Teerão ataca dois petroleiros dos Emirados Árabes Unidos
Os Emirados Árabes Unidos denunciaram hoje ataques de mísseis iranianos contra dois petroleiros no estreito de Ormuz, que provocaram a morte de um tripulante, após nova vaga de ataques dos Estados Unidos contra o Irão.
"O Ministério da Defesa anuncia que os petroleiros nacionais Mombasa e al-Bahiyah foram alvo de dois mísseis de cruzeiro iranianos enquanto transitavam pela rota meridional do estreito de Ormuz, em águas territoriais de Omã", indicou o ministério na rede social X.
A ofensiva causou a morte de "um tripulante indiano a bordo do Mombasa e feriu outras oito pessoas, quatro delas com gravidade", acrescentou. Entre os feridos contam-se seis indianos e dois ucranianos. Os navios sofreram danos após incêndios a bordo, entretanto controlados.
O Ministério da Defesa do emirado condenou "este ataque flagrante, considerado uma violação grave e uma infração manifesta ao direito internacional, que ameaça a segurança e a estabilidade da região".
Abu Dhabi afirma "reservar-se plenamente o direito de responder a esta escalada".
A navegação comercial tem sido fortemente afetada pelo conflito no Médio Oriente desde 01 de março, quando o Irão encerrou o estreito em represália a ataques norte-americanos e israelitas.
Os Estados Unidos lançaram na madrugada, pela terceira noite consecutiva, ataques contra o Irão, marcando uma escalada na retoma das hostilidades, apesar de Donald Trump ter afirmado que um acordo com Teerão continua "possível".
Quatro novas explosões foram registadas perto de Bandar Abbas, cidade portuária no sul do Irão situada junto ao estreito de Ormuz, segundo a agência de notícias oficial Irna.
Apesar da escalada, Trump declarou perante a imprensa na Casa Branca que um acordo com o Irão continua "possível".
Antes, na rede social Truth Social, anunciou que os EUA tomariam o controlo do estreito de Ormuz e restabeleceriam o bloqueio dos portos iranianos. O Pentágono confirmou que o bloqueio entrará em vigor às 20:00 GMT (21:00 em Lisboa) de terça-feira.
Tal como Teerão pretende cobrar taxas de serviço pela travessia do estreito, Trump disse querer aplicar "uma remuneração equivalente a 20% do valor das cargas" que ali transitam, contrariando o direito internacional que garante a liberdade de navegação.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, respondeu na rede social X: "O Irão sempre foi o guardião do estreito e continuará a sê-lo para sempre".
A escalada do conflito levou a uma subida dos preços do petróleo na segunda-feira, com o Brent do mar do Norte a subir 9,59% e fechando a 83,30 dólares (73,15 euros).
Após quase 40 dias de bombardeamentos desde o início da guerra a 28 de fevereiro, desencadeada por ataques israelo-americanos, um cessar-fogo tinha sido instaurado em abril e formalizado a 17 de junho por protocolo de entendimento.
O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baghaei, reconheceu que "não há dúvida" de que o protocolo "está em crise", mas garantiu que "o Irão nunca foi o primeiro a violar os seus compromissos".
Consultas com mediadores do Qatar, Paquistão e Omã prosseguem para "prevenir uma escalada".
O protocolo previa a reabertura do estreito, mas Teerão apenas autorizou um corredor junto à sua costa. "Este ponto estratégico é mais importante do que dezenas de bombas atómicas, e a República Islâmica irá protegê-lo", advertiu o conselheiro militar do guia supremo, Mohsen Rezaï.
Segundo meios iranianos, os bombardeamentos dos últimos dias atingiram vastas zonas do oeste e sul do país, incluindo a ilha de Qeshm, Bandar Abbas e a província do Khouzistão, junto ao Iraque.
No total, 25 pessoas morreram no Irão desde quarta-feira, segundo um balanço da agência France-Presse (AFP) com base em fontes oficiais e meios iranianos. Em resposta, a Guarda Revolucionári iraniana afirmaram ter atacado instalações norte-americanas em Omã, Bahrein, Kuwait e Jordânia.