Tráfico humano. Operação "Flash-Weka" da Interpol-Afripol leva a 1062 detenções

A Interpol e a Afripol conduziram uma operação policial conjunta contra o tráfico de seres humanos e contrabando de migrantes, levando à detenção de mais de mil suspeitos e identificação de milhares de vítimas em todo o mundo, anunciou esta terça-feira a Interpol.

Rachel Mestre Mesquita - RTP /
Migrantes que procuram asilo nos EUA secam as suas roupas depois de atravessarem o Rio Grande para os EUA. Ciudad Acuna, México, a 23 de setembro de 2021. Go Nakamura - Reuters | Arquivo

A operação internacional “Flash-Weka” foi a primeira operação conjunta da Interpol e da Afripol, que decorreu em duas fases, entre maio e junho, e contou com a participação de forças policiais de 54 países, declarou a organização internacional de polícia criminal num comunicado.

"O tráfico de seres humanos e a introdução clandestina de migrantes fazem frequentemente parte de uma cadeia criminosa mais vasta e complexa”, afirmou o secretário-geral da Interpol, Jürgen Stock.Com o objetivo de desmantelar as redes de crime organizado por detrás do tráfico de seres humanos e do contrabando de migrantes em todo o mundo, com destaque em África, as forças policiais locais colaboraram em estreita cooperação com a Interpol e a Afripol para localizar, intercetar e deter os criminosos que operam além-fronteiras, com base nos dados criminais globais da Interpol.

“É por isso que a estreita cooperação entre a Interpol e a Afripol é tão importante para unir os nossos recursos com vista a desmantelar estas redes e, em última análise, identificar e salvar milhares de vítimas inocentes", acrescentou Jürgen Stock.

De acordo com os dados publicados pela Interpol, a operação “Flash-Weka” levou à detenção de 1062 pessoas e identificação de 2731 migrantes em situação irregular e 823 vítimas de tráfico de seres humanos. No decorrer da operação foram também espoletadas 197 novas investigações e apreendidos 801 objetos de mercadoria criminosa, como armas de fogo roubadas e veículos.
"As pistas geradas pela Operação FLASH-WEKA resultarão sem dúvida em mais detenções, levando à justiça aqueles que traficam a miséria humana", declarou o secretário-geral da Interpol.África Ocidental, tráfico generalizado em toda a região

Em toda a África Ocidental foi detetado um tráfico generalizado, através de identificação de redes no Burkina Faso, Camarões, Costa do Marfim, Gana, Guiné e Mali. A maioria das vítimas identificadas era proveniente da Ásia, de países como Bangladesh, Índia, Paquistão, Sri Lanka e Vietname.

“Em Angola, sete mulheres vietnamitas recrutadas online com promessas de trabalho em hotéis e salões de beleza foram resgatadas do seu traficante, também do Vietname, que as obrigou a trabalhar na indústria do sexo”, lê-se no mesmo comunicado. O diretor Executivo da Afripol, Jalel Chelba, afirmou que, “através de uma melhor partilha de informações, de esforços de colaboração entre os serviços de aplicação da lei e de um apoio abrangente às vítimas, pretendemos desmantelar as redes que lucram com o desespero dos outros”.
“Iremos trazer luz às sombras, descobrindo rotas ocultas e levando os criminosos à justiça", acrescentou Jalel Chelba.Também em outras regiões do globo foram detetadas redes de tráfico, como na Síria ou no Iraque. Enquanto na Síria a polícia resgatou uma rapariga menor de idade e deteve dois homens suspeitos de tráfico para fins de exploração sexual, no Iraque as autoridades detiveram nove suspeitos de envolvimento em tráfico de órgãos.

Já no Sahel as operações centraram-se na prevenção do tráfico de migrantes através do Mediterrâneo em direção à Europa.

Em Junho de 2022, uma operação semelhante denominada “Weka II” foi levada a cabo pela Interpol em 44 países e quatro continentes, resultando no resgate de cerca de 700 vítimas e na detenção de 300 pessoas, incluindo 83 traficantes de seres humanos e 88 suspeitos de tráfico de seres humanos.
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