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Trump tira centenas de agentes ICE do Minnesota

Trump tira centenas de agentes ICE do Minnesota

No último mês os agentes da força federal mataram a tiro dois cidadãos norte-americanos em Minneapolis.

RTP /
Foto: Charly Triballeau - AFP

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, esta quarta-feira, a redução de 700 agentes de imigração e fronteiras no Estado do Minnesota, impulsionado pelos últimos conflitos violentos que resultaram na morte de dois cidadãos americanos.

O comunicado foi feito pelo chamado czar das fronteiras, Tom Homan, que confirmou que a redução inclui e agentes e oficiais do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), segundo a Reuters.

Com a saída dos agentes, a presença federal em Minnesota cai de cerca de 3.000 para aproximadamente 2.300 efetivos.

Ainda assim, o número permanece muito acima dos cerca de 80 agentes destacados antes do início da Operação Metro Surge, lançada a 1 de dezembro de 2025.Numa ação sem precedentes, o presidente norte-americano enviou no início de janeiro deste ano milhares de agentes armados de imigração em Minneapolis para deter e deportar migrantes, o que resultou em vários episódios de violência entre moradores e protestos de rua nos Estados Unidos.

“O meu objetivo, com o apoio do presidente Trump, é alcançar uma redução completa das tropas e acabar com esse aumento de casos assim que possível”, afirmou Homan, citado pelo jornal The Washington Post.

A decisão ocorre num contexto de forte tensão no Estado democrata, que moveu uma ação judicial contra o governo federal devido ao reforço massivo de agentes armados de imigração.

O aumento da presença federal desencadeou semanas de protestos e culminou na morte de duas pessoas por agentes federais.

Num fórum realizado no Capitólio, no dia antes do anúncio de Homan, familiares de Renée Good, baleada e morta em 7 de janeiro, e de Alex Pretti, enfermeiro morto também a tiro a 24 de janeiro, prestaram depoimentos visivelmente emocionados.

Good foi morta por um agente do ICE, enquanto Pretti foi alvejado por um agente da Patrulha da Fronteira e um oficial da CBP.

Apesar da saída parcial dos agentes, Homan fez questão de sublinhar que a política de imigração do governo norte-americano permanece inalterada. “Para que fique claro, o presidente Trump tem toda a intenção de realizar deportações em massa durante este governo e as ações de fiscalização da imigração continuarão todos os dias em todo o país”, garantiu, acrescentando que “o presidente Trump fez uma promessa e nós não demos nenhuma orientação em contrário”.
Uma cooperação “sem precedentes”
Homan destacou que o projeto de deportação visava a segurança pública e justificou a redução dos agentes em Minnesota alegando uma cooperação “sem precedentes” por parte de xerifes eleitos no Estado, responsáveis pelas prisões do condado.

Segundo ele, várias autoridades locais manifestaram interesse em permitir que o ICE detivesse imigrantes para deportação dentro das próprias prisões, mesmo quando são presos por outros crimes.

Algumas jurisdições já cooperam, mas outras - incluindo a principal prisão de Minneapolis - recusa fazê-lo.

Minneapolis e outras cidades do Estado adotam políticas que proíbem funcionários municipais - incluindo a polícia - de questionar a cidadania das pessoas ou de cooperar com a fiscalização federal de imigração, segundo a Reuters.As autoridades locais defendem que essas medidas são necessárias para garantir a segurança pública, evitando que migrantes vítimas ou testemunhas de crimes tenham medo de denunciar.

Atualmente, cerca de 190 agentes trabalham no escritório de campo do ICE em St. Paul, responsável por cinco Estados, segundo documentos apresentados em tribunal no processo movido por Minnesota para tentar restringir a operação federal - descrita pelo próprio governo Trump como a maior repressão à imigração já realizada durante o seu mandato.

Homan confessou ainda ter-se reunido com Waltz, governador de Minnesota, e com Jocaob Frey, o presidente da câmara de Minneapolis, entre outros dos democratas eleitos na região: "Embora tivéssemos nossas diferenças, uma coisa era clara: todos nós estamos comprometidos com a segurança pública".

O atual czar das fronteiras da Casa Branca - que foi também agente do ICE - teceu vários elogios aos agentes de imigração, reforçando que desempenham “um trabalho difícil enquanto são injustamente difamados”, de acordo com a Reuters.Enquanto Homan discursava, vários manifestantes protestavam na parte exterior do edifício. A Reuters citou um desses manifestantes, referindo que qualquer redução é bem-vinda, “por menor que seja”.

Apesar da redução anunciada, cerca de 2.000 agentes federais de imigração irão continuar destacados no Minnesota, mantendo uma presença significativa num Estado que permanece no centro do debate nacional sobre imigração, uso da força e autoridade federal.
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