Presidente libanês pede tréguas e recebe ministro francês dos Negócios Estrangeiros
O chefe de Estado do Líbano enfatizou "a necessidade de um cessar-fogo" e reiterou a sua iniciativa de propor negociações diretas com Israel, conforme anunciado pela presidência em comunicado.
Afirmou ainda que "o essencial é pôr fim à escalada" entre Israel e o Hezbollah no Líbano.
Líbano diz que ataque israelita deixou subestação de energia fora de serviço
Em comunicado, a autoridade de energia afirmou que o ataque danificou várias partes da subestação em Bint Jbeil, afetando o fornecimento de energia na cidade e nos municípios vizinhos.
"Pequeno preço a pagar". EUA pedem 200 mil milhões de dólares para financiar guerra no Irão
O Pentágono está a pedir 200 mil milhões de dólares para financiar a guerra no Irão. O presidente norte-americano, Donald Trump, disse esta quinta-feira que os EUA precisam de mais financiamento "por várias razões" e que este é "um pequeno preço a pagar" para travar esta guerra.
"Voltaremos ao Congresso e aos nossos representantes para garantir que temos financiamento adequado", afirmou Hegseth, acrescentando ser "preciso dinheiro para matar os bandidos".
Donald Trump confirmou a notícia, classificando o valor como “um pequeno preço a pagar” para garantir que as Forças Armadas têm tudo o que precisam para travar uma guerra contra o Irão.
"Queremos estar na melhor forma possível, a melhor forma em que já estivemos", disse o presidente norte-americano aos jornalistas na Sala Oval, ao lado da primeira-ministra do Japão. "É um pequeno preço a pagar para garantir que nos mantemos no topo", acrescentou.
Trump não especificou para que necessitaria o Pentágono dos recursos, dizendo apenas que deseja garantir que as Forças Armadas têm "grandes quantidades de munições". Ainda assim, negou que os EUA estejam com falta de armamento, argumentando que o Governo está a ser "criterioso" com os seus gastos.
"Estamos a pedir por vários motivos, que vão além até do que estamos a discutir sobre o Irão", disse Trump. "Munições em particular, no que diz respeito ao armamento de alta qualidade, temos bastantes, mas estamos a preservá-las”, disse.
Resistência garantida no Congresso
O pedido terá ainda de passar pelo Congresso, onde irá certamente encontrar resistência por parte de alguns deputados que são contra o conflito.
Alguns republicanos moderados, que seriam fundamentais para a aprovação deste orçamento, já expressaram ceticismo em relação ao pedido.
"É consideravelmente maior do que eu imaginava, mas não sei como está discriminado", disse a senadora Susan Collins, republicana do Maine e presidente da Comissão de Orçamento da Câmara, citada pelo New York Times.
A senadora Lisa Murkowski, republicana do Alasca, disse que a Administração Trump teria de fazer um esforço mais concertado para dialogar com o Congresso sobre a guerra antes que tal pedido pudesse ser aprovado.
"Não se pode simplesmente chegar aqui com uma fatura e dizer «paguem isto» e esperar ter uma grande cooperação daqui para a frente", disse Murkowski aos jornalistas na quarta-feira.
O montante avançado representa um aumento significativo face ao orçamento anual do Departamento de Defesa, que ronda os 900 mil milhões de dólares (cerca de 780 mil milhões de euros), o mais elevado de sempre. De acordo com estimativas do Pentágono partilhadas com o Congresso e citadas pelo diário norte-americano The New York Times, os Estados Unidos gastaram mais de 11,3 mil milhões de dólares (cerca de 10 mil milhões de euros) nos primeiros seis dias da guerra contra o Irão.
O pedido de mais verbas para a guerra faz questionar por quanto tempo se irá prolongar o conflito.
O secretário da Defesa norte-americano disse que os Estados Unidos não têm um "cronograma definido" nem um "prazo final" para o fim das operações militares norte-americanas no Irão, que começaram há quase três semanas.
"Não queremos estabelecer um calendário específico para isto", indicou Pete Hegseth durante uma conferência de imprensa, ao mesmo tempo que garantiu que a operação estava "completamente dentro do calendário" para cumprir os objetivos definidos pelo presidente.
Moscovo acusa Israel de "atacar" dois jornalistas da RT no Líbano
"O ataque aos jornalistas foi realizado de forma deliberada e direcionada", afirmou a porta-voz do Ministério russo dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova, em comunicado, acrescentando que o embaixador israelita em Moscovo seria convocado "em breve".
O Exército israelita afirmou, por sua vez, que "não tinha como alvo civis ou jornalistas" e que tinha solicitado explicitamente a evacuação da área onde se encontrava a equipa da RT "com bastante antecedência" à realização dos ataques aéreos.
OMI propõe criação de corredor humanitário no estreito de Ormuz
A Organização Marítima Internacional (OMI) quer a criação de um corredor humanitário no Estreito de Ormuz para retirar os navios presos no Golfo Pérsico devido ao conflito no Médio Oriente, refere uma declaração adotada hoje.
"Estou pronto para começar a trabalhar imediatamente nas negociações destinadas a estabelecer um corredor humanitário para evacuar todos os navios e marítimos retidos", afirmou o secretário-geral da OMI, Arsenio Dominguez, no final de uma sessão extraordinária de dois dias do Conselho da OMI que terminou hoje em Londres.
Mas, acrescentou, "para que isso se concretize, precisarei da compreensão, do empenho e, acima de tudo, de ações concretas por parte de todos os países envolvidos, bem como do setor e das agências relevantes da ONU".
A OMI, agência da ONU responsável pela segurança marítima, estima que 20 mil tripulantes estão atualmente a bordo de 3.200 navios retidos no Golfo Pérsico devido à insegurança no estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irão em retaliação aos ataques norte-americanos e israelitas.
Irão quer que Berlim "esclareça o papel" da base americana em Ramstein
O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, tinha já declarado que "não via atualmente razões para duvidar da legalidade da utilização de Ramstein pelos EUA".
F-35 dos EUA danificado por alegado fogo iraniano fez aterragem de emergência
Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central dos EUA, afirmou que o caça de quinta geração estava "a realizar uma missão de combate sobre o Irão" quando foi forçado a efetuar uma aterragem de emergência.
"A aeronave aterrou em segurança e o piloto encontra-se em estado estável", adiantou Hawkins. "Este incidente está a ser investigado."
A confirmar-se, esta seria a primeira vez que o Irão atinge uma aeronave norte-americana na guerra iniciada no final de fevereiro.
Escolas de condução descontentes com exclusão de apoios ao gasóleo
A Associação Nacional de Industriais do Ensino de Condução Automóvel (ANIECA) considerou incompreensível a exclusão das escolas de condução do reforço de apoio ao gasóleo e alertou para o risco de encerramento de empresas e destruição de emprego.
Em comunicado, a associação explicou que os combustíveis representam até 40% dos custos operacionais de uma escola de condução, tornando o aumento do preço do gasóleo particularmente gravoso, e alertou que a ausência de medidas de mitigação específicas aumenta ainda mais a pressão sobre as empresas do setor, que operam já com margens reduzidas.
O presidente da ANIECA, António Reis, citado no comunicado, disse que há risco real de encerramento de empresas e destruição de emprego num setor que é estratégico para o país, e defendeu ser fundamental o Governo reconhecer a especificidade e relevância da atividade das escolas de condução, assegurando condições mínimas de sustentabilidade.
A associação disse que as escolas de condução estão numa posição particularmente vulnerável, por estarem contratualmente impedidas de atualizar os preços durante dois anos, uma limitação que compromete a sua capacidade de resposta ao aumento contínuo dos custos operacionais, nomeadamente com combustíveis, que é uma das principais despesas do setor.
Em Portugal, existem cerca de 1.200 escolas de condução, a grande maioria micro e pequenas empresas, que asseguram mais de 5.000 postos de trabalho diretos e milhares de empregos indiretos, sendo responsáveis pela formação de mais de 200.000 novos condutores por ano, segundo dados da associação.
A exclusão das escolas de condução do reforço de apoio ao gasóleo aprovado pelo Governo para os próximos meses é, por isso, incompreensível e injustificada, segundo a ANIECA.
Destacou ainda que este não é um caso isolado e que o setor continua a ser penalizado no âmbito das medidas relacionadas com o IVA dos combustíveis, acumulando impactos negativos sucessivos que estão a colocar em causa a viabilidade económica de muitas empresas e milhares de postos de trabalho.
Face ao impacto da guerra no Médio Oriente, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou a introdução de um mecanismo de desconto adicional no gasóleo profissional para as empresas de passageiros e mercadorias, para os próximos três meses.
Esta medida, que anunciou no debate quinzenal na Assembleia da República, na quarta-feira, corresponde a um desconto adicional sob forma de reembolso de 10 cêntimos por litro até 15 mil litros por veículo para os próximos três meses.
Cenário severo do BCE vê preço do petróleo atingir pico de 145 dólares/barril
O cenário mais severo traçado pelo Banco Central Europeu (BCE) sobre os impactos da guerra no Médio Oriente projeta um um pico no preço do petróleo de 145 dólares por barril, enquanto no cenário base fica nos 90 dólares.
Nas previsões económicas divulgadas hoje, que já foram ajustadas aos efeitos da guerra, a inflação foi revista em alta para 2,6% em 2026, 2% em 2027 e 2,1% em 2028, enquanto o crescimento económico foi revisto em baixa, para uma média de 0,9% em 2026, 1,3% em 2027 e 1,4% em 2028.
Este é o cenário base, mas a equipa do BCE também projetou outros dois, o adverso e o severo, ainda que ressalvando que "não atribui probabilidades a esses cenários, que servem para destacar as principais incertezas relativas ao impacto do conflito".
O cenário adverso incorpora efeitos indiretos e de segunda ordem mais fortes do que a projeção de referência, "com o objetivo de capturar possíveis não linearidades na propagação do choque inicial nos preços da energia para outros preços em toda a economia", pelo que pressupõe um aumento muito mais acentuado nos preços da energia, bem como um aumento na incerteza e nos efeitos adversos internacionais.
Neste cenário adverso, prevê-se que os preços do petróleo e do gás natural atinjam o pico de 119 dólares por barril e 87 euros por Megawatt-hora (MWh), respetivamente, no segundo trimestre de 2026, antes de convergirem para as projeções de referência no terceiro trimestre de 2027.
"Em relação à projeção de referência, o cenário adverso implica que a inflação seria 0,9 pontos percentuais (p.p.) e 0,1 p.p. maior em 2026 e 2027, respectivamente, mas 0,5 p.p. menor em 2028 devido às pressões desinflacionárias decorrentes da rápida normalização dos preços da energia nesse ano", lê-se nas projeções.
Por outro lado, o crescimento económico seria menor do que na projeção de referência em 2026 e 2027, mas maior em 2028.
Já o cenário severo considera a hipótese de se verificar um choque de preços da energia mais forte e persistente, maior incerteza e efeitos indiretos e de segunda ordem ainda mais acentuados, com a previsão de que os preços do petróleo atinjam um pico de 145 dólares por barril e os preços do gás de 106 euros por MWh no segundo trimestre de 2026, antes de recuarem a um ritmo muito mais lento e permanecerem significativamente acima das premissas dos cenários base e adverso durante o restante do horizonte de projeção.
