Trump permite divulgação de memorando de lusodescendente que critica FBI

O Presidente dos Estados Unidos autorizou a divulgação de um controverso memorando que denuncia alegados abusos do FBI na investigação à alegada interferência russa nas eleições de 2016. O memorando foi escrito pelo lusodescendente Devin Nunes, republicano e presidente da Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes. Os democratas acusam Donald Trump de tentar denegrir a justiça e derrubar o procurador especial Robert Mueller.

RTP /
Donald Trump autorizou a divulgação de um controverso memorando que denuncia alegados abusos do FBI na investigação ao conluio russo Jim Bourg - Reuters

O documento coloca em causa a imparcialidade da polícia federal norte-americana no inquérito sobre a alegada interferência russa nas eleições de 2016 e serve de arma para acusar o FBI e o Departamento de Justiça de estarem contra o presidente Donald Trump.

Segundo a CNN, o documento alega que Andrew McCabe, vice-diretor do FBI que renunciou a 29 de janeiro, disse à Comissão que nenhum mandado de vigilância teria sido emitido sem as denúncias de Christopher Steele, um antigo agente secreto britânico que investigou as ligações entre Donald Trump e a Rússia a pedido da campanha de Hillary Clinton.

O memorando alega assim que o FBI pediu para prolongar as escutas a Carter Page, conselheiro de Donald Trump que se reuniu com responsáveis russos durante a campanha, sem especificar que o pedido de escuta se baseava em informação avançada, pelo menos parcialmente, por fontes democratas.

O Presidente dos Estados Unidos considera que o documento comprova o que classifica de enviesamento político do FBI a favor dos democratas. “O que se passa neste país é uma vergonha. Muita gente deveria ter vergonha”, afirmou Donald Trump ao anunciar que tinha permitido a divulgação pública do memorando.

Antes, através da rede social Twitter, Donald Trump tinha já acusado o FBI de ser uma instituição “politizada” e de avançar com investigações a favor dos democratas.

“Os mais altos responsáveis e investigadores do FBI e do Ministério da Justiça politizaram o processo sagrado da investigação a favor dos democratas e contra os republicanos”, escreveu.
Falta de imparcialidade
A publicação de um documento da Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes é uma exceção face ao que costuma acontecer e viola as recomendações feitas pelo Departamento de Justiça e pelo FBI. Na quarta-feira, o Federal Bureau of Investigation tinha mesmo avisado que o memorando em causa oculta informação relevante.

O memorando agora divulgado é da autoria de Devin Nunes, deputado lusodescendente do Partido Republicano que preside à Comissão de Inteligência. Antes de Donald Trump dar luz verde à sua divulgação, a maioria republicana da comissão votou favoravelmente a sua difusão mas rejeitou a publicação da versão democrata do mesmo.

O documento representa assim apenas a visão de uma parte da Câmara dos Representantes. À falta de imparcialidade juntam-se críticas a Devin Nunes por alegadamente ter alterado o documento já depois do voto da comissão.

"Descobrimos hoje à noite que o presidente da Comissão Nunes fez alterações substanciais à nota enviada para a Casa Branca, alterações não aprovadas pela Comissão. Portanto, a Casa Branca reviu um documento que a Comissão não aprovou para publicação", denunciou o democrata Adam Schiff na quinta-feira através da rede social Twitter.

A alegada alteração do documento levou mesmo a líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes a exigir a demissão de Devin Nunes da presidência da Comissão de Inteligência.

Os democratas acusam agora Donald Trump de procurar denegrir a imagem do FBI e do Departamento de Justiça e derrubar Robert Mueller, o procurador especial que está a investigar o alegado conluio russo.

Os democratas fazem mesmo um paralelo entre este caso e as ações levadas a cabo pelo presidente Richard Nixon em resposta ao caso Watergate, quando exigiu a demissão do procurador especial Archibald Cox (1973).
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