Trump indiciado por grande júri por pressões nas Presidenciais de 2020

O ex-presidente dos Estados Unidos foi indiciado por um grande júri em Washington DC em quatro acusações relacionadas com a tentativa de reverter os resultados da eleição de 2020, incluindo conspiração contra os Estados Unidos.

RTP /
Carlos Barria - Reuters

As acusações contra Donald Trump incluem conspiração para defraudar os Estados Unidos, conspiração para obstruir procedimentos legais, obstrução e tentativa de obstrução de procedimentos legais e conspiração contra a lei, mormente a adulteração de testemunhas.

A juntar ao rol de acusações que Trump colecionou nos últimos meses, há agora a conspiração e a mentira para garantir a continuidade na Casa Branca. Ao fim da noite soube-se que o ex-presidente foi indiciado de ligação a esforços para anular o resultado da eleição de 2020 que deu a vitória ao rival democrata e atual presidente Joe Biden.

O grande júri acusa Donald Trump de procurar através de esquemas montados com os seus aliados para tentar anular a derrota nas últimas eleições. "O esforço de Trump para anular as eleições de 2020 visou a função fundamental do governo federal dos Estados Unidos", lê-se na acusação, que refere o período que antecedeu a investida dos seus apoiantes contra o Capitólio, a 6 de janeiro de 2021.

"Apesar da sua derrota, o arguido estava determinado a manter-se no poder. Como resultado, por mais de dois meses após a eleição de 03 de novembro de 2020, o réu espalhou falsidades de que houve fraude que alterou o resultado e que ele de facto ganhou", observa a acusação.

"As alegações eram falsas e o arguido sabia que eram falsas, mas o arguido repetiu-as e divulgou-as amplamente, apesar de tudo", lê-se na acusação. O ex-presidente norte-americano foi convocado para comparecer a 3 de agosto perante um tribunal federal em Washington.

O procurador especial Jack Smith disse que espera um “julgamento rápido” de Donald Trump. "O meu gabinete procurará um julgamento rápido para que as nossas acusações possam ser testadas no tribunal e julgadas por um júri de cidadãos", disse Smith.

Smith, que supervisionou a investigação sobre o assalto ao Capitólio, disse que este incidente foi provocado pelas “mentiras de Trump”.

O ataque ao Capitólio dos EUA por parte de apoiantes do ex-presidente norte-americano, a 6 de janeiro de 2021, ocorreu após um discurso inflamado de Trump, numa tentativa de impedir o Congresso de ratificar a vitória de Joe Biden.

"O ataque à capital da nossa nação a 6 de janeiro de 2021 foi um ataque sem precedentes à sede da democracia americana. Conforme descrito na acusação, foi alimentado por mentiras do réu, com o objetivo de obstruir a função fundamental do governo dos EUA", disse Smith esta terça-feira aos jornalistas.

Em comunicado, a equipa responsável pela campanha presidencial de Trump disse que o ex-presidente norte-americano sempre seguiu a lei e descreveu a acusação como uma "perseguição" política que lembra a Alemanha nazi.

Estas são as acusações mais graves apresentadas contra o antigo chefe de Estado, que já enfrenta acusações criminais pelo alegado tratamento negligente de documentos confidenciais da Casa Branca e por pagamentos suspeitos a uma antiga atriz de filmes `porno`.
Donald Trump, de 77 anos, tornou-se este ano o primeiro ex-presidente dos Estados Unidos a ser acusado criminalmente pelos tribunais federais.

Apesar disso, Trump continua a ser o favorito às primárias republicanas para as eleições de 2024, aumentando a vantagem em relação ao `número dois`, o governador da Florida Ron DeSantis.

c/agências

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