Trump oferece-se como mediador entre Egito e Etiópia sobre barragem no Nilo
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ofereceu-se para mediar as disputas entre o Egipto e a Etiópia sobre a maior obra hidroelétrica de África, uma barragem no Nilo Azul.
"Estou pronto para retomar a mediação dos EUA entre o Egito e a Etiópia para resolver de forma responsável a questão da `partilha das águas do Nilo` de uma vez por todas", declarou Trump, numa carta ao homólogo egípcio, Abdel Fattah al-Sisi.
O republicano alega que, durante negociações promovidas no primeiro mandato (2017-2021), evitou uma guerra, embora em julho tenha admitido que a barragem "se tornou um problema muito sério" e instado as partes a "encontrarem uma solução".
O Presidente norte-americano reiterou que nenhum país deve "controlar unilateralmente" as águas do Nilo em detrimento dos outros Estados e que ajudaria a "garantir as necessidades hídricas" do Egito, da Etiópia e do Sudão.
"Com o conhecimento técnico adequado, negociações justas e transparentes e um papel significativo dos EUA no acompanhamento e na coordenação entre as partes, podemos alcançar um acordo duradouro para todas as nações da Bacia do Nilo", diz a carta.
Trump afirmou que pretende garantir descargas previsíveis de água durante os períodos de seca no Egipto e no Sudão, enquanto a Etiópia poderá continuar a gerar "quantidades substanciais" de electricidade, que propõe ainda que sejam "doadas ou vendidas" aos outros dois países.
Egito e Etiópia têm fortes tensões sobre a construção da Grande Barragem do Renascimento Etíope, inaugurada por Adis Abeba no Nilo Azul em setembro, e que tanto o Egito quanto o Sudão consideram uma ameaça à sua segurança hídrica.
Logo após a inauguração da Grande Barragem, o Egito acusou a Etiópia de unilateralismo e "violação do direito internacional", numa carta de protesto enviada ao Conselho de Segurança da ONU.
Com cerca de 110 milhões de habitantes, o Egito depende do Nilo para 97% das suas necessidades hídricas, nomeadamente para a agricultura.
O Nilo, cuja bacia hidrográfica abrange onze países, tem dois afluentes principais: o Nilo Branco, que nasce na região dos Grandes Lagos; e o Nilo Azul, que nasce no lago Tana, na Etiópia, e contribui com 85% da água do rio.
O projeto está localizado na região etíope de Benishangul-Gumuz (oeste), a cerca de 15 quilómetros da fronteira com o Sudão.
A hidroelétrica, a 15.ª maior do mundo, tem capacidade para gerar 5.150 megawatts de energia elétrica (equivalente a quase seis centrais nucleares) e para armazenar cerca de 74 mil milhões de metros cúbicos de água.
Apesar das repetidas garantias da Etiópia de que o projeto não causará danos significativos, os três países não conseguiram chegar a um acordo nas sucessivas negociações que tiveram lugar desde 2015.
Várias tentativas de mediação ao longo da última década entre os três países --- sob a égide sucessiva dos Estados Unidos, do Banco Mundial, da Rússia, dos Emirados Árabes Unidos e da União Africana --- fracassaram.