Pelo menos três pessoas morreram e outras 28 ficaram feridas devido ao mau tempo que se abateu sobre o distrito de Lago, na província moçambicana de Niassa, na madrugada de terça-feira, avançou hoje à Lusa fonte oficial.
"As vítimas perderam a vida em resultado do desabamento de residências", explicou Isabel Cavo, delegada do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) na província do Niassa, no norte de Moçambique.
O mau tempo, que surpreendeu as comunidades pela madrugada, devastou mais de 370 casas no posto administrativo de Metangula, afetando mais de 1.500 pessoas, além de destruir várias infraestruturas públicas, acrescentou a fonte.
"Há pessoas que perderam as suas residências e acabaram tendo de procurar abrigo em casas de familiares. Até agora estão lá", explicou a delegada do INGD no Niassa.
O posto administrativo de Metangula está localizado nas margens do lago Niassa, entre os maiores do continente africano, situado no Vale do Rift e que é partilhado, além de Moçambique, pelo Maláui e pela Tanzânia.
Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas no mundo, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.
O mau tempo no distrito do Lago chegou num altura que as autoridades procuram recuperar-se dos impactos da passagem do ciclone tropical intenso Chido, de escala 3 (1 a 5), um fenómeno que atingiu a zona costeira daquela região na madrugada de dia 14 de dezembro, enfraquecendo depois para tempestade tropical severa, continuando, nos dias seguintes, a fustigar as províncias a norte com "chuvas muito fortes acima de 250 mm [milímetros]/24 horas", segundo o Centro Nacional Operativo de Emergência (CNOE).
Dados atualizados recentemente pelas autoridades moçambicanas adiantam que pelo menos 120 pessoas morreram e outras 868 ficaram feridas durante a passagem do ciclone Chido no norte e centro de Moçambique.
O Chido afetou ainda 687.630 pessoas, o correspondente a 138.037 famílias, nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula, no norte, e Tete e Sofala, no centro, segundo o último balanço do INGD.
Do total de óbitos confirmados, 110 registaram-se em Cabo Delgado, sete em Nampula e três em Niassa.
O Governo moçambicano decretou dois dias de luto nacional na sequência da passagem do ciclone.