Trump recebeu na Casa Branca Corina Machado e a medalha do Nobel da Paz

À saída do encontro com Donald Trump, já nos portões da Casa Branca, María Corina Machado declarou aos jornalistas que a reunião com o presidente norte-americano foi ópima e correu muito bem. Sobre o Nobel da Paz, diz ter levado a medalha a Trump, como já havia prometido.

Paulo Alexandre Amaral - RTP /
Foto: Brendan Smialowski - AFP

A 3 de janeiro forças especiais dos EUA raptaram o casal Maduro da sua cama em Caracas. Desde então fala-se de uma possível mudança de regime na Venezuela. Mas Donald Trump tomou outro rumo, reatando com a nova chefia do regime, em particular elogiando a nova presidente interina, Delcy Rodriguez, e afastando a ideia de que María Corina Machado seja competente para assegurar o poder.

Foi neste cenário que a líder da oposição chegou esta tarde à Casa Branca para se encontrar com o presidente levando na sua mala a medalha do Nobel.

Para já, é esse o ponto mais forte que fica da visita: a entrega da medalha do Nobel da Paz, que Corina Machado havia prometido a Trump e que o presidente dos Estados Unidos considerara como a atitude acertada da parte da venezuelana depois de em outubro ter sido galardoada com prémio, uma distinção que era aguardada pelo presidente.

Trata-se de um gesto simbólico, já que, como veio há dias esclarecer o comité Nobel, "o prémio não pode ser transferido".

"Uma vez anunciado, o Prémio Nobel da Paz não pode ser revogado, transferido ou partilhado com terceiros. A decisão é final e irrevogável", afirmou o Instituto Nobel da Noruega no último sábado depois da anunciada intenção de Corina Machado de enviar o prémio a Trump.

Hoje, esclareceria que esta entrega da medalha do Nobel a Trump seria um paralelo que na história já teve um momento idêntico, vivido entre o general Lafayette, enviado francês que ajudou os EUA na guerra da independência, e Simón Bolívar.

"Eu disse-lhe que há 200 anos o general [marquês de] Lafayette deu a Simón Bolívar a medalha George Washington. Bolívar ficou com a medalha para o resto da vida [e] duzentos anos depois, o povo de Bolívar está a entregar ao herdeiro de Washington uma medalha, neste caso a medalha do Prémio Nobel da Paz, em reconhecimento do seu compromisso único com a nossa liberdade”, explicou Corina.
À saída do encontro, a política venzuelana acrescentou que a reunião com Trump foi "ótima" e que tinha corrido muito bem. Parece contudo uma declaração de circunstância, já que a opinião de Trump acerca da possibilidade de vir a apoiar a líder da oposição no lugar de líder da Venezuela continua, de acordo com a Casa Branca, tão distante como no dia em que o presidente americano declarou publicamente que Corina Machado não era suficientemente forte ou carismática para ganhar o apoio dos venezuelanos.

O presidente mantém a opinião de que María Corina Machado, líder da oposição venezuelana, não tem apoio suficiente no país para liderar uma transição no país, fez saber a porta-voz Karoline Leavitt. 

"Acho que seria muito difícil para ela [María Corina Machado] ser a líder. Não conta com o apoio nem o respeito dentro do país. É uma mulher muito gentil, mas não goza do respeito necessário", afirmava Trump a 3 de janeiro, horas depois da captura de Nicolás Maduro e da sua mulher.María Corina Machado chegou a meio da tarde à Casa Branca entrando na residência presidencial dos Estados Unidos por uma porta lateral, em vez da entrada principal, reservada para chefes de Estado e altas autoridades.

A avaliação do presidente é "realista, baseada no que estava a ler e ouvir de seus assessores e da sua equipa de segurança nacional", explicou esta tarde Karoline Leavitt, sublinhando que, "até ao momento, a sua opinião [de Donald Trump] sobre este assunto não mudou".

Leavitt confirmava aos jornalistas ainda durante o encontro entre Trump e Machado que o presidente reconhece os esforços da oposicionista e os seus esforços na luta pela democracia na Venezuela.

"Sei que o presidente estava ansioso por este encontro e confiante de que seria uma conversa boa e positiva com María Corina Machado, que é verdadeiramente uma voz notável e corajosa para muitas pessoas na Venezuela. Portanto, o presidente está obviamente ansioso por conversar com ela sobre a realidade do país", explicou Leavitt.

Com a questão da exploração de reursos naturais do país a naturalmente pontuarem a sua agenda, Trump já veio há alguns dias a apaziguar as relações entre Washington e Caracas depois da incursão militar que extraíu Maduro ter provocado algum tumulto entre os dois países, deixando tácito que aceitava a imposição de uma presidente interina na Venezuela, elogiando mesmo Delcy Rodriguez, a escolhida pela hierarquia.

Donald Trump parece à vontade com o cenário de uma continuidade do regime e apenas coloca como condição para manter as mãos afastadas da Venezuela que a direção de Caracas aceite as suas prioridades económicas em relação ao país.

c/ agências
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