Sudão. Mais de 500 civis mortos em ataques com `drones` entre janeiro e meados de março
Mais de 500 civis foram mortos por ataques com `drones` entre janeiro e meados deste mês no Sudão, principalmente na região de Kordofan, informou hoje o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
"De acordo com as informações recolhidas, mais de 500 civis foram mortos nestes ataques entre 01 de janeiro e 15 de março. A grande maioria destas mortes de civis foi registada em três estados da região de Kordofan", anunciou a porta-voz do Alto Comissariado, Marta Hurtado, durante uma conferência de imprensa em Genebra.
"O aumento acentuado do recurso a `drones` [aeronaves sem tripulação] para realizar ataques aéreos este ano no Sudão sublinha o impacto devastador destas armas de alta tecnologia e relativamente baratas em zonas povoadas", lamentou a porta-voz.
Segundo o Alto Comissariado, só nas duas primeiras semanas de março "mais de 277 civis foram mortos, dos quais mais de três quartos em ataques com `drones`".
"E estes ataques mortíferos continuaram na semana passada, quando o mês sagrado do Ramadão chegava ao fim", recordou Hurtado, referindo-se ao ataque de 20 de março que teve como alvo o hospital universitário de El Daein, no estado do Darfur Oriental, causando pelo menos 64 mortos, dos quais 13 crianças.
"A intensificação dos ataques com `drones` estende-se para além das fronteiras do Sudão, suscitando receios de uma nova escalada com consequências regionais significativas", acrescentou a porta-voz, referindo-se aos ataques que visaram cidades na fronteira entre o Sudão e o Chade, após ofensivas terrestres levadas a cabo pelos paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês), que se opõem ao exército, desde abril de 2023.
Segundo Hurtado, um ataque com `drones` que atingiu a cidade chadiana de Tiné, a 18 de março, causou, nomeadamente, a morte de pelo menos 24 civis e feriu cerca de 60 outros. O Governo chadiano tinha anteriormente anunciado um balanço de 17 mortos.
A guerra civil no Sudão causou várias dezenas de milhares de mortos e deslocou mais de 12 milhões de pessoas, das quais quase um milhão se refugiou no Chade, segundo a ONU.
"Exortamos todos os Estados, em particular aqueles que têm influência, a envidarem todos os esforços para pôr fim às transferências de armas que alimentam o conflito e são utilizadas em flagrante violação da obrigação de proteger os civis em situações de conflito", declarou Hurtado, apelando à reativação dos "esforços diplomáticos com vista a um cessar-fogo urgente para pôr fim ao conflito".