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Tensão fronteiriça. Índia alerta para movimentos "significativos" de tropas chinesas
O Governo indiano alertou para "significativos" movimentos de tropas chinesas na Linha de Controlo Real, a fronteira entre a Índia e a China, mais precisamente na secção dos Himalaias, que é há décadas motivo de elevadas tensões entre ambos os países.
“É verdade que pessoas da China estão na fronteira. Elas reclamam que é território delas. Nós consideramos que aquela área é nossa. Tem havido um desentendimento sobre isso e a Índia fez o que precisava de fazer”, declarou o ministro indiano da Defesa, Rajnath Singh, em entrevista ao canal CNN-News18.
O responsável do Governo indiano adiantou que altos-funcionários de ambas as nações irão discutir o assunto da fronteira já no próximo sábado. “Não queremos que nenhum país se curve perante nós, e nós não nos curvaremos perante nenhum país”, acrescentou.
A Índia e a China partilham uma das mais longas fronteiras terrestres de todo o mundo. As tensões em torno da posse de um território específico na secção fronteiriça dos Himalaias começaram em 1962, quando os dois países iniciaram um violento conflito que resultou em milhares de mortes. Desde então, as disputas têm acontecido esporadicamente.
No mês passado, um confronto entre forças chinesas e indianas na fronteira resultou em lesões leves em alguns dos militares. O incidente foi seguido de relatos, ao longo das últimas semanas, sobre tensões na região montanhosa.
A 1 de junho, o porta-voz do ministro chinês dos Negócios Estrangeiros disse, em conferência de imprensa, que a situação na fronteira estava “estável e controlada”, esclarecendo que “as duas partes podem resolver esses assuntos através de mecanismos estabelecidos para as fronteiras e canais diplomáticos”.
As declarações do Governo chinês chegaram apenas um dia depois de o tabloide Global Times, detido pelo Partido Comunista Chinês, ter publicado um artigo sobre novas armas adquiridas pelo país que poderiam ser empregues em “conflitos de elevada altitude”, tais como o da fronteira dos Himalaias.
“As forças militares chinesas de defesa da fronteira reforçaram as medidas de controlo fronteiriço e realizaram as ações necessárias em resposta à recente construção ilegal, por parte da Índia, de instalações de defesa ao longo da fronteira e em território chinês na região de Galwan Valley, em maio”, explica o mesmo artigo.
A Linha de Controlo Real
Em 1993, após vários anos de negociações e confrontos territoriais, a China e a Índia assinaram um acordo que procurava demarcar a separação entre as duas nações. A fronteira ficou conhecida por Linha de Controlo Real.
Ainda assim, continuaram a dar-se disputas sobre onde acaba um país e começa o outro. Há até discussões sobre a extensão real da fronteira. “A fronteira entre a Índia e a China tem 3488 quilómetros. Mas na definição chinesa, possui cerca de dois mil quilómetros”, afirmou no Twitter o antigo secretário indiano dos Negócios Estrangeiros, Nirupama Rao.
O Governo chinês defende, por outro lado, que “não existe uma Linha de Controlo Real na fronteira entre China e Índia que ambos os lados reconheçam”.
A última vez que as tensões entre as duas partes estiveram verdadeiramente elevadas foi em 2017, quando as forças militares se concentraram na área fronteiriça de Doklam, localizada na junção entre China, Índia e Butão.
Na altura, o Butão acusou a China de construir uma estrada dentro do seu território, algo que Pequim negou. A Índia apoio a acusação do Butão, originando um confronto que durou vários meses.
Estados Unidos apoiam Índia
A 29 de maio, o secretário de Estado Mike Pompeo expressou as suas preocupações quanto ao conflito territorial. “O Partido Comunista Chinês, a natureza das atividades que concretizam - hoje, mais forças militares da China deslocaram-se até ao norte da Índia, até à Linha de Controlo Real do lado indiano -, este é o tipo de ações que regimes autoritários tomam e que têm um verdadeiro impacto”, lamentou.
Donald Trump tinha já dito, no mês passado, que os Estados Unidos estariam dispostos a mediar ou arbitrar conflitos fronteiriços entre China e Índia. “Informámos a Índia e a China de que os EUA estão prontos, dispostos e disponíveis para mediar ou arbitrar a sua agora intensa disputa”, escreveu o Presidente no Twitter.
Em resposta, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China disse não precisar da intervenção de “um terceiro partido”.
O presidente do Comité dos Negócios Estrangeiros da Câmara dos Representantes dos EUA considerou, por sua vez, que “a China está a demonstrar que está disposta a atacar os seus vizinhos em vez de resolver conflitos de acordo com a lei internacional”.
