Teerão assinala nenhum "progresso tangível" nas negociações com EUA
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, assinalou hoje que não houve "qualquer progresso tangível" nas negociações com os Estados Unidos para pôr fim à guerra no Médio Oriente.
"Houve uma troca de mensagens sobre a necessidade de pôr fim à agressão contra Beirute, mas não foram feitos progressos tangíveis no processo de negociação", destacou Araghchi, referindo-se aos ataques israelitas contra o Hezbollah, um grupo pró-Irão, no Líbano.
O governante, que falava numa entrevista dada a uma estação de televisão libanesa, divulgada pela agência de notícias Tasnim, acrescentou, sem adiantar mais pormenores, que "o regresso à mesa das negociações está condicionado à garantia dos direitos do povo iraniano, ao fim da guerra no Líbano e à redução das tensões na região".
Araghchi alertou também que qualquer ataque a Beirute levaria a "uma retoma em larga escala da guerra" no Médio Oriente, após ameaças israelitas contra o Hezbollah, um grupo pró-Irão.
"Se a agressão israelita contra Beirute continuar, as nossas forças armadas estão totalmente preparadas para retomar a guerra e atacar alvos dentro de Israel", garantiu.
O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, avisou na terça-feira que os subúrbios do sul de Beirute, um bastião do movimento xiita, seriam atingidos caso o seu território fosse alvo de ataques.
Já o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, insistiu hoje, durante uma audição no Congresso, que as principais operações militares contra o Irão tinham terminado, apesar dos novos confrontos entre o Irão e os Estados Unidos.
"Já não estamos a realizar ataques contínuos no Irão para enfraquecer as suas forças armadas porque a Operação Fúria Épica terminou", declarou, depois de ter afirmado no dia anterior, durante outra audição no Congresso, que "a guerra acabou".
Rubio referia-se à campanha de bombardeamento dos EUA iniciada em 28 de Fevereiro e ao acordo de cessar-fogo alcançado em 08 de abril, que se encontra agora numa situação extremamente frágil.
"Quanto a quem ganhou, posso dizer o seguinte: nós definimos a vitória. Definimos a vitória como a destruição da sua base industrial de defesa, a redução significativa dos seus lançadores de mísseis, a redução significativa do seu arsenal de drones, e alcançámos todos estes objetivos, além de destruir o que restava da sua força aérea e aniquilar toda a sua marinha convencional", apontou Rubio.
Os congressistas democratas criticaram estas declarações após o retomar dos confrontos entre o Irão e os Estados Unidos e os ataques iranianos contra o Kuwait, referindo também que o estreito de Ormuz permanece bloqueado.
O Kuwait afirmou ter sido hoje alvo de um total de 13 mísseis balísticos e 17 drones iranianos.
De acordo com o Comando Central dos EUA (Centcom), o Irão também disparou mísseis em direção ao Bahrein durante a noite, o que levou a ataques aéreos de retaliação dos EUA contra a ilha iraniana de Qeshm. Teerão alega que os mísseis atingiram uma torre de comunicações.
Após o cessar-fogo de 08 de abril entre os Estados Unidos e o Irão, as hostilidades praticamente cessaram.
Mas foram retomadas nos últimos dias, particularmente em torno do estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica para hidrocarbonetos bloqueada por Teerão.