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Temu. Plataforma chinesa acusada de enganar consumidores europeus

por Cristina Santos - RTP
NurPhoto via AFP

A Federação de associações de consumidores da União apresentou uma queixa contra a plataforma de comércio online por alegada manipulação dos utilizadores e também por alegada violação do Regulamento de Serviços Digitais da UE. A Temu tem mais de 75 milhões de utilizadores mensais na União Europeia.

A diretora-geral da federação (BEUC - Bureau Européen des Unions de Consommateurs) explica, em comunicado, que o site da Temu “está repleto de interfaces enganosas para encorajar os consumidores a gastar mais na plataforma”
Monique Goyens sublinha que, na plataforma chinesa, “os consumidores recebem versões diferentes e mais caras quando clicam num produto” e têm muitas dificuldades “quando querem encerrar a conta”.
O grupo chinês, contactado pela agência France Press, responde às acusações sublinhando que vai analisar a queixa e cooperar com todas as partes interessadas. Nestas declarações, a Temu garante que está disponível para “melhorar o nosso serviço e corrigir quaisquer deficiências, (…) estamos comprometidos com a transparência e a total conformidade com todas as leis“.

 
As novas regras impõem ainda maior transparência aos algoritmos utilizados para atingir os utilizadores da Internet e exige o controlo de identidade dos vendedores nas plataformas, em como o bloqueio de sites fraudulentos.

No início deste ano, a Federação Alemã de Associações de Consumidores acusou Temu de exibir críticas enganosas sobre produtos vendidos e de enganar os consumidores sobre reduções de preços.
  Desde fevereiro que o Regulamento de Serviços Digitais da UE impôs, sob pena de multas, novas obrigações às plataformas de comércio. Por exemplo, estão proibidas interfaces enganosas. Ou seja, o preço de venda de um produto é inferior ao valor que os consumidores acabam por ter que pagar.
A federação de associações europeias de consumidores acusa a Temu de “muitas vezes” não fornecer “aos consumidores informações cruciais sobre os vendedores dos produtos e, portanto, não informa se o produto cumpre os requisitos de segurança da União Europeia”. Esta foi a conclusão da associação italiana de consumidores que testou 13 produtos cosméticos vendidos na plataforma e descobriu que nove não especificavam a lista de ingredientes.


A BEUC é a federação de associações de consumidores na União Europeia que representa 45 organizações de 31 países. 

A plataforma chinesa está a atravessar um crescimento meteórico na Europa graças a uma estratégia de descontos nos preços, aponta a BEUC que quer que a Temu seja “investigada pelas autoridades”.
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