Trump e conselheiros discutem opções para aquisição da Gronelândia

O presidente norte-americano e a sua equipa estão a "discutir múltiplas opções" para adquirir a Gronelândia. O recurso às Forças Armadas "é sempre uma opção disponível", adiantou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.

RTP /
Foto: Kevin Lamarque - Reuters

Em comunicado enviado a vários meios de comunicação internacionais, incluindo a agência France Presse, Reuters e BBC, a Casa Branca indica que o presidente dos Estados Unidos "deixou claro que a aquisição da Gronelândia é uma prioridade de segurança nacional para os Estados Unidos" e que é "vital" para manter os "adversários" sob controlo na região do Ártico. 

"O presidente e a sua equipa estão a discutir múltiplas opções para cumprir este importante objetivo de política externa e, claro, utilizar as Forças Armadas dos EUA é sempre uma opção disponível para o comandante-em-chefe", acrescentou Karoline Leavitt.

Em declarações à agência Reuters, um alto funcionário norte-americano admitiu, sob condição de anonimato, que Trump e os seus conselheiros estão a discutir várias formas para adquirir a Gronelândia. 

Essas opções incluem uma compra direta da Gronelândia pelos Estados Unidos, adiantou, sem no entanto adiantar um possível preço para a compra. 

Outra opção em discussão segundo este conselheiro é a da formação de um Pacto de Livre Associação (Compact of Free Association) com aquele território, algo que os Estados Unidos já fizeram com as Ilhas Marshal, com os Estados Federados da Micronésia e com a República de Palau.

"A diplomacia é sempre a primeira opção do presidente em qualquer assunto, e negociar também. Ele adora acordos. Por isso, se um bom acordo puder ser fechado para adquirir a Gronelândia, esta seria definitivamente a sua primeira opção", disse o responsável.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Gronelândia fez saber esta terça-feira que os representantes do território e da Dinamarca pediram uma reunião com o secretário de Estado norte-americano para debater as recentes declarações de Donald Trump sobre a ilha ártica: "O objetivo da reunião é discutir as declarações marcantes dos Estados Unidos sobre a Gronelândia", escreveu Vivian Motzfeldt nas redes sociais ainda antes da informação das intenções norte-americanas conhecidas ao fim da noite.

"Até agora não foi possível para o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, de se encontrar com o governo da Gronelândia. Apesar do governo da Gronelândia e o governo dinamarquês terem, ao longo de 2025, pedido uma reunião ao nível dos ministros dos Negócios Estrangeiros", acrescentou.

Este anúncio surgiu quando se realiza no parlamento dinamarquês uma reunião entre o governo dinamarquês e a comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros sobre as relações entre o reino da Dinamarca, que inclui as Ilhas Faroé e a Gronelândia, e os Estados Unidos.

No início do dia, França, Alemanha, Itália, Polónia, Espanha e Reino Unido emitiram uma declaração conjunta de apoio à Dinamarca face às reivindicações de Donald Trump sobre a Gronelândia.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros nórdicos também salientaram num comunicado conjunto que os assuntos relativos à Dinamarca e à Gronelândia devem ser decididos exclusivamente pela Dinamarca e pela Gronelândia.

Em Paris, onde participou numa cimeira dos aliados da Ucrânia, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, congratulou-se com esta demonstração de solidariedade: "Isto contribui, em todo o caso, para sublinhar que não se trata apenas de um conflito com o reino da Dinamarca (...), mas sim com toda a Europa".

c/ Lusa
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