"Tinha certeza de que era o fim". Ex-refém relata receio de ataques israelitas
Naama Levy, uma soldado das Forças de Defesa de Israel (IDF) que foi libertada em janeiro durante o acordo de cessar-fogo, disse que o seu principal medo enquanto esteve refém do Hamas em Gaza eram os ataques realizados por Israel. "Todas as vezes, eu tinha a certeza de que aquele era o meu fim", disse Levy no domingo perante uma multidão de milhares de pessoas que protestavam em Telavive contra o Governo de Netanyahu.
“Todas as vezes, eu tinha a certeza de que aquele era o meu fim. Foi uma das coisas mais assustadoras que vivi lá”, disse. Levy diz mesmo que os ataques das forças israelitas foram o maior perigo à sua vida, afirmando que um dos ataques derrubou parte da casa onde estava. “A parede em que eu estava encostada não desabou, e foi isso que me salvou”, afirmou.
“Essa foi a minha realidade e agora é a deles”, disse, referindo-se aos reféns que continuam em Gaza. “Neste preciso momento há reféns que estão a ouvir esses mesmos assobios e explosões, estão a tremer de medo. Eles não têm para onde fugir, só lhes resta rezar e agarrar-se às paredes com um sentimento terrível de impotência”, exclamou.
I COULDN'T BELIEVE BUT "SOMEONE" KNEW AND ABANDONED US
— armandoparlati_BRING_THEM_HOME🇮🇹🎗️ 🧡 (@armandoparlati) May 25, 2025
Naama Levy, a brave woman, a true national hero, like all those who returned from Gaza, a girl who has become a symbol for all of us, tells the ABSOLUTE TRUTH:
SOMEONE KNEW AND ABANDONED THEM
Naama, as she herself admitted,… pic.twitter.com/09THvlNCDr
Naama Levy, 21 anos, é uma soldado israelita que servia nas IDF quando foi sequestrada na manhã de 7 de outubro de 2023, durante o ataque liderado pelo Hamas.A 25 de janeiro deste ano, Levy e outras quatro soldados foram libertadas como parte do acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas, após 477 dias em cativeiro.
Levy partilhou o seu testemunho perante milhares de israelitas que protestavam contra o Governo de Benjamin Netanyahu e exigem a libertação dos restantes reféns mantidos pelo Hamas em Gaza.
Milhares de pessoas concentraram-se em cidades por todo o país na noite de sábado para protestos antigovernamentais, enquanto familiares dos reféns apelam ao Governo israelita para que concorde com um acordo de cessar-fogo em Gaza que permita a libertação dos restantes reféns em Gaza.
O principal protesto ocorreu na Praça Habima, em Telavive, onde os manifestantes se reuniram para exigir o fim da guerra e novas eleições em Israel.
Levy apelou ao regresso dos restantes reféns israelitas, afirmando que, caso contrário, “não existirá uma vitória”.
“Eles [governo israelita] não sabem pelo que passamos e mesmo assim estão a deixar-nos em Gaza”, disse. “Mas depois os primeiros reféns regressaram e contaram o que estava a acontecer lá. Eles disseram a verdade. Mas essa verdade não foi suficiente”, acrescentou.
Netanyahu pressionado e criticado
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, tem sido alvo de um crescente criticismo depois de ter ignorado os apelos para acabar com a guerra em Gaza e intensificado a ofensiva em Gaza, afirmando que o “objetivo supremo” é derrotar o Hamas.
As críticas aumentaram depois de Netanyahu ter nomeado, na sexta-feira, um novo chefe para o serviço de segurança interna Shin Bet. Familiares dos reféns criticaram a nomeação do major-general David Zini, argumentando que este é contra um acordo para a libertação de reféns.
Segundo o Canal 12 de notícias de Israel, Zini disse em reuniões do Estado-Maior das IDF: "Sou contra acordos de reféns. Esta é uma guerra sem fim”. O Hamas mantém 58 reféns, incluindo 57 dos 251 sequestrados no ataque de 7 de outubro.
Israel e o grupo islâmico-palestiniano continuam sem chegar a um acordo e Telavive intensificou as suas operações militares no enclave no início de maio, alegando estar a tentar eliminar as capacidades militares e de governo do Hamas e trazer de volta os reféns restantes que foram apreendidos em outubro de 2023.
Apesar da crescente pressão internacional, que levou Israel a levantar o bloqueio ao fornecimento de ajuda humanitária, Netanyahu continua a recusar aceitar um acordo para um cessar-fogo até derrubar o Hamas e controlar toda a Faixa de Gaza.