Trump diz que não recebeu qualquer comunicado sobre suspensão de negociações

Trump diz que não recebeu qualquer comunicado sobre suspensão de negociações

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse esta segunda-feira que não tinha recebido qualquer comunicado do Irão sobre a suspensão das negociações com os EUA, mas acredita que houve demasiadas conversas e que um período de silêncio seria benéfico.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Donald Trump durante uma reunião do seu gabinete na Casa Branca, a 27 de maio 2026 Foto: Evan Vucci - Reuters

(em atualização)

Os EUA não foram informados da decisão com antecedência da decisão iraniana, frisou o presidente.

"É apropriado dizer isso, porque são melhores negociadores do que combatentes", disse Trump à NBC News, num breve telefonema. "Mas não nos informaram disso".

"Isto não significa que vamos andar por aí a bombardear tudo", acrescentou
Trump, que disse, sexta-feira, que em breve decidiria sobre uma proposta de acordo para prolongar um alegado cessar-fogo acordado no início de abril. "Vamos manter o bloqueio".

"Acho que temos falado demais, para dizer a verdade. Acho que o silêncio seria muito bom, e isso poderia durar muito tempo", disse Trump.

Depois, egundo uma entrevista à CNBC, o presidente norte-americano disse não estar preocupado com o eventual fum das negociações com Teerão.

"Não me importo se elas terminaram, honestamente... Eu realmente não me importo. Não podia importar-me menos", disse Trump a Eamon Javers, numa entrevista por telefone.

De acordo com notícias avançadas pela agência iraniana Tasnim, a equipa de negociação do Irão estará a retirar-se das trocas de mensagens com os EUA, realizadas através de mediadores, devido à ofensiva isarelita no sul do Líbano, que se agravou nos últimos dias.  Teerão tinha já afirmado que não haveria mais negociações com os Estados Unidos até que fosse cumprida a exigência de fim dos ataques de Israel ao Líbano. 

O Governo iraniano não comentou a notícia, embora o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Seyed Abbas Araghchi, tenha publicado anteriormente no X que um “cessar-fogo entre o Irão e os EUA é inequivocamente um cessar-fogo em todas as frentes, incluindo no Líbano”.

“Os EUA e Israel são responsáveis ​​pelas consequências de qualquer violação”, acrescentou.

Ao noticiar a suspensão do diálogo com os EUA, a Tasnim especificou que a decisão foi tomada devido aos crimes que Israel "continua a cometer" no Líbano e às violações "em todas as frentes" do cessar-fogo assinado a 08 de abril.

A emissora estatal iraniana frisou, por seu lado, que a probabilidade do cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos terminar é elevada se os ataques israelitas ao Líbano não cessarem.

A agência Tasnim tinha anteriormente noticiado que Teerão iria considerar o encerramento total do Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial que transportava um quinto do fornecimento mundial de petróleo antes da guerra, e o bloqueio de outras vias navegáveis, incluindo o Estreito de Bab el-Mandeb, com o objectivo de punir Israel e os seus aliados.

A IRGC, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irão, confirmou depois informações de que estava a considerar alargar as operações militares com "os seus aliados", devido à recente ofensiva israelita no Líbano, contra o Hezbollah, a guerrilha xiita libanesa apoiada por Teerão.
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