Mundo
Tráfico de pessoas no Mediterrâneo
Tragédia do Mediterrâneo vai agravar-se, prevê presidente da AMI
Fernando Nobre acusa a comunidade internacional de não se interessar com o problema da migração clandestina através do Mediterrâneo e prevê que a crise tome "proporções bíblicas", caso não haja "coragem" para intervir além das águas internacionais.
Ontem de madrugada, uma traineira com 700 a mil imigrantes a bordo naufragou no mar líbio e, de acordo com os dados mais recentes divulgados pelas autoridades italianas, estão confirmados 28 sobreviventes e continuam desaparecidos todos os restantes ocupantes da embarcação. Esta manhã surgiu a notícia de mais duas embarcações naufragadas.
"O que está a acontecer é apenas a ponta de um 'iceberg' e vai tomar proporções, diria, bíblicas", comenta o presidente da AMI, antevendo que a situação continuará a repetir-se, a menos que as forças navais europeias "ousem entrar nas águas internacionais do Mediterrâneo".
Nobre salientou que os imigrantes ilegais provenientes do norte de África e do Médio Oriente são uma "mina de ouro" para os traficantes.
No entender do presidente da AMI, a Europa olha para estas situações, marca reuniões extraordinárias, mas "nada acontece".
"Mais uma vez, nós na Europa olhamos para estas questões com indiferença. Depois, fala-se em cimeiras extraordinárias quando um barco afunda mas, repito, isto é só o início. Ainda vai ser muito, muito pior", concluiu.
A União Europeia realiza hoje uma reunião de urgência dos seus ministros do Interior e dos Negócios Estrangeiros para debater a situação.
(com Lusa)