Mundo
Guerra na Ucrânia
Tecnologia com destino à Rússia. Empresas chinesas e indianas na mira de sanções da UE
Pelo menos sete empresas na China e uma na Índia surgem num documento de 91 páginas de entidades e indivíduos que os 27 querem adicionar ao 13.º pacote de sanções contra a Rússia. As entidades em causa são acusadas de fornecerem a Moscovo componentes eletrónicos que podem ser reaproveitados em sistemas de armas.
A lista de empresas sancionadas chega a 643, caso seja aprovado o 13.º pacote de sanções da UE apontado a Moscovo e que está em discussão esta semana.
Além de empresas chinesas - três no continente e quatro em Hong Kong - e da Índia, os novos nomes incluem entidades do Sri Lanka, Turquia, Tailândia, Sérvia e Cazaquistão.Bruxelas pretende travar as movimentações russas que têm conseguido contornar as restrições da UE.
Se estas medidas forem aprovadas, será a primeira vez que empresas indianas e chinesas serão alvo direto de sanções da UE, desde o início da invasão russa na Ucrânia.
De acordo com o documento, “também é apropriado incluir nessa lista algumas outras entidades em países terceiros que apoiam indiretamente o complexo militar e industrial da Rússia (...) negociando esses componentes”, juntamente com mais empresas russas.
A UE quer travar a possibilidade de tecnologias vendidas fora do bloco acabarem por chegar à Rússia, através de países terceiros. Os 27 propõem, por isso, acrescentar à “lista negra” empresas na China , na Turquia e na Índia, entre outros, que exportam para a Rússia e alegadamente contribuem para o esforço de guerra na Ucrânia.
Há ainda duas companhias marítimas russas acusadas de transportar armas da Coreia do Norte para Dunai, uma base de submarinos russa a leste de Vladivostok.
Na prática, a implementação destas medidas significa que as empresas dos 27 ficam proibidas de fazer negócios com as entidades da “lista negra”. A proposta proíbe também a exportação para a Rússia de componentes utilizados na produção de drones.
Segundo o Financial Times, as sanções dirigidas à empresa indiana são “especialmente sensíveis”, uma vez que o país é aliado dos EUA e está a negociar um acordo comercial com a UE.
Nova Deli já reagiu às críticas, afirmando que “compra legalmente petróleo russo barato e sancionado e envia produtos refinados, produzidos a partir desse combustível, para a UE”.