Trump prepara sanções e põe fim a negociações comerciais com Turquia

por Carlos Santos Neves - RTP
O Presidente dos Estados Unidos ameaçou com danos à economia turca, caso Ancara persista “neste caminho perigoso e destrutivo” Yuri Gripas - Reuters

Depois de ter ordenado, na antecâmara da ofensiva turca contra os curdos no nordeste da Síria, a retirada das forças norte-americanas desta região, o Presidente dos Estados Unidos anunciou esta segunda-feira uma ordem executiva a enquadrar sanções contra responsáveis políticos de Ancara. Donald Trump travou ainda as negociações comerciais com a Turquia. E garantiu o reposicionamento do dispositivo militar de forma a conter um eventual recrudescimento do Estado Islâmico.

Em causa, com esta declaração do Presidente norte-americano, fica um acordo comercial no valor de 100 mil milhões de dólares entre Estados Unidos e Turquia.

As medidas agora agitadas a partir da Sala Oval da Casa Branca passam ainda por um agravamento, em 50 por cento, das tarifas aduaneiras aplicadas ao aço de produção turca. A via sancionatória, ameaçou mesmo Donald Trump, pode desembocar numa “destruição” da economia da Turquia, caso o Governo deste país prossiga “neste caminho perigoso e destrutivo”.

Na declaração disponibilizada esta segunda-feira no Twitter, Trump indica ainda, de forma algo vaga, que as tropas com ordem para abandonar o nordeste da Síria vão reassumir posições na região, de forma a acompanhar a situação.


Recorde-se que, ao dar início à ofensiva contra os curdos no nordeste da Síria, o Presidente, turco, Recep Tayyip Erdogan, considerou ter o aval de Washington. Isto depois de a Administração Trump ter mandado retirar o dispositivo militar que prestava apoio às milícias curdas naquela região.

“Esta ordem vai permitir que os Estados Unidos imponham poderosas sanções adicionais contra aqueles que possam estar envolvidos em sérios abusos dos Direitos Humanos, a obstruir um cessar-fogo, a impedir pessoas deslocadas de regressarem a casa, a repatriar refugiados à força ou a ameaçar a paz, a segurança ou a estabilidade na Síria”, lê-se no texto.

“Tenho sido perfeitamente claro com o Presidente Erdogan: a ação da Turquia está a precipitar uma crise humanitária e a criar condições para possíveis crimes de guerra. A Turquia deve garantir a segurança dos civis, incluindo minorias religiosas e étnicas e é agora, ou pode ser no futuro, responsável pela detenção de terroristas do ISIS na região. Infelizmente, a Turquia não parece estar a mitigar os efeitos humanitários da sua invasão”, prossegue a declaração.
"Uma pequena pegada"

Relativamente à presença militar dos Estados Unidos, a Casa Branca sublinha que haverá “uma pequena pegada” de forças norte-americanas na Guarnição de Al Tanf, em Homs, no sul da Síria.

Lançada na passada quarta-feira, a ofensiva militar turca no nordeste da Síria tem por objetivo declarado estabelecer uma denominada “zona de segurança” – com um alcance de 32 quilómetros em solo sírio – que separe a linha de fronteira da Turquia dos territórios das YPG (Unidades de Proteção Popular). Uma milícia curda que Ancara classifica como organização terrorista.

Até agora, as tropas da Turquia terão já ocupado uma faixa com uma extensão de cerca de 120 quilómetros, desde a localidade fronteiriça de Tel Abyad até Ras al-Ain, a ocidente.

Desde as primeiras vagas de bombardeamentos, morreram pelo menos 128 combatentes curdos e 69 civis. Morreram ainda 94 combatentes pró-Turquia. Os números são do Observatório Sírio dos Direitos Humanos. De acordo com as Nações Unidas, há 130 mil pessoas deslocadas.

Ancara confirmou, por seu turno, as mortes de quatro soldados turcos em território sírio e de 18 civis, que terão sido vitimados por rockets curdos lançados sobre localidades fronteiriças.

c/ agências
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