Mundo
Guerra na Ucrânia
Ucrânia. EUA comprometem-se a supervisionar um possível cessar-fogo
Reunião no Palácio do Eliseu junta 35 delegações, incluindo 27 chefes de Estado e de Governo, um número sem precedentes.
A futura força multinacional para a Ucrânia beneficiará de um compromisso norte-americano de apoio à força em caso de um ataque russo após um possível cessar-fogo, adiantou fonte do Eliseu à RTP.
Os parceiros da coligação e os Estados Unidos desempenharão um papel vital, de forma coordenada, na contribuição dessas garantias de segurança.
Os parceiros da coligação e os Estados Unidos desempenharão um papel vital, de forma coordenada, na contribuição dessas garantias de segurança.
Os aliados europeus e os EUA chegaram a um compromisso coletivo para fornecer garantias políticas e juridicamente vinculativas que serão ativadas quando existir um cessar-fogo.
No cenário de cessar-fogo, no terreno, estarão tropas norte-americanas numa terceira linha, em apoio às tropas ucranianas e às tropas da coligação.
No cenário de cessar-fogo, no terreno, estarão tropas norte-americanas numa terceira linha, em apoio às tropas ucranianas e às tropas da coligação.
Estas foram as primeiras conclusões divulgadas à RTP numa altura em que ainda decorre a reunião no Palácio do Eliseu, em Paris, que reúne os principais aliados da Ucrânia para conversações cruciais sobre a segurança do país num cenário de eventual cessar-fogo com a Rússia. O líder ucraniano, Volodymyr Zelensky chegou ao Palácio do Eliseu ao início da tarde. Pouco depois chegou o primeiro-ministro português, Luís Montenegro.
A cimeira da chamada "Coalition of the Willing" - a coligação de países para dar força à Ucrânia - decorre sob incerteza, numa altura em que a Administração do presidente norte-americano Donald Trump desviou atenções para a Venezuela, após a operação militar dos Estados Unidos que levou à captura de Nicolás Maduro.
Antes dessa operação, o presidente francês Emmanuel Macron tinha manifestado forte otimismo. Num discurso no dia 31 de dezembro, afirmou que os aliados iriam "assumir compromissos concretos" para "proteger a Ucrânia e garantir uma paz justa e duradoura".
Os Estados Unidos estarão representados pelos enviados de Trump Steve Witkoff e Jared Kushner depois de o secretário de Estado Marco Rubio ter cancelado a presença por motivos ligados à intervenção militar na Venezuela. Tudo em aberto
Os participantes dos vários países procuram avançar com medidas concretas para garantir a segurança da Ucrânia após o fim dos combates, incluindo mecanismos de monitorização de um cessar-fogo, apoio às forças armadas ucranianas e a eventual criação de uma força multinacional. Ainda assim, diplomatas admitem que os progressos podem ser limitados, dado o atual contexto político em Washington.
Kiev continua a exigir garantias firmes dos Estados Unidos, consideradas essenciais para assegurar compromissos duradouros de outros aliados. A Ucrânia receia que um cessar-fogo mal estruturado permita à Rússia "ganhar tempo para se reorganizar e atacar novamente".
Antes da crise venezuelana, Witkoff tinha indicado avanços nas negociações, descrevendo como "produtivas" as conversações entre representantes dos EUA, da Grã-Bretanha, França, Alemanha e Ucrânia, centradas em "fortalecer as garantias de segurança" e criar mecanismos que assegurem que a guerra "não recomece". "Nem todos estão prontos"
A França e o Reino Unido têm coordenado o esforço multinacional, defendendo que a primeira linha de defesa contra uma nova agressão russa deverá ser o próprio exército ucraniano, reforçado com treino e armamento. Macron admitiu também a possibilidade de forças europeias serem destacadas para longe da linha da frente como elemento dissuasor.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky reconheceu, no entanto, que o envio de tropas europeias continua a enfrentar obstáculos. "Nem todos estão prontos", afirmou, lembrando que vários países necessitam de aprovação parlamentar. Ainda assim, considerou "essencial" a participação da Grã-Bretanha e da França, os únicos países da Europa Ocidental com armas nucleares, alertando que sem esse compromisso "não se trata realmente de uma 'coligação de voluntários'".
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, lidera a delegação portuguesa. António Costa e Ursula von der Leyen representam Bruxelas. Desde março de 2025 que os aliados da Ucrânia não estavam todos juntos fisicamente a negociar.
Apesar de as negociações para pôr fim a um conflito que já dura quase
quatro anos terem acelerado desde novembro, há poucos sinais de abertura
por parte da Rússia, com a questão territorial a permanecer como um dos
principais entraves.