Mundo
Três polícias acusados do homicídio de um afro-americano três meses antes da morte de Floyd
Cinco semanas após o ex-agente de Minneapolis, Derek Chauvin, ter sido condenado pelo homicídio de George Floyd, outros três agentes policiais de Washington foram acusados pela morte de Manuel Ellis, um afro-americano morto por asfixia pela polícia. Ellis foi asfixiado por um agente a 3 de março de 2020, mais de três meses antes da morte de Floyd.
O procurador-geral do Estado de Washington, Bob Ferguson, acusou os agentes Christopher Burbank e Matthew Collins, ambos brancos, de homicídio em segundo grau na quinta-feira, depois de testemunhas terem relatado que atacaram Ellis sem ter existido qualquer provocação.
Já Timothy Rankine, um agente de origem asiática, é acusado de homicídio não intencional, depois de se ter ajoelhado nas costas e ombros do afro-americano durante vários minutos, levando à asfixia. Segundo o médico legista, a morte de Ellis foi considerada homicídio devido à falta de oxigénio causada pelo abuso de força policial. Outros fatores que podem ter contribuído para a sua morte incluem intoxicação por metanfetamina e doenças cardíacas.
De acordo com as descrições das testemunhas, é possível estabelecer semelhanças entre a morte de Manuel Ellis, afro-americano de 33 anos, pai de dois filhos, e de George Floyd, o afro-americano também asfixiado às mãos de um agente policial a 25 de maio de 2020.
Semanas antes da morte de Floyd, que desencadeou uma onda de protestos contra a violência policial e o racismo a nível mundial, Ellis foi também asfixiado por um agente policial, que se ajoelhou sobre os seus ombros e costas.
“Não consigo respirar”
De acordo com a declaração do júri, Ellis estava a regressar a casa no dia 3 de março de 2020, em Tacoma, uma cidade no Estado de Washington, quando foi confrontado pelos três agentes. O vídeo e os depoimentos das testemunhas comprovam que os agentes atacaram e golpearam Ellis repetidamente. O afro-americano foi algemado e sujeito a choques elétricos. De seguida foi imobilizado no chão e Timothy Rankine pressionou o seu joelho contra as costas do afro-americano, o que levou à sua asfixia.
Numa série de vídeos divulgados nas redes sociais, Ellis é ouvido a gritar repetidamente “Não consigo respirar”. De seguida, ouve-se um dos agentes dizer: “Cala a boca”. Tal como Chauvin disse a Floyd, também Rankine respondeu que se Ellis conseguia falar, estava “a respirar bem”.
Na declaração dos júris é ainda referido que “Ellis não estava a reagir”. Fazendo referência ao vídeo gravado por três testemunhas, os júris sublinharam que o afro-americano não estava a contra-atacar e em momento algum tentou agredir a polícia.
“Caça às bruxas”
A descrição das testemunhas é o oposto daquela apresentada pelos agentes, que apontam Ellis como o agressor. Segundo a versão dos três agentes, Ellis partiu a janela dos carros da polícia e atacou os oficiais. Mas segundo as testemunhas, que apresentaram histórias idênticas, foi a polícia quem atacou Ellis, tendo derrubado o afro-americano com a porta do carro de patrulha e começado a espancá-lo.
O Sindicato da Polícia de Tacoma apelidou a decisão de "uma caça às bruxas com motivação política". “Um júri imparcial não permitirá que estes excelentes funcionários públicos sejam sacrificados no altar do sentimento público”, disse o sindicato em comunicado.
Já Timothy Rankine, um agente de origem asiática, é acusado de homicídio não intencional, depois de se ter ajoelhado nas costas e ombros do afro-americano durante vários minutos, levando à asfixia. Segundo o médico legista, a morte de Ellis foi considerada homicídio devido à falta de oxigénio causada pelo abuso de força policial. Outros fatores que podem ter contribuído para a sua morte incluem intoxicação por metanfetamina e doenças cardíacas.
De acordo com as descrições das testemunhas, é possível estabelecer semelhanças entre a morte de Manuel Ellis, afro-americano de 33 anos, pai de dois filhos, e de George Floyd, o afro-americano também asfixiado às mãos de um agente policial a 25 de maio de 2020.
Semanas antes da morte de Floyd, que desencadeou uma onda de protestos contra a violência policial e o racismo a nível mundial, Ellis foi também asfixiado por um agente policial, que se ajoelhou sobre os seus ombros e costas.
“Não consigo respirar”
De acordo com a declaração do júri, Ellis estava a regressar a casa no dia 3 de março de 2020, em Tacoma, uma cidade no Estado de Washington, quando foi confrontado pelos três agentes. O vídeo e os depoimentos das testemunhas comprovam que os agentes atacaram e golpearam Ellis repetidamente. O afro-americano foi algemado e sujeito a choques elétricos. De seguida foi imobilizado no chão e Timothy Rankine pressionou o seu joelho contra as costas do afro-americano, o que levou à sua asfixia.
Numa série de vídeos divulgados nas redes sociais, Ellis é ouvido a gritar repetidamente “Não consigo respirar”. De seguida, ouve-se um dos agentes dizer: “Cala a boca”. Tal como Chauvin disse a Floyd, também Rankine respondeu que se Ellis conseguia falar, estava “a respirar bem”.
Na declaração dos júris é ainda referido que “Ellis não estava a reagir”. Fazendo referência ao vídeo gravado por três testemunhas, os júris sublinharam que o afro-americano não estava a contra-atacar e em momento algum tentou agredir a polícia.
“Caça às bruxas”
A descrição das testemunhas é o oposto daquela apresentada pelos agentes, que apontam Ellis como o agressor. Segundo a versão dos três agentes, Ellis partiu a janela dos carros da polícia e atacou os oficiais. Mas segundo as testemunhas, que apresentaram histórias idênticas, foi a polícia quem atacou Ellis, tendo derrubado o afro-americano com a porta do carro de patrulha e começado a espancá-lo.
O Sindicato da Polícia de Tacoma apelidou a decisão de "uma caça às bruxas com motivação política". “Um júri imparcial não permitirá que estes excelentes funcionários públicos sejam sacrificados no altar do sentimento público”, disse o sindicato em comunicado.
Em junho do ano passado, os agentes Collins, Burbank e Rankine foram colocados em licença administrativa. A pena máxima para as infrações é prisão perpétua, mas a sentença mais comum é prisão de dez a 18 anos para as acusações de homicídio em segundo grau sem antecedentes criminais e de 6,5 a 8,5 anos para homicídio não intencional.
Esta é a primeira vez que o gabinete da Procuradoria Geral de Washington apresenta uma ação criminal contra agentes por uso ilegítimo de força letal. O veredicto de Derek Chauvin foi também considerado um ponto de viragem uma vez que, nos EUA, os agentes policiais raramente são condenados, ou mesmo acusados, por mortes ocorridas sob custódia.
Apesar destes sinais positivos na evolução do sistema jurídico norte-americano, poucos americanos acreditam que o país tenha evoluído positivamente em relação à violência policial e racismo desde a morte de Floyd, há um ano.