Governo israelita anuncia "eliminação" de Ali Larijani
"O Chefe do Estado-Maior acaba de me informar que Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, e Soleimani, chefe da Basij — o principal aparelho repressivo do Irão — foram mortos ontem à noite", disse Katz numa mensagem vídeo.
"Eles juntaram-se a (Ali) Khamenei nas profundezas do inferno", acrescentou o governante israelita.
Katz declarou ainda que as forças armadas israelitas vão "continuar as operações no Irão com grande intensidade, visando os recursos do regime para neutralizar as capacidades de lançamento de mísseis e destruir infraestruturas estratégicas fundamentais".
A República Islâmica "está a ser desmantelada e líderes e capacidades estão a ser neutralizados", afirmou.
Israel visa chefe militar da Jihad Islâmica Palestiniana
Akram al-Ajouri é o chefe da Força Quds, o braço armado do movimento, que opera sobretudo na Faixa de Gaza. "Ele estava no Irão, onde costumava residir (...). Ainda não temos dados" sobre os resultados do ataque, disse o oficial militar aos jornalistas sob anonimato.
Publicada mensagem de Larijani nas redes sociais
“Por ocasião da cerimónia fúnebre dos bravos membros da Marinha da República Islâmica do Irão: A sua memória permanecerá para sempre nos corações do povo iraniano, e estes mártires fortalecerão os alicerces do Exército da República Islâmica dentro da estrutura das Forças Armadas durante muitos anos. Peço a Deus Todo-Poderoso que conceda a estes queridos mártires as mais altas honras", lê-se na mensagem.به مناسبت مراسم تشییع سلحشوران نیروی دریایی ارتش جمهوری اسلامی ایران: یاد آنان همواره در قلب ملت ایران خواهد بود و این شهادتها بنیان ارتش جمهوری اسلامی را برای سالها در ساختار نیروهای مسلح استوار مینماید. ازخداوند متعال علو درجات برای این شهدای عزیز خواستارم. pic.twitter.com/dvTdhyDYbY
— Ali Larijani | علی لاریجانی (@alilarijani_ir) March 17, 2026
Quem é Ali Larijani?
O chefe de segurança do Irão, Ali Larijani, que Israel afirma ter sido morto esta terça-feira, estava entre vários altos funcionários iranianos vistos a marchar pelo centro de Teerão na sexta-feira para o comício anual do Dia de Al-Quds.
Nascido em 1958, em Najaf, no Iraque, numa família abastada de Amol, Larijani pertence a uma poderosa dinastia, outrora descrita pela revista Time como os "Kennedys do Irão".
O seu pai era um proeminente estudioso religioso e, aos 20 anos, Larijani casou com Farideh Motahari, filha de um confidente próximo do fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini.
Ao contrário de muitos dos seus pares, tinha uma formação académica secular, tendo-se licenciado em Matemática e Ciência da Computação antes de concluir um doutoramento em filosofia ocidental com foco em Immanuel Kant.
Após a revolução de 1979, ingressou na Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) antes de entrar para o governo, desempenhando as funções de ministro da Cultura e, posteriormente, chefiando a emissora estatal IRIB.
Em 2005, tornou-se secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e principal negociador nuclear do Irão, cargo que deixou em 2007.
Ingressou no parlamento em 2008 e desempenhou as funções de presidente da Câmara durante três mandatos consecutivos, desempenhando um papel fundamental na aprovação do acordo nuclear de 2015.
Larijani regressou ao cargo de secretário do Conselho de Segurança em agosto de 2025, retomando uma posição central na liderança iraniana.
Visto pela última vez na sexta-feira
Ali Larijani estava entre vários altos funcionários iranianos vistos a marchar pelo centro de Teerão na sexta-feira para o comício anual do Dia de Al-Quds.
Em declarações aos meios de comunicação estatais iranianos durante a marcha, Larijani disse que o atentado ocorrido durante o comício foi um sinal de “desespero” dos inimigos do Irão.
