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Três palestinianos mortos em operação militar israelita num campo de refugiados

O campo de refugiados de Jenin foi alvo, nas últimas horas, de uma nova operação militar israelita - um ataque de mísseis disparados por um helicóptero. Os confrontos violentos nesta cidade do norte da Cisjordânia ocupada resultaram na morte de três palestinianos, incluindo um menor, e em mais de 30 feridos.

Inês Moreira Santos - RTP /
Alaa Badarneh - EPA

O vice-governador da província de Jenin, Kamal Abu al-Roub, disse à agência France Presse (AFP) que o exército israelita entrou no campo de refugiados cerca das 4h00 (2h00 em Lisboa), originando confrontos violentos. A operação militar do Exército de Israel ainda está a decorrer, durante manhã desta segunda-feira. Segundo as autoridades israelitas, o objetivo é prender "suspeitos procurados", mas há relatos de “uma troca de tiros muito intensa" entre as forças israelitas e homens armados.

“Helicópteros do Exército abriram fogo contra homens armados para ajudar na extração de soldados”
, lê-se em comunicado militar, segundo o qual um veículo das Forças Armadas de Israel foi destruído por explosivos lançados contra os militares.

De acordo com o mesmo documento, as autoridades israelitas responderam com “munições reais".

Segundo fonte dos serviços de informações palestinianos, esta é a primeira vez que um helicóptero usa mísseis contra Jenin desde o fim da Segunda Intifada (revolta palestina que decorreu de 2000 a 2005).O exército israelita lançou uma operação com tanques e helicópteros e usou balas reais, gás lacrimogéneo e granadas de atordoamento no campo de refugiados de Jenin e na aldeia vizinha de Burkin, o que levou a confrontos com palestinianos armados.

O grupo Batalhão de Jenin, que reúne várias milícias ligadas a diferentes fações palestinianas no campo de refugiados, confirmou que também respondeu “à agressão dos ocupantes”.

Ahmed Saqer, de 15 anos, Khaled Assassa, de 21 e Qassam Abu Saria, de 29, foram mortos no ataque, adiantou o Ministério palestiniano da Saúde, acrescentando que 31 pessoas ficaram feridas, a maioria por balas. A maior parte dos feridos são milicianos que responderam a tiro à operação israelita, embora uma adolescente de 15 anos tenha também sido atingida por um disparo que entrou na sua casa.

De acordo com a agência oficial palestiniana Wafa, pelo menos dois palestinianos foram detidos na operação, que visava prender, entre outros, o filho de Jamal Abu al-Hija, um dirigente do Hamas na Cisjordânia, atualmente preso em Israel. A mesma fonte confirmou que palestinianos armados dispararam dispositivos explosivos improvisados contra veículos militares israelitas e que vários soldados ficaram feridos.

“Estamos no meio de uma batalha global em todas as frentes que exige a unidade do nosso povo face a esta agressão”, reagiu o ministro palestiniano dos Assuntos Civis, Hussein al-Sheikh, nas redes sociais.Desde o início do ano, pelo menos 162 palestinianos, 21 israelitas, um ucraniano e um italiano foram mortos em atos de violência relacionados ao conflito israelo-palestiniano, segundo a AFP.

Os confrontos surgem um dia depois de um novo revés para as relações israelo-palestinianas, com o Governo israelita a acelerar a construção de novos colonatos no território ocupado da Cisjordânia e a conceder ao ministro de ultra-direita Bezalel Smotrich a autoridade para aprovar todas as fases da iniciativa.
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