Face ao cenário base, a inflação seria significativamente e persistentemente mais alta ao longo do horizonte de projeção (em 1,8 p.p. em 2026, 2,8 p.p. em 2027 e 0,7 p.p. em 2028), pelo que existe uma diferença significativa na inflação em 2028 entre o cenário adverso (1,6%) e o cenário severo (2,8%).
"A projeção destaca o papel fundamental da evolução do conflito, das interrupções no fornecimento de energia e da magnitude dos mecanismos de propagação desencadeados pelo choque na determinação do impacto sobre a inflação no médio prazo", salientou o BCE.
Quanto ao crescimento económico, neste cenário severo, seria 0,4 a 0,5 p.p. menor em 2026-27 e, em seguida, subiria para 0,5 p.p. acima da projeção inicial em 2028, o que reflete o aumento presumido do rendimento e da procura resultante da resposta ascendente dos salários após o aumento da inflação nos anos anteriores.
Mais de mil mortos no Líbano em ataques israelitas desde 2 de março
A ofensiva israelita no Líbano matou 1.001 pessoas, incluindo 118 crianças, desde o início da guerra entre Israel e o movimento xiita pró-iraniano Hezbollah, a 02 de março, anunciou hoje o Ministério da Saúde libanês.
Entre as pessoas mortas há também 79 mulheres e 40 profissionais de saúde, segundo o ministério, cujo anterior balanço indicava 968 mortos.
O novo balanço das autoridades libanesas também refere 2.584 feridos.
O Líbano foi a 02 de março arrastado para o conflito regional desencadeado a 28 de fevereiro por uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, quando o Hezbollah lançou um ataque a Israel, que desde então tem bombardeado intensamente o sul do país, com forças de artilharia e blindados.
A 16 de março, o Exército israelita anunciou ter iniciado "operações terrestres limitadas e direcionadas" contra o movimento pró-iraniano no sul do Líbano.
Em 17 dias, o número total de deslocados ultrapassou um milhão, o que representa mais de um sexto da população do país.
Trump rejeita colocar tropas no Médio Oriente
O líder norte-americano avançou ainda que disse ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para não atacar infraestruturas energéticas e que este concordou.
"Disse-lhe 'não faças isso', e ele não vai fazê-lo", assegurou.
Questionado sobre uma notícia segundo a qual o Pentágono estaria a solicitar 200 mil milhões de dólares para o conflito, Trump respondeu que os EUA precisam de mais financiamento por "muitas razões" no contexto da guerra com o Irão.
Na mesma conferência de imprensa, o presidente afirmou ainda que Washington está "a defender o Estreiro de Ormuz para toda a gente".
Netanyahu vai dar conferência de imprensa às 18h30
Refinaria de petróleo no norte de Israel atingida por mísseis iranianos
Amnistia acusa Israel de matar sem razão médicos e socorristas no Líbano
Essas alegações “não justificam considerar hospitais, instalações médicas ou transporte médico como campos de batalha, nem tratar médicos e paramédicos como alvos”, afirmou a diretora regional adjunta para o Médio Oriente e Norte de África da Amnistia Internacional, Kristine Beckerle, em comunicado hoje divulgado.
A responsável lembrou que os profissionais de saúde “arriscam as suas vidas para salvar outras”, e que os hospitais e ambulâncias são especificamente protegidos pelo direito internacional humanitário.
Mais de 3,19 milhões de israelitas sem acesso a abrigos e árabes são os mais afetados
O balanço publicado em 6 de janeiro pelo Controlador do Estado e Provedor de Justiça de Israel, Matanyahu Englman, mostrou que um terço da população israelita, mais de nove milhões de pessoas, continuam sem acesso a um abrigo ou 'bunker' para se refugiar de ataques, numa altura em que a guerra com o Irão causou pelo menos 14 mortos no país.
“Um terço dos residentes de Israel não está devidamente protegido contra ataques com mísseis, incluindo mais de 42.000 residentes que vivem em comunidades situadas num raio de nove quilómetros da fronteira com a Síria e o Líbano”, afirmou o provedor, citado no comunicado.
De acordo com o Shomrim, portal de notícias independente e sem fins lucrativos que analisou o documento, o último relatório deste tipo, em 2020, indicava que o número de cidadãos sem acesso a estes abrigos passou de 28% para 33%.
A rede de abrigos é significativamente deficitária entre a comunidade árabe que reside em Israel, com o rácio de abrigos a chegar a um para cada 15 mil pessoas, acrescentou o portal, citando o relatório.
Existem apenas 37 abrigos públicos nas comunidades árabes, o que representa apenas 0,3% do número total de abrigos no país, indicou o relatório .
Dos 37, oito estão encerrados.
O meio de comunicação social adiantou que, de acordo com dados de 2024 do Centro de Emergência para Autoridades Locais Árabes, cerca de 60% das autoridades árabes não dispunham de abrigos antiaéreos.
Israel afirma ter destruído vários navios de guerra iranianos no Mar Cáspio
"Ontem (quarta-feira), caças israelitas (...) atacaram infraestrutura naval iraniana chave no Mar Cáspio", afirmou um comunicado militar. "Alvejaram instalações portuárias e uma base naval iraniana onde estavam estacionados dezenas de navios militares, incluindo lanchas de mísseis e navios de patrulha".
"Este é um dos ataques mais significativos levados a cabo pelos militares" desde o início da campanha de bombardeamentos israelo-americanos contra o Irão, a 28 de fevereiro, segundo os militares, que divulgaram imagens dos ataques.
Secretário da Defesa norte-americano pede mais 200 mil milhões para guerra
O secretário da Defesa dos Estados Unidos anunciou hoje que o Pentágono vai solicitar ao Congresso cerca de 200 mil milhões de dólares (cerca de 175 mil milhões de euros) adicionais para financiar a guerra contra o Irão.
Em conferência de imprensa no Pentágono, Pete Hegseth disse que o pedido visa assegurar recursos para operações em curso e futuras no conflito, que já entrou na terceira semana.
"Voltaremos ao Congresso e aos nossos representantes para garantir que temos financiamento adequado", afirmou Hegseth, acrescentando ser "preciso dinheiro para matar os bandidos".
O montante, inicialmente avançado pelo jornal norte-americano The Washington Post, representa um aumento significativo face ao orçamento anual do Departamento de Defesa, que ronda os 900 mil milhões de dólares (cerca de 780 mil milhões de euros), o mais elevado de sempre.
Segundo Hegseth, o objetivo passa também por reforçar os `stocks` de munições e equipamento militar, garantindo não apenas a reposição do material utilizado, mas a expansão acima dos níveis habituais.
"Um investimento desta magnitude tem precisamente este propósito: repor todo o material consumido", disse o chefe do Pentágono.
Hegseth criticou ainda o Governo do ex-presidente democrata Joe Biden por "ter esgotado" o arsenal norte-americano com o envio de ajuda militar à Ucrânia, defendendo que esses recursos deviam ser canalizados para interesses estratégicos dos Estados Unidos.
De acordo com estimativas do Pentágono partilhadas com o Congresso e citadas pelo diário norte-americano The New York Times, os Estados Unidos gastaram mais de 11,3 mil milhões de dólares (cerca de 10 mil milhões de euros) nos primeiros seis dias da guerra contra o Irão.
Guerra e impactos na energia dominam Conselho Europeu
A guerra no Médio Oriente, o risco de um novo choque energético e divisões internas estão a dominar o Conselho Europeu.
Encontro entre Israel e Líbano cai por terra
O encontro diplomático estava previsto para esta quinta-feira em Paris, mas não se realizou.
Mísseis iranianos continuam a abater-se sobre Israel
Continuam os ataques do Irão a Israel com mísseis de fragmentação.
Foto: Amir Cohen - Reuters
Transportadoras de mercadorias avisam que medidas são curtas
As associações de transportes de mercadorias e de passageiros dizem que a redução do preço do gasóleo é bem-vinda, mas não chega para compensar o aumento dos custos.
Preços nos supermercados vão aumentar
Os retalhistas já falam numa situação idêntica à que se viveu quando começou a guerra na Ucrânia.
Irão retalia contra ataque de Israel a reserva de gás e Trump renova ameaças
O Irão intensificou os ataques contra infraestruturas de energia dos países do Golfo. Incendiou instalações no Catar e no Kuwait.
Donald Trump deixa ameaças.
Guterres deixa mensagens a Estados Unidos, Israel e Irão em Bruxelas
O secretário-geral da ONU diz que é tempo de acabar com a guerra e reabrir o estreito de Ormuz. Convidado para um almoço com os líderes europeus, António Guterres deixou ainda elogios à União Europeia e ao multilateralismo europeu.
"Causa imenso sofrimento aos civis. E com a propagação na economia global, isto é realmente dramático, com potenciais consequências trágicas, especialmente para os países menos desenvolvidos".
António Guterres lembra o sofrimento dos civis, mas também a propagação dos efeitos na economia global: "Isto é realmente dramático, com potenciais consequências trágicas, especialmente para os países menos desenvolvidos”.Se os Estados unidos e Israel foram chamados à atenção o Irão também não ficou de fora.
Guterres avisa EUA e Israel que "está mais do que na hora" de acabarem com guerra
Guterres disse ainda que tinha “duas mensagens” para partilhar sobre a guerra no Irão.
“A primeira é para os Estados Unidos e Israel: está mais do que na hora de acabar com esta guerra, que corre o risco de fugir completamente de controlo, causando imenso sofrimento aos civis e tendo repercussões na economia global que são realmente dramáticas, com potenciais consequências trágicas”, avisou António Guterres.
A segunda mensagem dirigiu-se ao Irão: “Parem de atacar os vossos vizinhos, eles nunca foram partes no conflito”.
Guterres recordou que o Conselho de Segurança da ONU “condenou esses ataques, ordenou que cessassem e determinou a abertura do Estreito de Ormuz”, salientando que o encerramento desta artéria comercial vital, por onde passa cerca de um quinto da produção de petróleo mundial, “causa enorme sofrimento a tantas pessoas em todo o mundo que nada têm a ver com este conflito”.
Ataque israelita a campo de gás iraniano foi coordenado com os EUA
Trump afirmou numa publicação nas redes sociais que Washington "não sabia nada sobre este ataque em particular", que tem provocado ataques generalizados do Irão a instalações energéticas no Golfo.
BCE mantém juros inalterados em contexto de guerra
A taxa diretora do Banco Central Europeu poderá subir dentro de três meses.
Esta é a sexta vez consecutiva que a instituição preserva a taxa diretora, embora admita que a guerra desencadeada pela ofensiva israelita e norte-americana contra o Irão torna agora as perspetivas "consideravelmente mais incertas".As taxas aplicáveis à facilidade permanente de depósito, às operações principais de refinanciamento e à facilidade permanente de cedência de liquidez ficam assim inalteradas em dois por cento, 2,15 e 2,40, respetivamente.
A guerra, lê-se em comunicado do BCE, "terá um impacto significativo na inflação a curto prazo através de preços mais elevados dos produtos energéticos". Os reflexos a médio prazo "dependerão quer da intensidade quer da duração do conflito e da forma como os preços dos produtos energéticos afetarão os preços no consumidor e a economia".
