TV Globo cancela debate eleitoral após desistência de última hora de Flávio
Pela primeira vez em 20 anos, os candidatos presidenciais que lideram as sondagens de intenção de voto no Brasil não vão defrontar-se num debate na comunicação social. A única hipótese teria sido o debate na TV Globo na quinta-feira, não tivesse Lula da Silva dito, uns dias antes, que não estaria presente.
Ainda assim, o debate manteve-se agendado e contaria com a presença de Flávio Bolsonaro, uma cadeira vazia (com o nome de Lula), Augusto Cury (escritor de livros de autoajuda), Ronaldo Caiado (ex-governador de Goiás) e Romeu Zema (ex-governador de Minas Gerais).
No entanto, cerca de uma hora antes do início do debate (01:30 de hoje em Lisboa), a TV Globo anunciou o cancelamento pouco depois da desistência de última hora do candidato presidencial Flávio Bolsonaro. "Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas. Em breve mais detalhes", escreveu Flávio Bolsonaro nas redes sociais.
Em causa estão duas decisões judiciais, o Tribunal Superior Eleitoral proibiu o lugar vazio com o nome de Lula da Silva e a possibilidade de os restantes participantes lhe dirigirem perguntas.
Estas condições tinham sido previamente aceites por todos os partidos, incluindo o Partido dos Trabalhadores (PT), de Lula.
Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal determinou a inclusão no debate do candidato Renan Santos, do partido Missão. Pelas regras do sistema eleitoral brasileiro, a imprensa fica obrigada a convidar para participar dos debates a Presidente ou governador o político cujo partido tem no mínimo cinco cadeiras na Câmara dos Deputados.
Os restantes casos ficam a critério do meio de comunicação social. Atualmente, o partido Missão conta com um deputado federal, um deputado estadual e três vereadores eleitos.
A desistência de Flávio Bolsonaro em participar no debate surpreendeu os apoiantes que o aguardavam à chuva, constatou a Lusa no local.
O candidato do Partido Liberal (PL) tinha confirmado a participação no encontro, o segundo e último antes da primeira volta das presidenciais de domingo.
Flávio Bolsonaro dedicou mesmo os últimos dois dias a gravações de propaganda eleitoral e reuniões internas com a sua equipa para preparar o debate.
Por outro lado, Lula da Silva confirmou na quarta-feira que não participaria no debate e que daria uma entrevista a um `podcast` à mesma hora.
O presidente brasileiro considera "infrutíferos" os debates e criticou a qualidade dos adversários na corrida presidencial. "Eu gostaria que uma televisão fizesse a mesma pergunta para candidatos em condições de disputar. Não pode pegar uma pessoa que tem 49% e levar para disputar com quem tem 1%. É desproporcional até para o eleitor", sublinhou na entrevista.
Os candidatos da chamada terceira via nas eleições presidenciais brasileiras criticaram o poder judicial, denunciando um ataque à democracia após o cancelamento, à última hora, do debate da TV Globo.
Os candidatos, que juntos têm pouco mais de 10 por cento nas sondagens, falaram aos jornalistas nos estúdios da estação televisiva, onde aguardavam o início do debate, imediatamente após o anúncio do cancelamento.
As sondagens de intenção de voto no Brasil mostram um cenário apertado numa eventual segunda volta, em que Lula, que a busca reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro, estão tecnicamente empatados.