Tiroteios. Donald Trump quer regular venda de armas nos EUA

Os tiroteios que enlutam a América são "um crime contra a humanidade", afirmou Donald Trump esta tarde, ao reagir aos massacres deste fim de semana, em El Paso, cidade fronteiriça do Estado do Texas, e em Dayton, no Ohio. Morreram 30 pessoas nos dois ataques separados por 13 horas.

Graça Andrade Ramos - RTP /
O Presidente dos EUA, Donald Trump, reage aos tiroteios do fim-de-semana de 3 e 4 de agosto de 2019, em El Paso e em Dayton, Ohio, que fizeram 30 mortos. Reuters

O Presidente dos Estados Unidos considerou o autor do massacre de El Paso, onde morreram 21 pessoas de acordo com um recente balanço, "um homem perverso", e apelou o país a condenar as ideologias da supremacia branca, do racismo e do radicalismo.

"O atirador de El Paso publicou um manifesto online pejado de ódio racista. A uma só voz, a nossa nação precisa de condenar o racismo, o extremismo e a supremacia branca", disse Trump, que tem sido ele próprio acusado de racismo pelos democratas.

O documento de quatro páginas, alegadamente publicado online pelo atirador de El Paso, de 21 anos, acusa imigrantes e americanos de primeira-geração, em especial hispânicos, de roubar empregos e de misturar culturas nos EUA, num discurso marcadamente racista e nacionalista branco.

Várias vitimas em El Paso tinham nacionalidade mexicana e o Presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, prometeu esta segunda-feira continuar a pressionar o Governo norte-americano, no sentido deste endurecer as leis sobre o porte de armas.

Em resposta, Donald Trump prometeu reagir com firmeza urgente aos tiroteios e apelou, na Casa Branca, ao esforço conjunto de representantes democratas e republicanos na aprovação de legislação que permita um sistema de "alertas vermelhos", na identificação de cidadãos, que possam ser um risco para a sociedade, poderem ter acesso a armas.

Trump mencionou igualmente a necessidade de revisão das leis sobre o acompanhamento de pessoas diagnosticadas com problemas mentais.
Internet, um meio perigoso
Áreas que também precisam de reformas são a internet e as redes sociais, referiu Donald Trump, lembrando que por várias vezes os autores dos massacres deram sinais das suas intenções através da internet, sem terem sido seguidos e controlados.

A internet é também perigosa para "mentes perturbadas radicalizadas", afirmou. "Temos de reconhecer que a internet tem sido um meio perigoso para mentes perturbadas radicalizadas", as quais "executam atos dementes", referiu Trump.

"Temos de iluminar os recantos escuros da internet e parar os assassinos em massa antes deles agirem", acrescentou.

"A internet é também usada para tráfico humano, distribuição ilegal de drogas e muitos outros crimes hediondos. Os perigos da internet e das redes sociais não podem ser ignorados e não serão ignorados", prometeu Trump.

O Presidente norte-americano apontou o dedo igualmente à "cultura de idealização da violência" propagada pelos vídeo-jogos.
Pena de morte "rápida e decisiva"
Donald Trump revelou ainda que "ordenou ao Departamento de Justiça que proponha legislação garantindo que aqueles que cometem crimes de ódio e assassínios em massa enfrentem a pena de morte".

A sentença capital, acrescentou Trump, deverá ser aplicada nestes casos de forma "rápida, decisiva e sem anos de atrasos desnecessários".

Tais crimes são uma forma de "terrorismo doméstico", classificou Trump. O Presidente revelou também que pediu ao FBI para identificar "todos os recursos de que necessita para investigar e evitar crimes de ódio e terrorismo doméstico".

"Aquilo que precisarem", prometeu o Presidente.

Ao contrário do que fez na rede Twitter, horas antes do seu discurso, Donald Trump não estabeleceu, na Casa Branca, qualquer ligação entre a nova legislação sobre armas e a revisão das leis sobre a imigração.
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