A inflação é revista em alta para 2,6 por cento este ano, 2,0 em 2027 e 2,1 em 2028 - o acerto deve-se à escalada dos preços dos produtos energéticos.
Recorde-se que a Reserva Federal dos Estados Unidos reuniu-se na véspera e decidiu manter os juros inalterados.
Lagarde advertiru qur esta guerra terá "um impacto material na inflação de curto prazo por meio do aumento dos preços da energia".
"As implicações a médio prazo dependerão tanto da intensidade e duração do conflito quanto da forma como os preços da energia afetarão os preços ao consumidor e a economia".
"Isto levou a uma revisão em baixa das projeções de consumo e investimento dos analistas", concluiu.
c/ agências
Kuwait e Arábia Saudita debatem ataques iranianos
A agência informou que os dois líderes sublinharam que "vão dedicar todas as suas capacidades e recursos para preservar a segurança e a estabilidade da região".
Uma onda de ataques iranianos atingiu instalações energéticas no Golfo Pérsico nas últimas horas e dias, incluindo na Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Catar.
Londres, Paris e Nato condenam ataques a instalações de gás do Catar
Keir Starmer, Mark Rutte e Emmanuel Macron consideraram os "ataques graves" e "concordaram que os ataques a infraestruturas críticas corriam o risco de agravar ainda mais a crise na região", adiantou um porta-voz do primeiro-ministro britânico.
Sobre a situação no estreito de Ormuz, sublinharam ser "essencial que parceiros colaborem num plano viável" para garantir a liberdade de navegação e segurança "desta rota marítima fundamental" para o transporte marítimo.
Separadamente, Starmer criticou "veementemente o ataque iraniano, ocorrido durante a noite, a uma instalação de gás do Qatar" e disse estar a trabalhar "no sentido de uma resolução rápida da situação no Médio Oriente" porque "pôr fim à guerra é a forma mais rápida de reduzir o custo de vida".
EUA precisam de atingir um conjunto claro de objetivos
Numa conferência de imprensa no Pentágono, realçou que Washington está a analisar atentamente os indicadores da guerra e a transmiti-los ao Presidente e à equipa de segurança nacional.
“Estamos a seguir o plano à risca e é por isso que quero falar com o povo americano aqui. Ouve-se muito ruído sobre a expansão da guerra e especulações sobre o que devemos ou não fazer. Mas há um conjunto claro de objetivos e o presidente deu-nos todas as capacidades necessárias para os alcançar”, acrescentou.
“Temos objetivos. Esses objetivos são claros. Temos aliados que também perseguem os seus objetivos”.
Guerra contra o Irão é uma "bênção"
"O debate não deve ser sobre quando (a guerra) terminará, mas sobre como prolongaremos e aprofundaremos os danos infligidos", disse Zeev Elkin, membro do Likud, o partido de direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
"Cada dia da campanha é uma tremenda bênção para o Estado de Israel", afirmou o ministro encarregado da Reconstrução do Norte e do Sul e membro do gabinete de segurança, um pequeno órgão governamental autorizado a tomar decisões diplomáticas e estratégicas urgentes, particularmente em tempos de guerra.
Numa declaração à rádio do exército, Elkin elogiou ainda a "cooperação singular com os Estados Unidos, cuja semelhança dificilmente se repetirá".
EUA podem levantar sanções ao petróleo iraniano retido em navios-tanque
"Nos próximos dias, podemos levantar as sanções ao petróleo iraniano que está no mar. São cerca de 140 milhões de barris", disse Bessent ao programa Mornings with Maria, da Fox Business Network.
Explosão ouvida em Erbil perto do aeroporto
EUA atacam milícias alinhadas ao Irão no Iraque
"Os helicópteros AH-64 têm atacado grupos de milícias alinhados ao Irão para garantir que suprimamos qualquer ameaça no Iraque contra as forças americanas ou interesses dos EUA", disse o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto.
Objetivos dos EUA no Irão não mudaram
Primeiro-ministro britânico condena ataque iraniano a instalação de gás do Catar
"Condeno veementemente o ataque iraniano a uma instalação de gás do Catar durante a noite", disse Starmer nas redes sociais.
Macron quer negociações para impedir ataques a infraestruturas de energia
À chegada à cimeira dos líderes europeus, em Bruxelas, Emmanuel Macron considerou uma imprudência ter deixado alastrar o conflito a locais de produção de hidrocarbonetos, particularmente no Qatar.
“Vários países do Golfo foram atingidos, pela primeira vez, nas suas capacidades de produção, da mesma forma que o Irão”, observou o Presidente francês, pedindo uma “rápida desescalada” do conflito.
Suspeita de fuga de informação. FBI investiga ex-diretor do Centro de Contraterrorismo dos EUA
Dias depois de se ter demitido, alegando não concordar com a guerra contra o Irão, o ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos está a ser investigado por suspeitas de fuga de informação confidencial.
Pessoas próximas a Donald Trump denunciaram o ex-diretor do Antiterrorismo após este ter apresentado a demissão. A saída de Kent suscitou fortes críticas por parte da Administração Trump, que o classificou de desleal e pouco fiável, no que os analistas consideraram uma tentativa de o desacreditar após a rutura pública com o Governo.Quando se demitiu, Joe Kent declarou que não considerava o Irão “uma ameaça iminente” para os EUA e justificou a saída com a decisão de Washington atacar o país devido a pressões de Israel.
A investigação agora revelada, embora não confirmada pelo FBI, reacende o debate sobre o uso de investigações federais em contextos políticos.
No mesmo dia em que foi conhecida a investigação em curso, Kent afirmou numa entrevista que “muitos dos principais tomadores de decisão mão tiveram permissão par expressar a sua opinião” antes do ataque ao Irão.
“Não houve um debate”, declarou no podcast The Tucker Carlson Show.
O ex-diretor do Centro de Contraterrorismo insistiu que não havia provas de que o Irão estivesse perto conseguir produzir uma arma nuclear ou representasse uma ameaça iminente aos EUA.
"Não havia nenhuma informação de inteligência que dissesse: 'Ei, em qualquer dia, 1.º de março, os iranianos vão lançar um grande ataque surpresa – vão fazer algo como o 11 de setembro, Pearl Harbor, etc., vão atacar uma das nossas bases.' Não havia nada disso”.
Kent, que tem sido uma voz crítica da guerra, reiterou em recentes declarações públicas apoio às políticas anteriores da Administração Trump, mas manteve as críticas em relação à atual estratégia face ao Irão.
Antigo candidato político com ligações a extremistas de direita, Joe Kent foi confirmado no cargo de que se demitiu em julho passado, por 52 votos a favor e 44 contra. Como diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, era responsável por uma agência encarregada de analisar e detetar ameaças terroristas.
Fornecimento de gás natural para Portugal está para já garantido
O principal responsável pela Direção de Energia e Geologia (DEG) assegura que para já o abastecimento de gás natural em Portugal está garantido. Contudo, Paulo Carmona avisa que a situação se pode inverter caso o conflito se prolongue.
CNA propõe ao Governo regulação do preço dos combustíveis
"O preço gasóleo agrícola não para de subir desde o início da Guerra no Irão, tendo já aumentado cerca de 30%, um aumento brutal em menos de três semanas e que, em proporção, é superior ao do gasóleo rodoviário", lê-se em comunicado.
A CNA afirmou que os aumentos dos combustíveis "vêm agravar a situação de muitos milhares de agricultores que já se encontram numa situação muito difícil devido às intempéries".
Os agricultores propõem a equivalência nas medidas de apoio previstas para as restantes atividades económicas e criação de um programa de compras conjuntas de fertilizantes.
"Ao aumento da fatura com os custos energéticos somam-se os aumentos dos fertilizantes (mais de 35% da ureia comercializada passa pelo Estreito de Ormuz) e a perspetiva é de subida dos restantes fatores de produção", acrescenta em comunicado.
A CNA pretende ainda o combate à especulação dos preços, "de forma a impedir aproveitamentos da situação para a maximização de lucros. Os controlos devem ser efetivos e constantes".
Irão detém 97 pessoas acusadas de trabalhar com Israel
Antes, os meios de comunicação estatais citaram o comandante da polícia da província de Alborz, que afirmou que 41 pessoas foram detidas por enviarem vídeos para canais de comunicação social da oposição sediados no estrangeiro.
Ferrari suspende entregas no Médio Oriente devido à guerra
"Estamos a acompanhar de perto os desenvolvimentos no Médio Oriente e as possíveis implicações para os nossos negócios", concluiu a empresa em comunicado.
"Nesta fase, suspendemos temporariamente as entregas na área, enquanto gerimos algumas entregas por via aérea", acrescentou a empresa.
Arábia Saudita ameaça com resposta militar por paciência ter limites
A Arábia Saudita advertiu hoje o Irão que a paciência tem limites e ameaçou dar uma resposta militar aos ataques que tem sofrido, juntamente com outros países, em retaliação à ofensiva israelo-americana contra Teerão.
"O reino e os seus parceiros possuem capacidades significativas e a paciência que temos demonstrado não é ilimitada", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, Faisal bin Farhan.
Sem adiantar prazos, o ministro saudita disse que a resposta militar regional poderá ocorrer a qualquer momento.
"Poderá ser um dia, dois dias ou uma semana, não o direi", afirmou a partir da capital, Riade, após uma reunião com 11 países para abordar a situação.
Bin Farhan realçou que a Arábia Saudita "se reserva o direito de adotar ações militares, se o considerar necessário".
As autoridades sauditas confirmaram o impacto de um drone numa refinaria na cidade portuária de Yanbu, nas costas do mar Vermelho, uma zona onde horas antes tinha sido destruído um míssil balístico.
Não foram divulgadas informações sobre eventuais vítimas ou danos.
O Irão reagiu à ofensiva militar lançada por Israel e pelos Estados Unidos em 28 de fevereiro com ataques contra países do Médio Oriente com bases militares norte-americanas.
Também tem atingido complexos energéticos no golfo Pérsico, sobretudo em resposta a ataques contra infraestruturas petrolíferas iranianas, além de ter praticamente bloqueado o estreito de Ormuz, por onde passa 20% do comércio petrolífero mundial.
O chefe da diplomacia saudita lamentou que "a pouca confiança" construída com o Irão após o reatamento dos laços diplomáticos em 2023, num acordo mediado pela China, tenha sido "completamente destruída", noticiou o diário saudita Arab News.
O ministro disse que a continuação dos ataques por parte do Irão poderá deixar "praticamente nada" por salvar na relação com a Arábia Saudita e a região.
"O Irão equivoca-se se acredita que os Estados do Golfo são incapazes de responder", advertiu, citado pela agência espanhola Europa Press (EP).
Bin Farhan apelou a Teerão para que reconsidere as posições e ações em resposta à ofensiva dos Estados Unidos e de Israel, e disse que Riade "procurou de forma sincera criar um clima regional mais estável".
"As ações do Irão demonstram que a sua prioridade não é o desenvolvimento, mas sim gerir crises e exportar tensões", afirmou, também citado pelo jornal Saudi Gazette.