“Estes ataques são motivados pelo medo, pelo desespero. Quem é forte não bombardearia manifestações. É evidente que a estratégia falhou”, disse à TV estatal.
Afirmou que Trump “não compreende que o povo iraniano é uma nação corajosa, uma nação forte, uma nação determinada. Quanto mais ele pressionar, mais forte se tornará a determinação da nação”.
Israel anuncia ter eliminado Ali Larijani, um dos principais líderes do Irão
Em comunicado, Katz afirmou ter sido informado naquele momento da morte do alto funcionário da segurança iraniana, ocorrida após ataques dos israelitas durante a noite.
Bagdad em contacto com Teerão para permitir passagem de petroleiros iraquianos no Estrito de Ormuz
Na véspera, em entrevista a um canal de televisão iraquiano, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Hayan Abdel Ghani, reconheceu que tinha contactado "as autoridades competentes" em Teerão "para autorizar a passagem de alguns petroleiros pelo Estreito de Ormuz, para que possamos retomar as nossas exportações".
"Precisamos de lhes fornecer a identidade destes navios, os seus nomes e quem são os seus proprietários", acrescentou.
Exército israelita afirma ter morto general que comandava a milícia Basij
"Ontem (segunda-feira), a Força Aérea israelita, agindo com base em informações de inteligência (militar), alvejou e eliminou Gholamreza Soleimani", afirmou um comunicado militar israelita, acrescentando que foi morto num "ataque direcionado em Teerão".
UE procura solução diplomática para o Estreito de Ormuz
"Ninguém está disposto a colocar o seu povo em perigo no Estreito de Ormuz. Precisamos de encontrar formas diplomáticas de manter esta passagem aberta para que não tenhamos uma crise alimentar, uma crise de fertilizantes e uma crise energética também", disse Kallas em entrevista à Reuters.
Segundo a chefe da diplomacia da União Europeia. Bruxelas começou a ter em conta a imprevisibilidade dos Estados Unidos um ano após o regresso do Presidente Donald Trump à Casa Branca.
"É claro que somos aliados dos Estados Unidos, mas não compreendemos muito bem as suas ações recentes", acrescentou Kallas na entrevista à Reuters.
"Acho que ficou bastante claro, depois deste ano, que a palavra que temos de ter em conta é imprevisibilidade. Por isso, agora estamos mais calmos porque esperamos que coisas imprevisíveis aconteçam a todo o momento, e aceitamo-las como são, mantemos a calma e continuamos focados", realçou.
Exército israelita tentou assassinar Ali Larijani em ataque
"Ali Larijani foi alvo de uma tentativa de assassinato", noticiou a Kan, uma estação pública israelita. "Os resultados do ataque ainda estão a ser analisados", anunciou o Canal 12.
"Estamos a visar elementos da Guarda Revolucionária Islâmica e o aparelho repressivo do regime", disse o exército, citando o seu chefe de gabinete em comunicado.
"Foram registados resultados preventivos significativos ontem à noite, que podem influenciar o resultado das operações e os objetivos do exército israelita", disse o tenente-general Eyal Zamir.
O Irão ainda não comentou o relatório. A confirmar-se a sua morte, será o oficial iraniano de mais alto nível a ser morto desde o Líder Supremo, Ayatollah Ali Khamenei, que morreu no primeiro dia da guerra.
Larijani, antigo negociador nuclear e aliado próximo de Khamenei, foi visto em Teerão na sexta-feira a participar nas manifestações do Dia de Quds.
No mesmo dia, os EUA ofereceram uma recompensa de até 10 milhões de dólares por informações sobre altos funcionários militares e de inteligência iranianos, incluindo Larijani, como parte de uma lista de 10 figuras ligadas à Guarda Revolucionária Islâmica.
Vários órgãos de comunicação israelitas afirmaram ainda que os ataques visavam Gholamreza Soleimani, chefe da Força de Resistência Basij, e outras figuras importantes do grupo, e que o resultado dos ataques ainda está a ser avaliado.
