Trump às Nações Unidas: "Se necessário iremos destruir a Coreia do Norte"

por RTP
Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, no seu primeiro discurso perante a Assembleia Geral da ONU Kevin Lamarque - Reuters

Fica o aviso, feito perante o mundo inteiro. Se Pyongyang não recuar, “não teremos outra escolha senão destruir totalmente a Coreia do Norte”, advertiu Donald Trump, a partir do púlpito da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Um murmúrio encheu a sala repleta, após as palavras do Presidente norte-americano, que apelou à unidade para isolar o regime.

Os testes nucleares e de mísseis balísticos da Coreia do Norte "ameaçam o mundo inteiro", lembrou o Presidente norte-americano. "É altura de a Coreia do Norte perceber que a sua desnuclearização é o único futuro aceitável", advertiu.

Trump apontou o dedo ao verdadeiro responsável, Kim Jong-un, o líder da Coreia do Norte, a quem chamou rocket man, o “homem dos foguetões” mas também o “homem foguetão” que dispara para todos os lados em provocação.

“Está numa missão suicida”, afirmou o líder norte-americano, no seu primeiro discurso perante a Assembleia Geral da ONU.

Na fila da frente da sala, nas cadeiras reservadas à Coreia do Norte, permaneceu um único diplomata de segunda linha para ouvir Trump, afirmaram fontes da delegação norte-coreana.

O embaixador da Coreia do Norte na ONU, Ja Song Nam, abandonou o seu lugar na Assembleia Geral minutos antes do Presidente norte-americano iniciar o seu discurso Foto: Reuters
Irão e Venezuela
A Coreia do Norte não foi o único alvo a abater do Presidente, que prometeu defender sempre “em primeiro lugar” os interesses norte-americanos. O Irão e o acordo nuclear firmado em 2015 com o regime de Teerão, foram igualmente denegridos por Donald Trump, tal como a Venezuela de Nicolás Maduro.

Trump classificou o irão como um “Estado pária e economicamente na penúria”, que exporta a violência.

"Não podemos deixar um regime assassino continuar a as suas atividades desestabilizadoras", disse. "E não podemos respeitar um acordo, se ele serve para cobrir a eventual implementação de um programa nuclear".

Quanto a esse mesmo acordo, sobre o programa nuclear iraniano e assinado pelo seu predecessor Barack Obama, Trump considerou-o "um dos piores nos quais os Estados Unidos alguma vez participaram" e “um embaraço”, deixando no ar a ideia de que poderá não ratificar o documento em meados de outubro.

“Creio que ainda vão ouvir falar disto”, disse.

Quanto à Venezuela, o Presidente considerou “completamente inaceitável” a crise que o país vive devido à "ditadura socialista". Os Estados Unidos não podem “ficar a olhar”, defendeu, assumindo-se pronto para "novas ações". Sem precisar quais.

"Enquanto vizinho e amigo responsável, devemos ter um objetivo" para os venezuelanos, ou seja "recuperar a sua liberdade, recolocar o país nos carris e recuperar a democracia", defendeu Trump.
Em defesa dos EUA
O discurso preparado de antemão, que Trump leu cuidadosamente, foi considerado por vários analistas como uma variante das palavras “América primeiro”, que marcaram quer a campanha para a Casa Branca, quer o discurso de inauguração.

“Enquanto Presidente dos Estados Unidos irei sempre defender os Estados Unidos acima de tudo”, garantiu Trump, recomendando depois aos outros líderes que lhe sigam o exemplo quanto aos próprios povos.

“Os Estados Unidos serão sempre um amigo do mundo e especialmente dos seus aliados”, acrescentou, advertindo logo a seguir: “Mas não podemos continuar a ser usados, a entrar em acordos tendenciosos em que os americanos não ganham nada.”

Trump começou o discurso com palavras de agradecimento àqueles que ofereceram ajuda aos Estados Unidos, que têm sido nas últimas semanas fustigados por furacões, mas sublinhando que a evolução económica e financeira dos últimos meses tem deixado o país numa situação desafogada.

Referiu ainda que a América se prepara para investir 700 mil milhões de dólares nas forças militares, que “serão as mais fortes de sempre”.
Uma comunidade de nações
Para o Presidente Trump, as Nações Unidas foram formadas para cumprir o sonho de construir nações “fortes e independentes” que possam viver em respeito mútuo. E é preciso olhar para o passado para resolver os problemas do presente, defendeu.

“O sucesso das Nações Unidas depende da força independente dos seus membros”, disse. Vivemos em tempos de “muitas promessas mas também de grandes perigos”, sublinhou igualmente o Presidente. “Cabe-nos a nós decidir se vamos levar o mundo a novos patamares ou se o deixamos cair num vale de destruição”.

Trump referiu que, atualmente, a espécie humana tem o poder de “tirar milhões da pobreza, ajudar os cidadãos a realizarem os seus sonhos e assegurar que as novas gerações de crianças vão ser criadas sem violência, ódio e medo”.

A ONU “foi fundada após duas guerras mundiais” para ajudar a criar este mundo melhor, de equilíbrio de “paz, soberania, segurança e prosperidade” entre as nações, referiu ainda o Presidente norte-americano, explicando depois a sua visão do equilíbrio mundial.

“Para ultrapassar os perigos do presente e cumprir as promessas do futuro, temos de começar com a sabedoria do passado. O nosso sucesso depende de uma coligação de nações fortes e independentes que abraçam a sua soberania para promover a segurança, a prosperidade e a segurança para si próprias e para o mundo”, afirmou, referindo ainda a necessidade de cada nação “respeitar os interesses dos seus próprios cidadãos e os direitos das outras nações soberanas”.

“O Estado-nação continua a ser a melhor veículo para melhorar a condição humana”, afirmou, denunciando os Estados fora da lei que "violam os princípios nos quais se fundam as Nações Unidas".


O discurso de Donald Trump na íntegra perante a Assembleia Geral das Nações Unidas
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