Além do ataque contra a refinaria de Yanbu, o Ministério da Defesa saudita anunciou a destruição nas últimas horas de cerca de 20 drones, principalmente na zona oriental do país e nos arredores de Riade.
Teerão não se pronunciou até ao momento sobre os novos ataques com aparelhos não tripulados denunciados pela Arábia Saudita.
Exército iraniano reitera ameaças de "destruição" de infraestruturas no Médio Oriente
"Alertámos o inimigo de que está a cometer um grave erro ao atacar a infraestrutura energética da República Islâmica do Irão", afirmou o Centro de Comando Conjunto, Khatam Al-Anbiya, segundo a agência de notícias Fars.
"Se isto se repetir, as represálias contra a sua infraestrutura energética e a dos seus aliados vão continuar até à sua destruição", acrescentou, alertando para uma "resposta muito mais violenta" do que os ataques da noite anterior a instalações no Golfo.
Hezbollah afirma estar a combater o avanço do exército israelita no sul do Líbano
Em comunicado, o Hezbollah disse ter "emboscado" o exército israelita quando este tentava avançar em direção à aldeia de Taybe e destruído seis tanques Merkava israelitas.
A Agência Nacional de Notícias (NNA, agência oficial de notícias) informou que Taybe, bem como a cidade de Khiam, onde se realizam intensos combates há vários dias, foram alvos de ataques aéreos e bombardeamentos da artilharia pesada israelita.
Irão propõe portagens para passagem no Estreito de Ormuz
A agência de notícias semioficial iraniana Mehr informou que um novo governo iraniano iria sancionar "potências que procuram dominação" e que utilizam o estreito de Ormuz.
"No final da atual guerra imposta, com a definição de um novo regime para o Estreito de Ormuz, o Irão transformará a sua posição de país sancionado numa potência alargada na região e no mundo", afirmou Mohammad Mokhber, conselheiro do líder supremo do Irão.
“Vamos sancionar estas potências arrogantes que procuram dominar e que usam o Estreito de Ormuz para impedir a passagem dos seus navios.”
"No Parlamento, estamos a trabalhar num plano segundo o qual os países terão de pagar taxas e impostos à República Islâmica se o Estreito de Ormuz for utilizado como uma via navegável segura" para o transporte de energia e carga, afirmou a deputada de Teerão, Somayeh Rafiei, citada pela agência noticiosa oficial ISNA.
Passagem estratégica para o transporte de hidrocarbonetos, este estreito, que separa a Península Arábica do Irão, está largamente bloqueado pelo Irão desde o início da guerra iniciada a 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel.
Preços da energia. Montenegro garante que não haverá cortes mesmo em caso de incumprimento
Os preços da energia marcam a agenda do Conselho Europeu, em Bruxelas, onde se encontra Luís Montenegro. À entrada para a reunião, o primeiro-ministro apontou que o Governo vai aprovar a impossibilidade de as famílias ficarem sem energia por falta de pagamento e garantiu que, mesmo em caso de incumprimento, não haverá cortes.
“O Conselho de Ministros, hoje mesmo, por esta hora, está a decidir algumas matérias que são de natureza não circunstancial, são permanentes, de apoio ao fornecimento de energia, em particular das famílias mais vulneráveis, garantindo que não há cortes totais de fornecimento de energia, mesmo em caso de incumprimento, portanto, havendo garantias de fornecimento mínimo, que é uma matéria importante, e garantindo também que haverá limites a preços em situações de crise energética”, afirmou o chefe de Governo.
Falando aos jornalistas portugueses em Bruxelas na chegada a uma reunião do Conselho Europeu marcada pela resposta aos atuais elevados preços da energia devido à guerra no Médio Oriente, Luís Montenegro adiantou que o Executivo vai “atualizar as medidas de acordo com a evolução da situação”. Jornal da Tarde | 19 de março de 2026
O novo conflito trouxe para segundo plano a guerra na ucrâniaapesar dos esforços de Zelensky, num périplo pela europa, esta semana. Apesar disso, Luís Montenegro afirmou aos jornalistas que esta cimeira tem como objetivo, "em primeiro lugar reafirmar a importância que é, mais do que nunca, o apoio à Ucrânia".
"E será também um sinal de credibilidade se conseguirmos desbloquear o apoio financeiro que decidimos no último Conselho".
Em segundo lugar, continuou Montenegro, "dizer que toda a agenda que temos vindo a debater e que está presente nas conclusões que se antecipam para este Conselho", no que se refere à competitividade ou à dinamização do mercado interno, por exemplo, "está hoje ainda mais atual, ainda mais prioritária com a situação política, geopolítica, económica e internacional".
A escalada do conflito no Médio Oriente, e as consequentes subidas do preço dos combustíveis ou de vários produtos, "implica que a agenda que temos para a União Europeia de termos mais autonomia do ponto de vista energético" tem de concretizar-se.
"Fico otimista por este Conselho fixar, à partida, um calendário exigente (...) porque é talvez a melhor maneira de pressionar todas as instituições, todos os Estados-membros a cumprir aquilo que muitas vezes está presente no enunciado (...) de discurso político".
E em terceiro lugar, o primeiro-ministro quis notar a participação do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, "também numa reafirmação do princípio do multilateralismo que norteia o funcionamento da União Europeia e também da nossa política externa".
Sobre o eventual envolvimento europeu no conflito no Médio Oriente, o chefe de Governo considerou desejável que os países da UE e da NATO "contribuam para que este conflito possa terminar, para que se retomem as negociações e para que a situação se resolva pela via diplomática".
Já no que respeita a Portugal, Montenegro assegurou que foram contactados "todos os países que foram alvo de ataques por parte do Irão", assim como contactos com autoridades iranianas e norte-americanas.
"Temos usado a nossa diplomacia para sensibilizar todas as partes envolvidas, no sentido de estabelecer uma plataforma que possa (...) dar a abertura para o início dos trabalhos de negociação".
O importante neste momento, considerou, "é lidar com a situação".
"Se nós estamos com uma exposição grande à evolução do preço dos combustíveis fósseis é porque ainda estamos muito dependentes deles", acrescentou, salientando que é necessário ser firme "naquilo em que podemos ser autónomos".
"Tal como já tinha antecipado na circunstância do processo de recuperação das tempestades e agora também com a excecionalidade do mercado da energia, quero apenas dizer que, pelo facto de termos tido crescimentos económicos sustentados e bons desempenhos orçamentais nos últimos anos, nós podemos, eventualmente, ter uma situação de défice e, ainda assim, ter equilíbrio nas nossas contas públicas", disse Luís Montenegro.
Em declarações aos jornalistas portugueses em Bruxelas na chegada à reunião do Conselho Europeu, Luís Montenegro admitiu que o facto de Portugal poder ter défice este ano "não significa estar num procedimento de défice excessivo ou num procedimento de desequilíbrio", mas antes que o Governo não fará "o país ser penalizado de uma forma exagerada por uma obsessão para ter superávites".
"A nossa convicção é que ainda estamos num quadro onde é possível salvaguardar o equilíbrio orçamental de maneira a termos um resultado positivo", mas "nós não estamos obcecados com isso", adiantou o chefe de Governo.
E frisou: "Nós lutamos para ter uma situação positiva no nosso saldo orçamental, nas nós queremos um país que seja justo socialmente e pujante economicamente".
A escalada militar no Médio Oriente -- causada pelos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irão e consequente resposta iraniana -- veio agravar vulnerabilidades em Portugal, sobretudo através do aumento dos preços da energia, que pressiona a inflação e reduz o poder de compra das famílias, tendo levado o Estado a adotar medidas de mitigação.
A isto soma-se o efeito das tempestades que atingiram o país em janeiro, provocando danos em infraestruturas, habitação e atividades económicas, o que implicou despesas públicas em apoio e reconstrução.
"Tem sido uma sina dos governos que eu tenho presidido que antecipadamente se mostra sempre um quadro em que vamos regressar aos défices e depois temos superávites. Eu tenho essa expectativa também relativamente a 2025 e para 2026, também tenho essa expectativa. Claro que a situação está muito agravada e está agravada por dois fenómenos, duas circunstâncias absolutamente imprevistas", assinalou o primeiro-ministro.
Grande Entrevista. Presidente da EDP não espera impacto da subida do preço do gás na fatura das famílias
O presidente da EDP não espera que a subida dos preços gás potenciada pela guerra no Médio Oriente implique impacto na fatura paga pelas famílias.
“Apesar de o preço do gás ter aumentado, isso tem relativamente pouco impacto no preço da gás na Península Ibérica e nós esperamos que não haverá nenhum impacto do ponto de vista das famílias”, afirmou Stilwell d'Andrade.
Questionado sobre a possibilidade de a guerra se arrastar no tempo, o presidente da elétrica manteve a posição: “Não antecipamos impacto. Acho que nós temos um balanço forte, acho que temos o plano bem agarrado do ponto de vista da execução”. “Portugal, hoje em dia, tem um custo de eletricidade que é 20 por cento mais baixo do que a média europeia. Depois há outras coisas dentro da fatura que também vale a pena discutir – taxas, impostos”, acrescentou.Miguel Stilwell d'Andrade considera que o país está preparado para choques como o atual, já vividos durante a pandemia da covid-19 e na invasão russa da Ucrânia. Garante que se evitaram, então, aumentos de preços, num país onde 700 mil portugueses vivem em situação de pobreza energética.
Já quanto à reposição da infraestrutura destruída no “comboio de tempestades”, o custo para a EDP poderá ser de 100 milhões de euros. Isto depois de a empresa ter registado, no ano passado, o maior lucro de sempre, acima dos mil milhões de euros.
O presidente da EDP espera investir até três mil milhões na modernização da rede em Portugal.
Por último, lamenta que Portugal não tenha ainda ligação direta a França, discussão que voltou à atualidade com o apagão de abril de 2025.
Veja ou reveja aqui, na íntegra, a Grande Entrevista.
Petróleo Brent para entrega em maio dispara 10% e aproxima-se dos 120 dólares
O barril de petróleo Brent para entrega em maio dispara mais de 10% hoje, aproximando-se dos 120 dólares, afetado pelo aumento das tensões no Médio Oriente na sequência dos ataques a instalações de gás.
Às 09:45 (hora de Lisboa), de acordo com dados da Bloomberg recolhidos pela EFE, o preço do Brent disparou 10,79 %, para 119,05 dólares.
Por sua vez, o petróleo West Texas Intermediate (WTI), a referência nos Estados Unidos, também sobe, embora com menos intensidade, tendo avançado 3,29 %, para 99,49 dólares, antes da abertura oficial do mercado.Da mesma forma, o preço do gás natural para entrega num mês no mercado TTF (Title Transfer Facility) dos Países Baixos, de referência na Europa, também disparou 25,5%, para 68,6 euros por megawatt-hora (MWh).
Na quarta-feira, Israel e os EUA atacaram instalações de gás iranianas, entre elas o campo de gás natural South Pars (Pars Sul) no Golfo Pérsico.
O Irão respondeu com ataques ao Qatar e aos Emirados Árabes Unidos.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, garantiu que não tinha tido conhecimento prévio do ataque.
Neste contexto, a alta representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e a Segurança, Kaja Kallas, confirmou que mantém contactos diplomáticos com o Irão para procurar "diferentes soluções" para o conflito e evitar uma maior escalada na região.