China anuncia ajuda humanitária para quatro países do Médio Oriente
Parceiro comercial e diplomático do Irão, a China reforçou as suas relações com os países da região na última década. O país tem condenado repetidamente as atuais operações militares dos EUA e de Israel.
"A guerra causou uma grave catástrofe humanitária para o povo do Irão e de outros países da região", disse Lin Jian, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, na terça-feira, ao anunciar a ajuda.
"A China expressa a sua solidariedade e compaixão aos povos dos países afetados", realçou Lin durante uma conferência de imprensa regular.
Emirados Árabes Unidos reabrem espaço aéreo após ataques iranianos
Num comunicado da Autoridade Geral da Aviação Civil dos Emirados, a entidade explicou que dada a estabilização da situação e o fim das medidas de precaução anteriormente estabelecidas, foi tomada a decisão de retomar os voos.
“A Autoridade confirma que esta decisão surge após uma avaliação integral das condições de segurança, em coordenação com as autoridades relevantes. Sublinhamos que continuará a ser feito um acompanhamento constante para assegurar os mais elevados níveis de segurança aérea”, acrescentou a nota.
O encerramento anunciado durante a madrugada foi descrito como “uma medida de precaução excecional” para garantir a segurança dos voos e proteger o território dos EAU, coincidindo com o anúncio do Ministério da Defesa de que as defesas aéreas do país estavam a responder a ameaças de mísseis e drones provenientes do Irão.
A decisão de fechar o espaço aéreo ocorreu poucas horas depois de os voos de e para o aeroporto internacional do Dubai começarem a ser retomados gradualmente, após uma suspensão temporária aplicada na madrugada de segunda-feira.
Essa suspensão foi motivada por um incidente com um drone que provocou um incêndio nas imediações da infraestrutura, sem causar vítimas.
Catar interceta ataque com míssil e explosões
Um jornalista da AFP ouviu várias explosões em Doha na terça-feira, um dia depois de explosões semelhantes na capital catari.
O Catar, assim como vários outros países do Golfo, tem sido alvo de drones e mísseis nos últimos dias.
"O Ministério da Defesa do Catar anunciou que as suas forças armadas intercetaram um ataque com mísseis dirigido ao Estado do Qatar", afirmou na manhã de terça-feira no canal X.
O Irão lançou mais de 1.900 mísseis e drones contra os Emirados Árabes Unidos, mais do que contra qualquer outro país desde o início da guerra no Médio Oriente.
Fortes explosões abalam a capital iraniana
As explosões foram ouvidas no centro de Teerão, mas os locais atingidos não foram imediatamente identificados.
Produção e exportações de petróleo iraniano continuam sem interrupções
A ilha de Kharg serve como principal centro de exportação de petróleo do Irão, representando 90% dos envios de petróleo do membro da OPEP. As instalações militares na ilha foram atingidas pelos EUA na semana passada.
O porta-voz da comissão, que é também parlamentar e foi citado pela agência de notícias semioficial Tasnim, reiterou a ameaça do Irão de que qualquer ataque estrangeiro à ilha de Kharg levaria a "uma humilhação maior do que a do Estreito de Ormuz", onde Teerão impediu a passagem de embarcações que, segundo o país, estão ligadas aos EUA, Israel e seus aliados.
Irão deteve 10 pessoas por atividades de espionagem
A agência de inteligência da Guarda Revolucionária especificou que as detenções ocorreram na província de Khorasan Razavi, que inclui a importante cidade de Mashhad, sublinhando que estes “mercenários" foram identificados e presos pelas forças de segurança.
"Quatro deles estavam envolvidos em atividades de espionagem, recolhendo informações e identificando a localização de pontos sensíveis e infraestruturas económicas quando foram detidos", segundo a agência.
