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UE pede cessar-fogo imediato no Sudão do Sul e condena "retórica inflamatória"

UE pede cessar-fogo imediato no Sudão do Sul e condena "retórica inflamatória"

A União Europeia apelou hoje a um cessar-fogo imediato no Sudão do Sul, considerando que é a "única garantia de paz e estabilidade" no país, e condenou "qualquer retórica inflamatória que incite à violência contra civis".

Lusa /

Em comunicado, o Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE) diz acompanhar "com preocupação o agravamento da situação de segurança no Sudão do Sul, especialmente no estado de Jonglei" e pede "a todas as partes para que regressem aos termos do acordo de paz de 2018".

"Um cessar-fogo imediato é a única garantia de paz e estabilidade no Sudão do Sul", defende o serviço diplomático da UE, liderado pela Alta Representante para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas.

O SEAE condena veementemente "qualquer retórica inflamatória que incite à violência contra civis" e promete "trabalhar com a comunidade internacional para garantir que se cumpre a justiça e responsabilizar os responsáveis, se for necessário".

O serviço diz que a UE "tem investido fortemente na paz no Sudão do Sul, apoiando a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD, na sigla em inglês) e as instituições do acordo de paz, além de prestar ajuda humanitária a milhões de sul-sudaneses".

"Estamos preocupados com o elevado número de pessoas deslocadas ou privadas de qualquer tipo de assistência, em consequência do ressurgimento de conflitos internos. A UE apela ao acesso humanitário sem condições, ao respeito pelo Direito Internacional Humanitário e à proteção das instalações humanitárias", lê-se no comunicado.

Os mais recentes confrontos no Sudão do Sul eclodiram no final de dezembro no estado de Jonglei, entre o exército sul-sudanês, leal ao Presidente, Salva Kiir, e forças fiéis ao antigo vice-presidente Riek Machar, detido no final de março de 2025.

De acordo com as autoridades sul-sudanesas, cerca de 180 mil pessoas foram deslocadas por estes confrontos, sendo que as comunidades "já sofrem de insegurança alimentar aguda, surtos de doenças e os danos causados pelas inundações do ano passado", alertou o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

O Sudão do Sul, o país mais jovem do mundo, tem sido assolado pela guerra civil, pobreza e corrupção endémica desde a sua criação em 2011. Os apoiantes do Presidente, Salva Kiir, e do rival, Riek Machar, entraram em confronto numa sangrenta guerra civil entre 2013 e 2018, que fez aproximadamente 400.000 mortos.

Posteriormente, formaram um Governo de partilha de poder como parte de um acordo de paz apoiado pela ONU, mas este Governo enfraqueceu ao longo do último ano, tendo Machar sido detido em março de 2025. Está atualmente a ser julgado por crimes contra a humanidade.

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