Ataque israelita provoca quatro mortos na Faixa de Gaza
A Defesa Civil, uma organização de primeiros socorros que opera sob a autoridade do movimento islamista palestiniano Hamas, reportou a morte de "quatro mártires desde esta manhã, após ataques israelitas contra dois grupos de civis nos bairros de Al-Tuffah e Al-Zeitoun, a leste da Cidade de Gaza".
O Hospital Al-Shifa, em Gaza, o principal centro médico do território, anunciou também ter recebido quatro corpos após ataques nestes dois bairros contra "grupos de civis".
Bolsas europeias em forte baixa devido à subida do preço do petróleo
As principais bolsas europeias abriram hoje em forte baixa devido à subida do preço do petróleo depois dos ataques às infraestruturas energéticas do Médio Oriente, e à falta de expectativas de cortes nas taxas pela Reserva Federal dos EUA (Fed).
Cerca das 09:10 em Lisboa, o EuroStoxx 600 estava a baixar 1,82% para 587,04 pontos.
As bolsas de Londres, Paris e Frankfurt cediam 1,80%, 1,48% e 2,34%, respetivamente, enquanto as de Madrid e Milão se desvalorizavam 2,24% e 1,89%.
A bolsa de Lisboa mantinha a tendência da abertura, com o principal índice, o PSI, a acentuar a queda para 1,59% para 8.989,01 pontos.
Na abertura do mercado, o euro mostra-se estável e é trocado a 1,1457 dólares no mercado de câmbios de Frankfurt, contra 1,1452 dólares na quarta-feira.
Hoje, o Banco Central Europeu (BCE) decidirá previsivelmente manter a taxa diretora em 2% e o Banco da Inglaterra em 3,75%, depois de na quarta-feira a Fed ter feito o mesmo e mantido as taxas na faixa de 3,5% - 3,75%.
O mais relevante é o que ambos os comités podem aportar sobre o futuro das taxas diretoras e sobre o impacto que a guerra do Irão pode ter sobre as mesmas.
As principais bolsas asiáticas registavam hoje quedas significativas, de modo que o principal índice da bolsa de Tóquio, o Nikkei, caiu 3,38%, o principal índice da bolsa de Seul, o Kospi, desceu 2,73%, o índice de referência da bolsa de Xangai cedeu 1,39%, o da de Shenzhen perdeu 2,02% e o Hang Seng de Hong Kong recuava 2,16% pouco antes do final da sessão.
O preço do petróleo Brent, de referência na Europa, para entrega em maio, sobe 6,07% para 113,81 dólares, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), de referência nos EUA, para entrega em abril avança 1,5%, para 97,77 dólares, enquanto ocorrem novos ataques à infraestrutura energética por parte do Irão depois da ofensiva de Israel contra o campo de gás natural Pars Sur do país persa.
Estes ataques agravam a pressão sobre o fornecimento de energia já afetado pelo bloqueio pelo Irão do trânsito no estreito de Ormuz, crucial para o comércio de petróleo e gás.
O gás natural para entrega em abril no mercado TFF dos Países Baixos, referência na Europa, também se valorizava 22,60%, para 67,015 euros por megawatt-hora (MWh), contra 54,662 euros na quarta-feira.
A forte subida do petróleo, que começou a ser registada na quarta-feira novamente, também se deveu à publicação do índice de preços da produção (IPP) de fevereiro nos EUA, variável que mostrou um inesperado aumento das pressões inflacionistas a nível de fábrica.
Os futuros dos índices norte-americanos apontam para recuos de 0,45% para o Nasdaq e de 0,28% para o Dow Jones.
Na quarta-feira, o Dow Jones terminou a cair 1,63% e o Nasdaq a baixar 1,46%.
Os metais preciosos registavam quedas: a do ouro de 0,18% e a da prata de 0,20%.
O preço da onça de ouro, historicamente considerado um ativo de refúgio em tempos de incerteza, estava hoje a descer, com a onça a ser negociada a 4.714,92 dólares, depois de um novo máximo de sempre, de 5.417,21 dólares, em 28 de janeiro.
A onça da prata também estava a desvalorizar-se, para 71,08 dólares, depois de ter subido até ao máximo de sempre de 116,6974 dólares em 28 de janeiro.
No mercado de dívida, os juros da obrigação a 10 anos da Alemanha avançavam para 2,966%, contra 2,938% na quarta-feira.
Quanto às criptomoedas, a bitcoin caia 1,66% para 70.043,7 dólares.
Quatro pessoas morreram em ataques com mísseis iranianos a Israel
Três mulheres palestinianas foram mortas em Beit Awwa, perto de Hebron, na Cisjordânia ocupada, quando destroços ou possivelmente uma munição de um míssil iraniano caíram sobre um salão de cabeleireiro feminino, de acordo com o Crescente Vermelho Palestiniano e relatos dos meios de comunicação locais.
Um trabalhador agrícola tailandês foi também morto no centro de Israel, informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Tailândia. O jornal israelita Hareetz noticiou que um tailandês com cerca de 20 anos foi morto por um impacto direto numa estrutura agrícola na zona de Sharon, a norte de Telavive.
Ataque com míssil iraniano danifica edifício em Telavive
O ataque fez soar sirenes em partes do centro de Israel e da costa, segundo o The Times of Israel.
Exército israelita afirma ter destruído helicóptero iraniano
O ataque ocorreu na noite de quarta-feira, disse o exército israelita, acrescentando que foi o resultado de informações dos serviços de informação israelitas em tempo real.
Kremlin afirma que a escalada da guerra no Médio Oriente tem impacto global na energia
Ataque israelita a hospital no sul do Líbano provoca vários feridos
O Hospital Universitário Sheikh Ragheb Harb, em Toul, nos arredores de Nabatieh, emitiu um comunicado onde afirma que um ataque israelita a um edifício adjacente danificou várias instalações, incluindo a unidade de cuidados intensivos.
A administração do hospital afirmou que o ataque violou o direito internacional e ameaçou a segurança de pacientes e funcionários, acrescenta agência.
Seleção de futebol iraniana mantém intenção de participar no Mundial2026
"Estamos a preparar-nos para o Mundial. Estamos a boicotar os EUA, mas não o Mundial", disse Taj, num vídeo divulgado pela agência de notícias iraniana Fars.
O Irão estará a negociar com a Federação Internacional de Futebol (FIFA) a mudança dos seus jogos, previstos para as cidades norte-americanas Los Angeles e Seattle, no campeonato que decorre entre 11 de junho e 19 de julho.
Ataque à produção de GNL do Catar terá repercussões globais
O país é o segundo maior produtor de GNL, apenas atrás dos Estados Unidos. O GNL é utilizado em diversas aplicações, desde o aquecimento e refrigeração até à geração de energia, indústria pesada e transportes.
Teerão intensificou ataques contra instalações de energia no Golfo
Um navio atingido incendiou-se hoje ao largo da costa dos Emirados Árabes Unidos e outro ficou danificado perto do Qatar, numa altura em que se verifica um controlo "de facto" do Estreito de Ormuz por parte do Irão.
Um ataque com um aparelho aéreo não tripulado (drone) contra a refinaria Mina Al-Ahmadi, no Kuwait, provocou um grande incêndio, segundo a agência de notícias estatal KUNA.
A refinaria é uma das maiores do Médio Oriente, com uma capacidade de produção de petróleo de 730 mil barris por dia.
As autoridades de Abu Dhabi disseram hoje que foram forçadas a interromper as operações na instalação de gás em Habshan e no campo de Bab.
Ataques israelitas atingiram várias cidades no sul do Líbano
Entretanto, foram relatados bombardeamentos de artilharia israelitas em Maroun al-Ras, Khiam, Wadi Salouqi, Baraachit e Chaqra, acrescenta a agência.
Ataque com drone atinge refinaria saudita em Yanbu
O major-general Turki Al-Malki, porta-voz do Ministério da Defesa, disse que um míssil balístico lançado em direção ao porto de Yanbu foi intercetado e destruído, informou a Agência de Imprensa Saudita.
O ministério afirmou que a “avaliação dos danos” está em curso, sem adiantar mais pormenores.
Irão exige indemnização dos Emirados Árabes Unidos em carta à ONU
Na carta, Iravani afirmou que, ao disponibilizar o seu território para os EUA realizarem ataques, os Emirados Árabes Unidos cometeram "um ato internacionalmente ilícito que implica responsabilidade estatal".
Alegou que os Emirados Árabes Unidos têm a responsabilidade internacional de fornecer reparação, incluindo indemnização por todos os danos materiais e morais sofridos.
Desde o início da guerra entre os EUA e Israel contra o Irão, os ataques de retaliação de Teerão têm persistido em vários países do Golfo. Os Emirados Árabes Unidos têm sofrido o impacto mais forte destes ataques.
Kuwait anuncia ataque com drone a uma segunda refinaria
“As equipas de emergência e de resposta rápida foram imediatamente mobilizadas para conter e controlar o incêndio, seguindo os mais elevados padrões de segurança aprovados”, afirmou a agência numa publicação no Facebook.
A agência não informou de onde foi realizado o ataque, mas ocorreu momentos depois da notícia de um ataque com um drone à refinaria de Mina Al-Ahmadi, a cerca de 11 quilómetros de distância.
Grupo pró-Irão promete cessar ataques à embaixada dos EUA no Iraque
Durante a noite de quarta para quinta-feira, a AFP não registou ataques com drones ou rockets contra a embaixada dos EUA em Bagdad.
No entanto, na quinta-feira de manhã, as Forças de Mobilização Popular (FMP), uma aliança de ex-paramilitares, incluindo grupos pró-Irão, alegaram que dois dos seus combatentes foram mortos em dois ataques distintos contra as suas posições no norte do Iraque.
Com a guerra no Médio Oriente, desencadeada a 28 de fevereiro por um ataque israelo-americano ao Irão, o Iraque foi arrastado para um conflito que desejava evitar a todo o custo.
Os grupos iraquianos pró-Irão reivindicam diariamente a autoria de ataques contra militares norte-americanos ou instalações petrolíferas, enquanto estas fações armadas são alvos de ataques atribuídos a Washington ou Israel.
"O Secretário-Geral das Brigadas Hezbollah ordenou um cessar-fogo de cinco dias contra a embaixada norte-americana em Bagdad", segundo um comunicado divulgado na quinta-feira de manhã.
O comunicado, no entanto, cita várias condições: primeiro, "impedir que a entidade sionista (Israel) bombardeie os subúrbios do sul de Beirute".
Mas também um compromisso dos adversários — que não são nomeados — "de não bombardear zonas residenciais em Bagdad ou nas províncias iraquianas".
Caso "o inimigo não respeite" esta trégua, "a resposta será imediata", adverte o grupo, mencionando "uma escalada dos ataques após o término do período de cinco dias".
A embaixada dos EUA tem sido alvo frequente de ataques com drones e rockets nos últimos dias, a maioria dos quais foram intercetados pelas defesas aéreas.
Da mesma forma, um centro diplomático e logístico dos EUA no Aeroporto Internacional de Bagdad, que alberga militares, é alvo de ataques regularmente.
