Tensão na Península Coreana aumenta com visita de Kamala Harris

por Carla Quirino - RTP
Leah Millis - Reuters

A Coreia do Sul recebe na quinta-feira a vice-presidente norte-americana, Kamala Harris, que tenciona visitar a zona de fronteira perto do Paralelo 38. A Coreia do Norte veio alertar que a Coreia do Sul e os Estados Unidos correm o risco de "desencadear um conflito", após o anúncio de um exercício naval conjunto.

A viagem de Kamala Harris à Coreia do Sul focará as atenções mundiais na vice-presidente norte-americana, que procura intensificar a influência dos EUA na região asiática.

Depois de estar presente nas cerimónias fúnebres do antigo primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, em Tóquio, Harris continuará pela Ásia, enfatizando o compromisso e preocupação da Administração Biden com a segurança da região.
Paralelo 38
Está prevista para quinta-feira uma visita de alto risco à Zona Desmilitarizada que divide a Península Coreana entre Norte e Sul.

Esta zona desmilitarizada localiza-se perto do Paralelo 38 e é uma área fronteiriça de permanente tensão.

A visita de Harris à zona desmilitarizada "ressaltará (…) o compromisso dos Estados Unidos de ficar ao lado [da Coreia do Sul] diante de qualquer ameaça" proveniente da Coreia do Norte, declarou um funcionário da Casa Branca.

Harris será a primeira figura de topo da Administração norte-americana a deslocar-se à fronteira entre os dois países da Península Coreana desde que Donald Trump atravessou a linha de demarcação para a Coreia do Norte, durante uma reunião com o líder do país, Kim Jong-un, em 2019.

"Acho que a visita da vice-presidente norte-americana à Zona Desmilitarizada e Seul será uma demonstração muito simbólica dos fortes compromissos com a segurança e a paz na Península Coreana e estamos a trabalhar os EUA para lidar com a Coreia do Norte", realçou o primeiro-ministro sul-coreano, Han Duck-Soo.

A viagem de Harris decorre no momento em que os EUA enfrentam novas provocações de Pyongyang. A Correia do Norte, que pode estar prestes a realizar o sétimo teste nuclear, afirmou-se determinada a desenvolver armas mais sofisticadas, depois de mais um lançamento para testar um míssil balístico de curto alcance no domingo passado.

Esta manobra norte-coreana ocorreu um dia antes de começarem exercícios militares conjuntos na costa leste da Península Coreana, que envolvem militares de Seul, 28.500 soldados norte-americanos e o porta-aviões USS Ronald Reagan.

Perante o exercício naval conjunto de larga escala, a Coreia do Norte veio dizer que a Coreia do Sul e os EUA correm o risco de "desencadear um conflito" na região.
Taiwan na agenda
As pretensões da Chinas sobre a ilha de Taiwan também fazem parte da agenda de Harris.

Ainda em Tóquio, Harris e aliados - o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, e o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese - discutiram a situação de segurança em Taiwan.

Pequim afirma que vê a ilha como parte do território chinês e tem planos para a unificar com o continente e, entretanto, tem desenvolvido uma série de exercícios militares no Estreito de Taiwan.

O presidente dos EUA, Joe Biden, sublinhou que os EUA defenderiam a ilha, caso a China tentasse invadi-la. A vice-presidente "falará sobre isso e sobre o que estamos a fazer para resistir a essas manobras e defender as regras e normas internacionais que têm guiado esta região", acrescentou um alto funcionário do Governo Federal norte-americano.

Na Ásia, a viagem de Harris estará a preparar terreno para a próxima visita do presidente Joe Biden, que deverá ter lugar no final do outono. Biden deverá encontrar-se com o presidente chinês, Xi Jinping, e conversar com aliados sobre esforços para desnuclearizar a Península Coreana e abordar as crescentes tensões sobre Taiwan.

Os EUA pretendem, desta forma, tranquilizar aliados regionais que estão preocupados com a deterioração das relações entre Washington e Pequim.
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