A agência de inteligência da Guarda Revolucionária disse, citada pela agência de notícias iraniana ISNA, que outros três indivíduos detidos, "liderados pelo chefe de um grupo terrorista monárquico e com apoio financeiro e mediático", estiveram por detrás de "planos para realizar operações de campo", sem fornecer mais detalhes ou identificar o suspeito.
O chefe do sistema judicial iraniano, Golamhossein Mohseni Ejei, reiterou hoje que aqueles que colaboram com os Estados Unidos e Israel terão os seus bens no país confiscados e lembrou-lhes que também estão sujeitos à pena de morte.
Iraque negoceia com o Irão para salvaguardar o tráfego de petroleiros através do Estreito de Ormuz
O Iraque está também a trabalhar para restaurar um oleoduto desativado que permitiria o bombeamento de petróleo diretamente para o porto de Ceyhan, na Turquia, sem passar pela região do Curdistão, acrescentou o ministro do petróleo, Hayan Abdel-Ghani, num vídeo divulgado na noite de segunda-feira.
O Iraque concluirá uma inspeção num troço de 100 quilómetros do oleoduto dentro de uma semana para permitir exportações diretas de Kirkuk, acrescentou.
A reabertura do oleoduto Kirkuk-Ceyhan, que está encerrado há mais de uma década, ofereceria uma rota de exportação alternativa numa altura em que a navegação pelo estratégico Estreito de Ormuz está severamente prejudicada pelo conflito no Médio Oriente.
As exportações através do oleoduto de 960 quilómetros, que outrora transportava cerca de 0,5% do fornecimento global, foram interrompidas em 2014, após repetidos ataques de militantes do Estado Islâmico.
O Ministério do Petróleo afirmou que as exportações através desta via poderiam inicialmente atingir cerca de 250 mil barris por dia, subindo para cerca de 450 mil barris por dia se o petróleo bruto dos campos da região do Curdistão for incluído.
Mais de 36 mil palestinianos deslocados à força da Cisjordânia num ano
De acordo com um novo relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), que abrange o período de novembro de 2024 até ao final de outubro de 2025, "a deslocação de mais de 36 mil palestinianos na Cisjordânia ocupada constitui uma expulsão em massa de palestinianos a uma escala sem precedentes".
A 19 de fevereiro, o ACNUDH já tinha manifestado o seu receio de "limpeza étnica" nos territórios palestinianos ocupados, apontando para uma série de ações israelitas, incluindo "a intensificação dos ataques, a destruição sistemática de bairros inteiros, a recusa em prestar ajuda humanitária e transferências forçadas".
O relatório refere que, durante o período em causa, houve "a aprovação, pelas autoridades israelitas, de 36.973 unidades habitacionais em colonatos na Jerusalém Oriental ocupada e de aproximadamente 27.200 no resto da Cisjordânia".
Mais de 500 mil israelitas vivem na Cisjordânia — excluindo Jerusalém Oriental — entre aproximadamente três milhões de palestinianos, em colonatos que as Nações Unidas consideram ilegais ao abrigo do direito internacional.
A violência neste território palestiniano, ocupado por Israel desde 1967, intensificou-se desde o ataque do movimento islamista Hamas contra Israel, a 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza, e continuou apesar do cessar-fogo que entrou em vigor em Gaza a 10 de outubro.
No seu relatório, o Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) registou 1.732 incidentes de violência cometidos por colonos que resultaram em vítimas ou danos materiais, em comparação com 1.400 no período anterior (novembro de 2023 até ao final de outubro de 2024).
“A violência dos colonos continuou de forma coordenada, estratégica e, em grande parte, impune, com as autoridades israelitas a desempenharem um papel central”, refere o relatório.
A “transferência ilegal” de palestinianos “constitui um crime de guerra”, sublinha o Alto-comissário. E “em determinadas circunstâncias”, tais atos podem mesmo “constituir um crime contra a humanidade”.
Em comunicado, Volker Türk apela a Israel para que “cesse imediata e completamente o estabelecimento e a expansão dos colonatos, evacue todos os colonos e ponha fim à ocupação” dos territórios palestinianos.