Passagem de Rafah entre Gaza e o Egito reaberta
A Al-Qahera News, uma estação de televisão conhecida pela sua proximidade com os serviços de informação egípcios, indicou que a passagem tinha sido reaberta "nos dois sentidos" e exibiu imagens aéreas que mostravam palestinianos — alguns dos quais tinham recebido tratamento médico no Egito — a preparar-se para regressar a Gaza, e ambulâncias à espera para ir buscar doentes palestinianos que desejavam deixar o enclave.
Samoa e Tonga temem escassez de combustível
Os preços do petróleo subiram acima dos 110 dólares por barril na quinta-feira, após os ataques às infraestruturas energéticas no Irão e nos países do Golfo.
Os dois arquipélagos estão também preocupados com as perturbações no tráfego aéreo. O turismo representa 25% do PIB de Samoa e 11% do de Tonga.
Uma eventual escassez de combustível também afetaria a capacidade dos residentes para operar os seus barcos, dos quais dependem em parte para obter alimentos.
Irão anuncia execução de três "manifestantes violentos"
Trata-se das primeiras execuções oficialmente anunciadas relacionadas com os protestos que eclodiram no Irão no final de dezembro contra o custo de vida elevado, antes de se transformarem num vasto movimento de contestação contra o poder.
"Os três revoltosos condenados foram enforcados esta manhã, quinta-feira, 19 de março, por homicídio e por terem conduzido uma operação a favor do regime sionista e dos Estados Unidos", anunciou o 'site' Mizan Online, órgão do poder judicial iraniano, dois meses após violentos motins no Irão.
Os três indivíduos estavam implicados no homicídio de dois agentes das forças da ordem, precisou o Mizan, acrescentando que foram executados após terem sido reconhecidos culpados do crime de "moharebeh", ou "hostilidade contra Deus".
As autoridades iranianas consideram que as manifestações tiveram início no final de dezembro sob a forma de manifestações pacíficas, antes de se transformarem em "motins fomentados por forças estrangeiras", acompanhados de homicídios e atos de vandalismo.
China opõe-se à inaceitável eliminação de líderes nacionais iranianos
O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou, em conferência de imprensa, que Pequim “se opõe sistematicamente ao uso da força nas relações internacionais”.
Lin lamentou que “as chamas da guerra se estejam a expandir pelo Médio Oriente e que as tensões regionais estejam a aumentar”.
“Um cessar-fogo imediato e o fim das hostilidades representam a aspiração comum da comunidade internacional”, acrescentou o porta-voz, apelando “a todas as partes envolvidas” para que interrompam “imediatamente as operações militares e evitem que a situação regional se torne incontrolável”.
Preço do gás na Europa dispara 35% após ataques a infraestruturas energéticas
O preço do gás na Europa disparou hoje 35% após os ataques às infraestruturas energéticas no Médio Oriente, em particular um ataque iraniano à maior instalação de produção de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, no Qatar.
Pouco depois do início das negociações às 07:00 de hoje (06:00 em Lisboa), o contrato de futuros holandês TTF, considerado a referência europeia, subiu 28,06% para 70 euros por megawatt-hora, depois de ter chegado a subir 35%.
A empresa estatal de energia do Qatar reportou hoje "danos consideráveis" no complexo de gás de Ras Laffan, após novos ataques com mísseis contra este local crucial, alimentando receios quanto ao fornecimento internacional de energia.
Doha esclareceu posteriormente que todos os incêndios no local estavam "controlados", acrescentando que não houve feridos e que as operações de arrefecimento e segurança continuavam.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou destruir o campo de gás de South Pars, no Irão, caso o país lançasse outro ataque contra instalações de gás no Qatar.
O ataque com drones também atingiu hoje de manhã uma das maiores refinarias do Kuwait, causando um incêndio numa das suas unidades, segundo os meios de comunicação estatais.
Os preços do petróleo também subiram hoje, igualmente influenciados pelos desenvolvimentos do conflito no Médio Oriente, com o petróleo Brent a registar uma subida superior a 5%.
O barril de petróleo Brent para entrega em maio disparou hoje quase 5%, atingindo cerca de 113 dólares, devido ao aumento das tensões no Médio Oriente na sequência dos ataques a instalações de gás.
Às 06:00 de hoje, o preço do petróleo Brent, a referência na Europa, subia 4,75%, para 112,97 dólares. Entretanto, o petróleo intermediário do Texas avançou 1,28%, para 96,54 dólares.
Conselho Europeu dedica-se à competitividade sem poder ignorar a guerra
A reunião tem como tema principal a competitividade. Mas as questões da Ucrânia e do Médio Oriente vão certamente marcar o encontro de chefes de Estado e de governo europeus desta quinta-feira.
Na agenda está previsto um almoço com o secretário-geral da ONU, António Guterres – nesta que será, ao que tudo indicada, a última vez que participa num Conselho Europeu.
Na carta convite que António Costa dirigiu aos chefes de Estado e de governo pode ler-se que “abordaremos igualmente a situação preocupante no Líbano, em Gaza e na Cisjordânia. Convidei o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, a juntar-se a nós num almoço de trabalho para debatermos a deterioração da situação internacional e a forma como a União Europeia, em colaboração com os seus parceiros, pode agir para defender o multilateralismo”.
Haverá também tempo para uma intervenção do presidente Ucraniano por videoconferência.
“No início do nosso debate sobre a Ucrânia, ouviremos o presidente Volodymyr Zelensky. Reafirmaremos o nosso firme apoio à Ucrânia, que continua a defender-se contra a agressão russa e luta por uma paz justa e duradoura. Continua a ser essencial aumentar a pressão sobre a Rússia até que esta se empenhe em negociações construtivas que conduzam à paz”, referiu o Presidente do Conselho Europeu.
Para o fim fica a cimeira do Euro em formato inclusivo e que contará com a presença da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, e do presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis.
Uma discussão sobre a competitividade
Espera-se que seja definida uma agenda de prioridades para a competitividade europeia para 2026/2027, com medidas e datas concretas para as ter em execução.
Em cima da mesa vão estar questões como o do Mercado Único – para o qual se espera um claro compromisso dos 27 na aprovação da harmonização de leis ou do reconhecimento das leis nacionais pelos outros Estados-membros, proteção de consumidores e rotulagem de produtos, redução das dependências europeias e mobilização de investimentos (com a eventual afixação de prazos para finalizar o Mercado de Capitais e um apelo para progressão da União Bancária), entre outras questões como a da simplificação e redução dos encargos administrativos e do tempo necessário para a criação de empresas na União (recorde-se que a Comissão Europeia apresentou na quarta-feira uma proposta de simplificação que vai permitir a qualquer empresário criar uma empresa em 48 horas, com um custo máximo de 100 euros e sem exigência de capital social mínimo a partir de qualquer ponto na União Europeia e de forma totalmente digital – ver quadro).
O presidente do Conselho Europeu afirmou os objetivos em cima da mesa e realçou que “a competitividade não é um fim em si mesma. Deve permitir-nos construir uma União mais coesa, com as pessoas no centro. Uma maior competitividade europeia deve ser acompanhada por uma melhoria justa das condições de trabalho. Não vamos ceder nos direitos dos cidadãos, das empresas e do ambiente. Devemos manter os empregos na Europa e aumentar de forma sustentável a oferta de empregos de qualidade”.
Em Bruxelas, António Costa mostrou-se convicto de que a implementação da agenda Uma Europa, Um Mercado irá fortalecer “os alicerces do nosso modelo social. Colocando os trabalhadores em primeiro lugar. Trabalhar para a prosperidade partilhada e reduzindo o custo de vida para todos”.
EU Inc.
A Comissão Europeia apresentou a proposta relativa ao EU Inc., um novo conjunto único de regras aplicável às empresas e que constitui o elemento fundamental do 28.º regime da UE.
O EU Inc. é um quadro de direito societário europeu, de aplicação facultativa e totalmente digital, que visa facilitar a criação, a atividade e o crescimento das empresas na UE, incentivando-as a permanecer na União e criando condições para o regresso daquelas que saíram da Europa.
No contexto atual, os empresários e as empresas inovadoras que decidam expandir as suas atividades para outros países da UE defrontam-se com um panorama jurídico fragmentado, com 27 sistemas jurídicos nacionais e mais de 60 formas jurídicas de empresa. Esta complexidade, refere a Comissão Europeia, “pode atrasar a criação de uma empresa várias semanas ou mesmo meses, com consequências negativas sobre o crescimento, os custos e a escala das empresas”.O EU Inc. é o elemento central da resposta da Comissão Europeia a estes desafios: assumindo a forma de um regulamento, o EU Inc. estabelece um conjunto único e harmonizado de regras aplicáveis às empresas, alternativo aos distintos regimes nacionais, permitindo tirar partido do verdadeiro potencial do mercado único.
A presidente do Executivo europeu, Ursula von der Leyen, referiu, na apresentação deste programa que "a Europa tem talento, ideias e ambição para ser o melhor espaço para os inovadores. No entanto, nos tempos que correm, os empresários europeus que pretendam expandir as suas empresas deparam-se com 27 sistemas jurídicos e mais de 60 formas de empresas nos Estados-Membros. Com o EU Inc., estamos a facilitar significativamente a criação de empresas e o seu crescimento em toda a Europa".
"Qualquer empresário poderá criar uma empresa em 48 horas, a partir de qualquer ponto na União Europeia e de forma totalmente digital. Este passo crucial é apenas o início de um processo. O nosso objetivo é claro: uma Europa, um mercado, até 2028".
A energia no centro das preocupações
No que se refere à competitividade a energia surge como um dos maiores desafios com preços da energia elevados, sobretudo no caso da eletricidade.
Medidas de curto prazo
No curto prazo e tendo em conta a guerra no Médio Oriente, os líderes admitem há um problema com os preços da eletricidade e vão analisar como podem ser reduzidos.
António Costa considera que “o conflito no Médio Oriente está a agravar uma situação já de si complexa. O aumento dos preços da energia e a incerteza quanto à segurança do abastecimento estão a afetar as economias europeia e global. Mas esta crise demonstra, mais claramente do que nunca, que o caminho da Europa para uma maior autonomia e resiliência já não é opcional. É essencial para garantir a nossa segurança e prosperidade”.
“Graças aos nossos esforços coletivos, incluindo a implementação acelerada das energias renováveis e a diversificação das nossas importações de energia, estamos muito mais bem preparados para resistir ao atual choque dos preços da energia do que estávamos em 2022”, reforçou António Costa no fim da reunião com os parceiros sociais.
Os Estados-membros, pelo menos uma larga maioria, já disseram que o sistema do mercado de eletricidade não deve ser alterado, mas há países que defendem a revisão ou suspensão do Mercado de Carbono devido ao aumento dos preços da energia (recorde-se que Portugal é um dos países que defende a manutenção do Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia: ver quadro seguinte) mas procuram-se soluções no curto prazo – e com a rapidez possível – para ajudar empresas e famílias no que se refere ao aumento dos preços da energia.Na carta que endereçou aos estados-membros antes da reunião desta quinta-feira, a presidente da Comissão Europeia admite que “as restrições prolongadas no fornecimento de petróleo e gás do Médio Oriente à União Europeia podem ter um impacto significativo na economia europeia”.
