A partir de maio a sonda deverá começar a enviar as primeiras imagens do cometa mas só no próximo mês de agosto é que a Rosetta deve concluir a aproximação ao Churyumov-Gerasimenko.

Em novembro está previsto o lançamento de um veículo robótico, Philae, uma espécie de frigorífico recheado de equipamento, o qual deve aterrar ainda nesse mesmo mês na superfície gelada do cometa, uma bola de gelo de quatro Km de diâmetro.

Uma vez na superfície, o veículo robótico começará a sua missão científica, que consiste em determinar as a características do núcleo do cometa e os elementos químicos que o constituem, bem como o estudo das atividades deste corpo celeste e a sua evolução ao longo do tempo.
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