Terra treme no sul da Califórnia e sismólogos alertam para mais abalos

Um terramoto de magnitude 6.4 na escala de Richter sacudiu na quinta-feira o sul do Estado norte-americano da Califórnia, sem fazer vítimas mortais. Os maiores danos materiais ocorreram em Ridgecrest, cidade de 29 mil habitantes. Nas últimas horas, sucederam-se as réplicas e sismólogos ouvidos pela imprensa dos Estados Unidos alertam para mais abalos. E mais intensos.

Carlos Santos Neves - RTP /
“Algumas réplicas poderão exceder a magnitude 5”, avisou a sismóloga norte-americana Lucy Jones, ouvida pelo <i>Los Angeles Times</i> David McNew - Reuters

Incêndios, colapsos parciais de edifícios, fugas de gás e feridos ligeiros formam o retrato do mais forte sismo em 25 anos a atingir o sul da Califórnia. O epicentro do abalo foi localizado 182 quilómetros a nordeste de Los Angeles, perto da pequena cidade de Ridgecrest. Eram 10h30 de quinta-feira (18h30 em Lisboa).Testemunhas reportaram efeitos do terramoto em diferentes pontos da cidade de Los Angeles, em Las Vegas, no Estado do Nevada, e até em Tijuana e Mexicali, no México, a sul da fronteira.

O terramoto foi sentido por toda a metade meridional daquele Estado norte-americano, numa área com aproximadamente 20 milhões de habitantes.

O Hospital Regional de Ridgecrest foi evacuado e os doentes transferidos para outras unidades de saúde, com as autoridades a temer os efeitos das réplicas. Foi mesmo declarado o estado de emergência na cidade.

Desde o primeiro sismo, houve dezenas de réplicas. Em declarações citadas pela agência Reuters, Lucy Jones, sismóloga do Observatório Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), referiu mais de 80.

Por sua vez, o geofísico Paul Caruso, da mesma estrutura, sublinhou que este foi o maior sismo a atingir o sul da Califórnia desde 1994, quando ocorreu um abalo de magnitude 6.6 em Northridge, uma área de grande densidade populacional em Los Angeles. Morreram então 57 pessoas.

Ao jornal Los Angeles Times, Lucy Jones explicou que o epicentro do terramoto de quinta-feira foi suficientemente distante da falha de San Andreas, pelo que “qualquer impacto no sistema será mínimo”. Mas é elevada a probabilidade da ocorrência de abalos mais fortes, a breve trecho.

“Há uma probabilidade de um em 20 de este local ter um terramoto ainda maior nos próximos dias, de ainda não termos visto o maior terramoto da sequência”, alertou a sismóloga.

“Algumas réplicas poderão exceder a magnitude 5, o que significa que provavelmente causarão danos”, acrescentou.
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