Ursula von der Leyen afasta a possibilidade de problemas no abastecimento, mas reforça que “ao mesmo tempo, o impacto nas nossas economias e indústrias está a tornar-se cada vez mais pronunciado. E temos de nos preparar para mais, caso o conflito se prolongue. A nossa resposta deve ser diretamente proporcional à gravidade das ameaças que enfrentamos”.
“Atualmente, a segurança física do abastecimento energético da UE está garantida. No entanto, o aumento dos preços dos combustíveis fósseis já está a pesar sobre a nossa economia e, desde o início do conflito, a Europa já gastou mais seis mil milhões de euros em importações de combustíveis fósseis, uma chamada de atenção direta do preço que pagamos pela nossa dependência. Uma interrupção prolongada do fornecimento de petróleo e gás da região do Golfo poderá ter um impacto significativo na nossa economia”, pode ler-se na carta de Von der Leyen.
Por isso, a presidente da Comissão sugere que “os Estados-membros podem conceder um alívio imediato dos preços da eletricidade às indústrias com utilização intensiva de energia mais afetadas, através do atual quadro de auxílios estatais. O mesmo é possível para os custos de carbono, em que os Estados-Membros também podem compensar até 80 por cento dos custos indiretos de carbono, mitigando assim o impacto dos custos de carbono numa vasta gama de indústrias de utilização intensiva de energia”.
Von der Leyen recordar que “subsidiar ou limitar o preço da geração a gás e redistribuir as receitas inframarginais é outro instrumento que alguns Estados-membros têm utilizado, por exemplo, na crise energética de 2022. A Comissão avaliará, caso a caso, o impacto de tais mecanismos nacionais de emergência concebidos para limitar os efeitos dos elevados preços do gás na eletricidade. A conceção destes mecanismos de emergência deve, em qualquer caso, evitar distorções do mercado interno, preservar os sinais de investimento a longo prazo para as energias limpas e impedir uma procura adicional excessiva de gás”.
Tendo em conta a atual situação, a presidente do Executivo Europeu sugere ainda outras medidas imediatas que ajudem a minimizar os efeitos como “a libertação da maior quantidade de reservas estratégicas de petróleo coordenada pela Agência Internacional de Energia para compensar possíveis interrupções no transporte pelo Estreito de Ormuz e a coordenação para restaurar a navegação na região, incluindo a possibilidade de “coordenação multinacional para preparar o restabelecimento da liberdade de navegação na região quando as condições de segurança o permitam”.
Ursula von der Leyen sugere ainda um incentivo ao aumento da produção de energia em países capazes de substituir fornecimentos interrompidos e renova o apelo para uma monitorização próxima dos impactos no mercado de fertilizantes, essenciais para os agricultores e para a segurança alimentar global.
“Neste contexto, é importante que quaisquer medidas de curto prazo não atrasem a descarbonização do sistema energético, não aumentem a procura de petróleo e gás, sejam temporárias e direcionadas, e minimizem os custos fiscais”, refere a Presidente da Comissão Europeia.Luís Montenegro defendeu a manutenção de um mercado de carbono robusto na União Europeia e alertou para os riscos de enfraquecer este instrumento central da política climática europeia.
Numa carta dirigida ao presidente do Conselho Europeu – em conjunto com a Dinamarca, Espanha, Finlândia e Suécia – os países signatários defendem que qualquer tentativa de "enfraquecer, suspender ou limitar" o Regime de Comércio de Emissões da União Europeia poderia “comprometer a confiança dos investidores, prejudicar os pioneiros das energias renováveis e atrasar a transformação das economias europeias”.
Os cinco países defendem que o Mercado Europeu de Carbono constitui a "pedra angular da estratégia climática e industrial da Europa" e é “o instrumento mais eficaz para reduzir emissões, orientar o investimento em tecnologias limpas e promovera transformação industrial da Europa, ao apoiar a eletrificação”.
Os primeiros-ministros defenderam também a “eliminação progressiva das licenças gratuitas atribuídas a alguns setores industriais, considerando que essa medida é necessária para garantir incentivos à transição energética e à descarbonização da economia, preservando ao mesmo tempo a competitividade das empresas”.
Na carta, os líderes sublinham ainda que reduzir a dependência de combustíveis fósseis reforça a resiliência económica, reduz os custos estruturais com a energia e aumenta a autonomia estratégica da Europa, defendendo que a descarbonização é não apenas uma estratégia climática, mas também de competitividade económica.
Soluções e iniciativas de médio prazo
No que se refere ao médio prazo, o objetivo é manter as metas de descarbonização e de energia limpa. Fonte europeia confirma que “por sermos dependentes dos combustíveis fósseis temos de continuar o caminho da eletrificação das economias e das sociedades” e este é certamente um compromisso que os chefes de Estado e de Governo “vão querer reafirmar”.
O presidente do Conselho Europeu chamou a atenção para este assunto no fim da reunião bianual com os parceiros sociais em Bruxelas, nesta quarta-feira.
Na declaração final, após a Cimeira Social Tripartida, António Costa referiu que, “no Conselho Europeu, os líderes da UE vão decidir sobre medidas concretas e prazos para reforçar a competitividade europeia. Devemos reforçar o nosso Mercado Único, reduzindo as barreiras nacionais e europeias, facilitando o investimento e reduzindo as dependências”.
O objetivo é “tornar a nossa economia e o nosso modelo social europeu mais resilientes a choques e ao aumento da volatilidade. Devemos reforçar a autonomia estratégica da Europa nas áreas da energia, das tecnologias digitais, da defesa e da segurança, e isto exige uma Europa mais determinada e unida. Tal como fizemos de 2025 o ano da defesa europeia — dando passos históricos no sentido de investimentos conjuntos e de instrumentos partilhados — estamos a fazer de 2026 o ano da competitividade europeia.
O Presidente do Conselho Europeu reforçou que o objetivo é tomar “medidas concretas para criar um Mercado Único para uma Europa unida. Para proteger os nossos cidadãos, os nossos trabalhadores e as nossas empresas de ameaças externas, ao mesmo tempo que removemos as barreiras internas que nos impedem de avançar”.
“Devemos manter o rumo e até mesmo acelerar os nossos esforços a longo prazo para descarbonizar a economia europeia. A transição para energias limpas e de origem local é a melhor estratégia para reduzir a nossa dependência dos combustíveis fósseis e baixar os preços da energia”, defende António Costa.
Os chefes de Estado e de governo devem analisar a possibilidade de, ao nível das energias, diversificar as fontes, propor um privilégio de produção europeu e realçar a necessidade de a Europa se proteger de medidas que possam minar a competitividade definindo melhor o uso do instrumento de anti-coerção.
Numa carta que dirigiu aos chefes de Estado e de governo, a presidente da Comissão Europeia definiu medidas de médio e longo prazo como acelerar o investimento em energias renováveis para diminuir a dependência do gás, promover contratos de longo prazo de eletricidade para dar maior estabilidade de preços às empresas, evitar o encerramento prematuro de infraestruturas energéticas de baixo carbono como centrais nucleares e permitir apoios estatais e compensações de custos de carbono às indústrias intensivas em energia.
Compete agora aos Estados-membros definir quais para que a Comissão possa avançar com propostas concretas.
Carta de Ursula von der Leyen aos líderes antes do Conselho Europeu
“A questão mais premente, tanto do ponto de vista da competitividade como da independência, é a energia, em particular o petróleo e o gás. Desde 2021, a UE tem feito progressos significativos na diversificação do fornecimento de energia e no aumento da capacidade de energia renovável. A sua participação na matriz energética aumentou de 36 por cento em 2021 para 48 por cento em 2025. Juntamente com a energia nuclear, mais de 70 por cento da nossa eletricidade é agora produzida a partir de fontes de energia de baixo carbono. Apesar disso, vários sectores – nomeadamente o dos transportes – continuam fortemente dependentes da importação de combustíveis fósseis.
Ao mesmo tempo devemos avançar rapidamente para os próximos passos: medidas que reduzam os custos de energia de forma mais duradoura, abordando os fatores estruturais que impulsionam os elevados preços da energia, com foco na eletricidade.
Para isso, devemos atuar sobre os quatro principais componentes que determinam os preços da eletricidade: (1) o custo da própria eletricidade; (2) tarifas de rede; (3) impostos e taxas; e (4) custos de carbono.
Em primeiro lugar, no que diz respeito ao custo da eletricidade, que por si só representa mais de metade do preço. A redução destes custos exige progressos rápidos em direção às metas de energia limpa da UE para 2030, com investimentos oportunos em locais e tecnologias alinhados com as necessidades do sistema. Esta é a melhor forma de limitar as horas em que o gás natural, mais caro, define o preço grossista. Os especialistas concordam que um sistema baseado no mercado e na definição de preços marginais proporciona benefícios claros no geral. Nas últimas semanas, muitos de vós – bem como um vasto leque de partes interessadas – têm alertado contra a alteração deste modelo fundamental.
Ao mesmo tempo, é inegável que o sistema atual cria desafios significativos em alguns Estados-Membros, especialmente quando os preços do gás são elevados. Para além de uma mudança estrutural mais rápida, devemos também mitigar o impacto dos custos dos combustíveis fósseis durante estes períodos.
Tal como recomendado no Relatório Draghi, os contratos de longo prazo, os chamados Acordos de Compra de Energia podem desempenhar um papel importante ao desvincular os preços da energia industrial do mercado grossista mais volátil. Até ao momento, a sua adoção tem sido limitada. A Comissão irá, assim, eliminar as barreiras existentes e promover ainda mais a sua utilização para todas as capacidades de geração de baixo carbono, incluindo através da combinação de Acordos de Compra de Energia com Contratos por Diferença
Evitar a desativação prematura de ativos, como as instalações nucleares existentes, que podem continuar a fornecer eletricidade fiável, de baixo custo e com baixas emissões, também pode desempenhar um papel importante.
Acelerar a integração de energia de baixo carbono e produzida localmente no nosso sistema energético é uma das formas mais eficazes de reduzir o impacto dos combustíveis fósseis na definição de preços. Não podemos permitir que enormes volumes de capacidade renovável economicamente viável deixem de chegar aos consumidores devido a redes inadequadas. Devemos dar prioridade às negociações sobre o Pacote das Redes, em particular no que diz respeito à aceleração dos procedimentos de licenciamento, garantindo a sua rápida adoção e avançando resolutamente com outros elementos de flexibilidade do sistema, incluindo o lado da procura.
No que diz respeito aos impostos e taxas, ainda existem discrepâncias significativas dependendo da fonte de energia. Em muitos casos, a eletricidade é tributada muito mais pesadamente — até quinze vezes mais — do que o gás. Isto impõe um fardo desproporcionado às empresas, especialmente às indústrias com utilização intensiva de energia que estão em transição para a eletrificação e a descarbonização.
Existe, portanto, um claro potencial, incluindo através de legislação, para reduzir a tributação da eletricidade, eliminar certas taxas não relacionadas com a energia das faturas de eletricidade e garantir que a eletricidade é tributada de forma mais favorável do que os combustíveis fósseis”.
A via diplomática para a crise no Médio Oriente
Coordenar a posição e as ações dos Estados-membros para minimizar os impactos para poder contribuir para o atenuar da situação no terreno.