“Apelo fortemente à China que respeite as normas e utilize a diplomacia e mecanismos existentes para resolver as questões fronteiriças com a Índia”, acrescentou Eliot Engel na segunda-feira.
c/ agências
O responsável do Governo indiano adiantou que altos-funcionários de ambas as nações irão discutir o assunto da fronteira já no próximo sábado. “Não queremos que nenhum país se curve perante nós, e nós não nos curvaremos perante nenhum país”, acrescentou.
A Índia e a China partilham uma das mais longas fronteiras terrestres de todo o mundo. As tensões em torno da posse de um território específico na secção fronteiriça dos Himalaias começaram em 1962, quando os dois países iniciaram um violento conflito que resultou em milhares de mortes. Desde então, as disputas têm acontecido esporadicamente.
No mês passado, um confronto entre forças chinesas e indianas na fronteira resultou em lesões leves em alguns dos militares. O incidente foi seguido de relatos, ao longo das últimas semanas, sobre tensões na região montanhosa.
A 1 de junho, o porta-voz do ministro chinês dos Negócios Estrangeiros disse, em conferência de imprensa, que a situação na fronteira estava “estável e controlada”, esclarecendo que “as duas partes podem resolver esses assuntos através de mecanismos estabelecidos para as fronteiras e canais diplomáticos”.
As declarações do Governo chinês chegaram apenas um dia depois de o tabloide Global Times, detido pelo Partido Comunista Chinês, ter publicado um artigo sobre novas armas adquiridas pelo país que poderiam ser empregues em “conflitos de elevada altitude”, tais como o da fronteira dos Himalaias.
“As forças militares chinesas de defesa da fronteira reforçaram as medidas de controlo fronteiriço e realizaram as ações necessárias em resposta à recente construção ilegal, por parte da Índia, de instalações de defesa ao longo da fronteira e em território chinês na região de Galwan Valley, em maio”, explica o mesmo artigo.
A Linha de Controlo Real
Em 1993, após vários anos de negociações e confrontos territoriais, a China e a Índia assinaram um acordo que procurava demarcar a separação entre as duas nações. A fronteira ficou conhecida por Linha de Controlo Real.
Ainda assim, continuaram a dar-se disputas sobre onde acaba um país e começa o outro. Há até discussões sobre a extensão real da fronteira. “A fronteira entre a Índia e a China tem 3488 quilómetros. Mas na definição chinesa, possui cerca de dois mil quilómetros”, afirmou no Twitter o antigo secretário indiano dos Negócios Estrangeiros, Nirupama Rao.
O Governo chinês defende, por outro lado, que “não existe uma Linha de Controlo Real na fronteira entre China e Índia que ambos os lados reconheçam”.
A última vez que as tensões entre as duas partes estiveram verdadeiramente elevadas foi em 2017, quando as forças militares se concentraram na área fronteiriça de Doklam, localizada na junção entre China, Índia e Butão.
Na altura, o Butão acusou a China de construir uma estrada dentro do seu território, algo que Pequim negou. A Índia apoio a acusação do Butão, originando um confronto que durou vários meses.
Estados Unidos apoiam Índia
A 29 de maio, o secretário de Estado Mike Pompeo expressou as suas preocupações quanto ao conflito territorial. “O Partido Comunista Chinês, a natureza das atividades que concretizam - hoje, mais forças militares da China deslocaram-se até ao norte da Índia, até à Linha de Controlo Real do lado indiano -, este é o tipo de ações que regimes autoritários tomam e que têm um verdadeiro impacto”, lamentou.
Donald Trump tinha já dito, no mês passado, que os Estados Unidos estariam dispostos a mediar ou arbitrar conflitos fronteiriços entre China e Índia. “Informámos a Índia e a China de que os EUA estão prontos, dispostos e disponíveis para mediar ou arbitrar a sua agora intensa disputa”, escreveu o Presidente no Twitter.
Em resposta, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China disse não precisar da intervenção de “um terceiro partido”.
O presidente do Comité dos Negócios Estrangeiros da Câmara dos Representantes dos EUA considerou, por sua vez, que “a China está a demonstrar que está disposta a atacar os seus vizinhos em vez de resolver conflitos de acordo com a lei internacional”.
“Apelo fortemente à China que respeite as normas e utilize a diplomacia e mecanismos existentes para resolver as questões fronteiriças com a Índia”, acrescentou Eliot Engel na segunda-feira.
c/ agências