Trump volta ao Twitter para condenar delação de Comey
Ao contrário do que tem sido a prática do atual Presidente dos Estados Unidos, os seus seguidores na rede social Twitter tiveram de esperar quase 24 horas por um primeiro post dedicado à audição de James Comey no Senado. Donald Trump sugeriu esta sexta-feira que o testemunho do ex-diretor do FBI confirmou a sua versão dos factos sobre a investigação às suspeitas de ingerência russa na eleição presidencial. E chamou leaker ao homem que despediu, um adjetivo já muito próximo de “bufo”.
Despite so many false statements and lies, total and complete vindication...and WOW, Comey is a leaker!
— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) 9 de junho de 2017
Na quinta-feira, perante do comité do Senado que escrutina os serviços de informações, James B. Comey mostrou-se convicto de que Donald Trump tentou obstruir a investigação ao papel do então conselheiro de Segurança Nacional Michael Flynn no tóxico dossier das alegadas interferências da Rússia durante a campanha para a eleição presidencial de novembro do ano passado.James Comey reconheceu ter encorajado um amigo a passar ao jornal The New York Times detalhes de uma das suas anotações sobre conversas com Donald Trump, na esperança de ver nomeado um procurador especial. O que veio a acontecer.
Mas Comey foi ainda mais longe, ao acusar o Presidente de mentir e de o difamar no momento do despedimento. A par do próprio FBI. Diante dos senadores, o ex-diretor do Bureau reforçou o relato da sua estupefação face às palavras que ouviu de Trump.
Num depoimento conciso – e politicamente hábil, como sublinha a generalidade dos analistas políticos norte-americanos -, o ex-número um do FBI quis, ao mesmo tempo, endossar ao procurador especial do Departamento de Justiça para este caso, Robert S. Mueller III, a responsabilidade de consubstanciar a tese da obstrução à justiça.
“Estou certo de que o procurador especial vai trabalhar no sentido dessa conclusão, para tentar perceber qual a intenção e se se trata de uma ilegalidade”, respondeu a dada altura.
Trump nunca chegou a estar sob investigação direta do FBI, pelo menos oficialmente. Agora arrisca-se a ser alvo de um inquérito judicial por alegada obstrução.
Marc E. Kasowitz, advogado recentemente contratado para a contenção de danos na Sala Oval, saiu a público para garantir que “o Presidente nunca, em forma ou substância, instruiu ou sugeriu ao senhor Comey para que parasse de investigar quem quer que fosse”.
“Mentiras, pura e simplesmente”, afirmou Comey, referindo-se ao momento em que Trump disse ter despedido o diretor do FBI por este ter perdido a confiança dos agentes.
Uma das passagens mais reveladoras do depoimento de quinta-feira partiu de questões republicanas sobre a ausência de uma imediata negativa de Comey a Trump, quando este alegadamente o incentivou a afastar a lupa do FBI de Michael Flynn.
“Não sei se, mesmo tendo a presença de espírito, teria dito ao Presidente: senhor, isso é errado”, redarguiu, para acrescentar que encarou a intervenção de Donald Trump como “uma orientação”. E se o sucessor de Barack Obama tivesse sido bem-sucedido, continuou Comey, o FBI teria “deixado cair uma investigação criminal em curso”.
As primeiras despesas da defesa do campo do Presidente, ainda no decurso da audição no Senado, couberam, também no Twitter, a um dos seus filhos.
3/3 Knowing my father for 39 years when he "orders or tells" you to do something there is no ambiguity, you will know exactly what he means
— Donald Trump Jr. (@DonaldJTrumpJr) 8 de junho de 2017
“Conhecendo o meu pai há 39 anos, quando ele ordena ou diz para se fazer alguma coisa não há ambiguidade, saberemos exatamente o que quer dizer”, escreveu Donald Trump Jr.