Ursula von der Leyen recorda que a “crise no Médio Oriente é um conflito regional com graves repercussões geopolíticas e geoeconómicas para a Europa – desde a energia e finanças, ao comércio e transportes, às cadeias de abastecimento e à deslocação de pessoas dentro e entre países da região. Vimos um dos nossos Estados-membros, o Chipre, ser afetado e reafirmaremos o nosso apoio e solidariedade inabaláveis a eles ainda esta semana. Vimos os nossos parceiros serem diretamente visados, os nossos cidadãos serem apanhados no fogo cruzado e a NATO ser chamada à ação para abater mísseis e drones. A nossa principal prioridade continua a ser a segurança dos nossos cidadãos, Estados-Membros e parceiros, e devemos enviar uma mensagem clara de que reforçaremos todos os esforços diplomáticos para trabalhar em prol da redução de tensões”. A situação na Ucrânia
Com a presença do presidente de Ucrânia, por videoconferência, a ajuda à Ucrânia surge como um dos temas mais complexos deste Conselho Europeu e novamente por cauda do primeiro-ministro da Hungria.
Viktor Orbán enfrenta uma eleição crucial no próximo mês, que poderá pôr fim aos seus 16 anos no poder, e tem feito da Ucrânia e do Presidente ucraniano um dos seus alvos principais na luta pela vitória eleitoral, com Budapeste cheia de cartazes com a imagem de Zelensky e afirmações de que a Hungria não se deixará dominar por Kiev.Orbán resolveu mesmo recuar no que ficou decidido no Conselho Europeu em dezembro e bloquear o empréstimo à Ucrânia que exige unanimidade entre os membros da UE e o 20.º pacote de sanções contra a Rússia,
Uma fonte europeia confirma que o presidente do Conselho Europeu teve na manhã de terça-feira uma longa conversa telefónica com o primeiro-ministro da Hungria, mas sem grandes avanços.
Mesmo assim, António Costa já fez saber – por várias vezes – que os compromissos assumidos por Orbán em dezembro devem ser cumpridos... e rapidamente. Resta saber se a Hungria o vai fazer porque em causa está o empréstimo de 90 mil milhões em dois anos à Ucrânia que os 27 aprovaram na última reunião e que dificilmente pode avançar se o primeiro-ministro húngaro se recusar.
Na origem desta posição de Budapeste está o oleoduto de Druzhba, uma das maiores artérias energéticas da Europa, que abastece ainda a Hungria e a Eslováquia de petróleo russo mais barato.
Esta via foi danificada em bombardeamentos russos o que impede que os dois países da União Europeia recebam o petróleo de Moscovo. Budapeste e Bratislava queixam-se da insegurança energética que esta situação representa.Viktor Orbán defende que o oleoduto de Druzhba está operacional e que só está fechado pelo Presidente ucraniano por razões políticas e com o objetivo de influenciar as eleições húngaras de 12 de abril.
Numa carta enviada a Ursula von der Leyen, Zelensky afirmou que as alegações de Orbán são "infundadas" e argumentou que a interrupção foi causada por ataques russos ao oleoduto e às infraestruturas adjacentes no final de janeiro.
Zelensky defende-se e diz que não é uma obra prioritária para um país em guerra sobre constantes bombardeamentos e que tem o seu próprio sistema de energia sucessivamente destruído pela Rússia.
O tom das acusações entre Kiev e Budapeste já esteve mais elevado – com Bruxelas a pedir a Kiev para atenuar o discurso – e acredita-se que o facto de Volodymyr Zelensky ter aceitado a ajuda da União Europeia e a presença de técnicos enviados pela Comissão Europeia pode fazer recuar Viktor Orbán.
Bruxelas confirmou que a Ucrânia aceitou uma inspeção externa ao polémico oleoduto e esta mudança pode abrir caminho para a Hungria retirar o seu veto ao empréstimo à Ucrânia e ao novo pacote de sanções.
O bloco europeu também se ofereceu para financiar as obras de reparação do oleoduto.
"A UE ofereceu à Ucrânia apoio técnico e financiamento. Os ucranianos acolheram e aceitaram esta oferta", afirmaram na terça-feira a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, numa declaração conjunta garantindo que “os especialistas europeus estão disponíveis imediatamente".
Um alto funcionário europeu recorda que “os dois assuntos não estão ligados embora a Hungria os queira manter juntos” e que “o presidente do Conselho Europeu defende que a decisão sobre o empréstimo à Ucrânia é para respeitar, mas que se deve trabalhar na questão do oleoduto por ser importante para a segurança energética daqueles dois Estados-membros”.
O mesmo alto funcionário referiu que a “União Europeia deve prestar assistência a qualquer estado-membro que precise da mesma” e que “a iniciativa de enviar uma missão técnica à Ucrânia se insere nessa preocupação que Bruxelas tem em auxiliar qualquer um dos países que a integram”.
“A nossa prioridade é garantir a segurança energética para todos os cidadãos europeus. Neste sentido, a presidente da Comissão Europeia e o presidente do Conselho Europeu continuarão a trabalhar com as partes envolvidas em rotas alternativas para o trânsito de petróleo bruto não russo para os países da Europa Central e Oriental”, pode ler-se na declaração conjunta conhecida esta semana.
Mais, Von der Leyen e Costa afirmam que “no atual contexto de elevada volatilidade dos mercados energéticos, a retoma do trânsito do petróleo pelo território ucraniano torna-se ainda mais importante para preservar a estabilidade do mercado. Isto está também em consonância com as obrigações contratuais existentes da Ucrânia, bem como com a derrogação concedida à Hungria e à Eslováquia relativamente à proibição geral da UE à importação de petróleo russo”.
Os dois presidentes garantiram a Zelensky que a operação de reparação não vai afastar Bruxelas da intenção de eliminar gradualmente todos os combustíveis fósseis russos até ao final de 2027 para cortar todas as formas de financiamento da economia de guerra do Kremlin.No entanto, a Hungria insiste que devem estar envolvidos especialistas húngaros e eslovacos e o Ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó já classificou a medida de von der Leyen sobre o gasoduto como "teatro político" argumentando que “Budapeste não está disposta a ceder”.
"Não se deixem enganar. Isto é um jogo político. Cada passo foi coordenado entre Kiev e Bruxelas. Não vamos fingir que von der Leyen está a resolver um problema do qual não tinha conhecimento. Apelamos a Zelenskyy e von der Leyen para que parem com este teatro político", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria.
É um cenário, ainda, de incerteza. Os contactos diplomáticos continuam para tentar encontrar um acordo que permita desbloquear o empréstimo à Ucrânia e o 20.º pacote de sanções à Rússia. Resta saber se o Primeiro-ministro húngaro cede antes das eleições que podem determinar o seu futuro na liderança política do país mais ainda quando, a três semanas das eleições legislativas, as sondagens colocam o partido de Viktor Orbán a perder.
Trump ameaça destruir campo de gás do Irão após ataque a infraestrutura energética do Catar
- O campo de gás natural de Ras Laffan, no Catar, foi atingido por projéteis iranianos às primeiras horas desta quinta-feira. Tratou-se de uma retaliação após um ataque israelita contra Pars Sul. O presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou entretanto fazer "explodir massivamente" este complexo de gás do Irão;
- O Governo iraniano condenou o ataque israelita de quarta-feira a Pars Sul - bombardeamento que vem marcar mais uma escalada na guerra. O presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, alertou mesmo para "consequências incontroláveis" que podem "abarcar o mundo inteiro";
- O Irão atacou, com recurso a mísseis, a Qatar Energy, empresa estatal petrolífera do Catar, provocando "danos extensos" na zona industrial de Ras Laffan, considerada a maior instalação de produção de gás natural liquefeito;
- O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Catar classificou o bombardeamento iraniano como "brutal", acrescentando que se trata de uma violação da soberania e uma ameaça direta à segurança nacional. Prometeu ainda responder e ordenou que dois diplomatas iranianos e as equipas iranianas abandonassem o emirado;
- As operações nas instalações de gás natural de Habshan, nos Emirados Árabes Unidos, foram também suspensas, depois de terem sido atingidas com destroços de um míssil, e o campo petrolífero de Bab foi igualmente alvo de ataques iranianos;
- Donald Trump escreveu na sua plataforma Truth Social que os Estados Unidos "nada sabiam" do ataque israelita ao campo de gás de Pars Sul, que o Irão partilha com o Catar. "Não haverá mais ataques de Israel", segundo o presidente norte-americano, a não ser que o Irão "decida atacar um muito inocente, neste caso, Catar". "Circunstância em que os Estados Unidos da América, com ou sem ajuda ou consentimento de Israel, farão explodir massivamente todo campo de gás de Par Sul com uma quantidade de força e poder que o Irão nunca viu", carregou;
- Um ataque com "um projétil desconhecido" deixou um navio em chamas ao largo da costa dos Emirados Árabes Unidos, segundo as Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido;
- O presidente fracês, Emmanuel Macron, apelou a uma moratória imediata para travar ataques a infraestruturas civis, sublinhando que as populações devem ser "protegidas da escalada militar";
- Três mulheres palestinianas morreram num bombardeamento do Irão que atingiu a Cisjordânia, confirmou o Crescente Vermelho palesiniano;
- No centro de Israel, um homem morreu em consequência de nova vaga de bombardeamentos com mísseis iranianos;
- Em Washington, os republicanos do Senado bloqueram uma medida que visava conter o poder, por parte da Presidência, de empregar a máquina de guerra dos Estados Unidos sem autorização do Congresso;
- A diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, Tulsi Gabbard, contrariou declarações de Donald Trump e afirmou, no Senado, que desde 2025 o Irão não procurou enriquecer urânio. Ainda assim, sustentou que, mesmo enfraquecido, o regime continua a dispor de meios para atacar interesses de Washington e dos aliados no Médio Oriente;
- Israel reivindicou na quarta-feira a morte do ministro dos Serviços de Informações do Irão - a terceira figura do regime a ser abatida, depois do responsável pela segurança nacional e do comandante da milícia Basij. Telavive promete "surpresas significativas" em todas as frentes;
- O Reino Unido acusou dois homens de crimes relacionados com a segurança nacional, por suspeita de ligações ao Irão. Foram detidos no início do mês, no âmbito de uma operação de vigilância à comunidade judaica em Londres. Terão mantido contactos suscetíveis de ajudar serviços de informações estrangeiros.
Israel eliminou responsável iraniano dos Serviços Secretos
O Irão acusou os Estados Unidos e Israel de atacarem a maior reserva de gás natural no mundo. Telavive anunciou ter morto o responsável iraniano pelos serviços secretos.
Míssil iraniano atinge prédio em Telavive e faz vários feridos
O Irão voltou a atacar Israel. Um míssil atingiu um prédio em Telavive muito perto do local onde se encontravam os enviados especiais da RTP, Paulo Jerónimo e José Pinto Dias.
Seleção feminina do Irão. Cinco jogadoras desistem do asilo e regressam ao país
A antiga selecionadora de futebol do Irão disse que as jogadoras regressaram ao país com medo de represálias. A portuguesa Helena Costa revelou que mantém contacto com as suas antigas futebolistas.