Trump ameaça Irão com "as consequências de não se chegar a um acordo"

Trump ameaça Irão com "as consequências de não se chegar a um acordo"

O presidente dos Estados Unidos garane que estará envolvido "indiretamente" nas negociações e ameaçou o Irão, sublinhando "as consequências de não se chegar a um acordo", antes de uma segunda ronda para abordar o programa nuclear de Teerão.

Inês Moreira Santos - RTP /
Aaron Schwartz - EPA

A bordo do avião presidencial, de regresso a Washington, Donald Trump afirmou que estará "indiretamente" envolvido nas negociações entre o Irão e os Estados Unidos, que devem começar em Genebra esta terça-feira.

"Participarei nessas discussões, indiretamente, e serão muito importantes. Veremos o que pode acontecer. O Irão é um negociador difícil", disse aos jornalistas na segunda-feira.

O presidente norte-americano admitiu ter esperança de que ambas as nações cheguem a um acordo, "em vez de enviar" bombardeiros B-2 dos EUA "para destruir o seu potencial nuclear".

"Espero que sejam mais razoáveis. Querem fechar um acordo... Não creio que queiram assumir a responsabilidade pelas consequências de não se chegar a um acordo", disse o republicano, referindo-se às autoridades iranianas.

A segunda ronda de negociações na Suíça ocorre após repetidas ameaças militares dos EUA contra o Irão devido à repressão violenta aos protestos antigovernamentais e à disputa em curso sobre o programa nuclear.

Ao descrever as negociações como "muito importantes", Trump sugeriu que Teerão estava motivado desta vez a negociar.

"Poderíamos ter chegado a um acordo em vez de enviar os B-2 para destruir o potencial nuclear deles. E tivemos que enviar os B-2".

Na segunda-feira, o Ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros afirmou acreditar que a posição de Washington sobre a questão nuclear se tinha tornado "mais realista".

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araqchi, já se encontra na cidade suíça de Genebra, enquanto a delegação norte-americana é chefiada por Steve Witkoff, enviado especial da Casa Branca, e pelo genro de Trump, Jared Kushner.

Araqchi reuniu-se na segunda-feira com o chefe da agência nuclear da ONU, afirmando numa publicação na rede social X que estava em Genebra para "alcançar um acordo justo e equitativo".

"O que não está em discussão: submissão diante de ameaças", disse o chefe da diplomacia iraniana.

 


 

Já o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, considerou que chegar a um acordo com Teerão seria "muito difícil".

"Acho que existe aqui uma oportunidade para chegar a um acordo diplomático mas também não quero exagerar"
, disse Rubio durante uma visita à Hungria na segunda-feira. "Vai ser difícil".

A reunião terá lugar na embaixada de Omã, com o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr bin Hamad al-Busaidi, a servir de intermediário. Omã acolheu a primeira ronda de conversações indiretas entre os EUA e o Irão a 06 de fevereiro.

Conversações semelhantes ocorreram no ano passado entre os EUA e o Irão sobre o programa nuclear iraniano e fracassaram, depois de Israel ter lançado o que se tornou numa guerra de 12 dias contra o Irão, que incluiu o bombardeamento de instalações nucleares iranianas pelos EUA.

Entretanto, enquanto Trump ordenava o envio de um porta-aviões adicional para a região, o Irão lançou na segunda-feira um segundo exercício naval em semanas, informou a televisão estatal iraniana e disse que o exercício testaria as capacidades de inteligência e operacionais do país no Estreito de Hormuz, no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã.

O Irão anunciou que a Guarda Revolucionária paramilitar começou o exercício em vias navegáveis, que são rotas cruciais para o comércio internacional, através das quais passa 20 por cento do petróleo mundial.

Esta é a segunda vez nas últimas semanas que marinheiros recebem avisos sobre um exercício de fogo real iraniano. Durante o exercício anterior, anunciado no final de janeiro, o Comando Central das Forças Armadas dos EUA emitiu um aviso firme ao Irão e à Guarda Revolucionária.

A administração Trump procura um acordo para limitar o programa nuclear do Irão e garantir que este não desenvolva armas nucleares.

No domingo, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Majid Takht-Ravanchi, indicou que Teerão poderá estar aberto a compromissos na questão nuclear, mas procura um alívio das sanções internacionais lideradas pelos Estados Unidos.

 

C/agências

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