Apela ainda a Israel para que “permita o regresso dos palestinianos deslocados e cesse todas as práticas de confisco de terras, desalojamentos forçados e demolições de casas”.
O relatório destaca ainda o crescente risco de deslocação enfrentado por milhares de palestinianos pertencentes a comunidades beduínas localizadas a nordeste de Jerusalém Oriental, devido ao avanço dos projetos de colonatos na região.
Seul afirma que envio de navio de guerra para o Estreito de Ormuz exigiria aprovação parlamentar.
Seul não está a considerar enviar o navio de guerra ROKS Dae Jo-yeong, da unidade Cheonghae, para o Estreito de Ormuz, sublinhou Ahn.
A Coreia do Sul já possui algumas forças no Médio Oriente, após o destacamento da unidade Cheonghae em 2009 para escoltar os seus navios mercantes que navegavam perto da costa da Somália em operações anti- pirataria.
Federação de futebol iraniana quer transferir para o México jogos do Mundial 2026
A missão diplomática assegura numa publicação no seu 'site' (mexico.mfa.gov.ir) que, atendendo "à falta de cooperação do Governo norte-americano na emissão de vistos e na prestação de apoio logístico à seleção nacional de futebol do Irão na preparação para o Mundial de 2026, Abolfazl Psedniddeh [embaixador iraniano no México] sugeriu à FIFA que os jogos do Irão nesse evento fossem transferidos dos Estados Unidos para o México".
"Reiteramos que os Estados Unidos não cooperam connosco na questão dos vistos. Estamos interessados em participar no Mundial, mas o Governo norte-americano não fornece o apoio logístico nem administrativo necessário", sublinhou Psedniddeh, em declarações à agência estatal IRNA, citadas no site da embaixada.
"A FIFA pode intervir para que a seleção nacional iraniana possa participar no Mundial, mas no México. O Ministério do Desporto e da Juventude do Irão será quem tomará a decisão final a este respeito", acrescentou Psedniddeh.
"Gostamos muito do povo mexicano e, para nós, a melhor opção é que os nossos jogos se realizem no México", disse.
Por seu lado, a conta na rede social X da representação do Irão (@IraninMexico) cita uma declaração do presidente da FFIRI, Mehdi Taj, na qual afirma que "uma vez que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou explicitamente que não pode garantir a segurança da seleção nacional iraniana, certamente não iremos viajar para os Estados Unidos. Estamos atualmente a negociar com a FIFA para que os jogos do Irão no Mundial se realizem no México".
Presidente do Conselho Europeu diz que objetivo de Estados Unidos e Israel com guerra não é claro
O presidente do Conselho Europeu considera que o objetivo dos Estados Unidos e de Israel com a guerra contra o Irão, que "não é claro", vai ditar a duração do conflito, e admite "profunda preocupação" com as consequências.
"Penso que tudo [tempo que durará a guerra] depende de qual é o objetivo final desta missão e isso não é claro", afirmou António Costa, em entrevista à Lusa e a outras agências noticiosas no âmbito do projeto Redação Europeia (European Newsroom) nas vésperas de uma cimeira europeia marcada para quinta e sexta-feira e na qual será abordada a situação no Médio Oriente.
"Trata-se de uma iniciativa adotada pelos Estados Unidos e por Israel sem qualquer informação prévia aos aliados europeus. Expressamos a nossa profunda preocupação com as consequências desta guerra para a ordem internacional baseada em regras, com as consequências humanitárias e também com o impacto nos custos da energia na economia global", acrescentou o antigo primeiro-ministro português.
O encontro europeu de alto nível surge cerca de três semanas após o conflito iniciado por Israel e Estados Unidos contra o Irão e consequente resposta iraniana e já afetou vários setores na União Europeia (UE), nomeadamente ao nível económico (dada a elevada inflação e a escassez de bens) e energético (pela instabilidade na produção e exportação de petróleo e gás e a subida acentuada dos preços globais).
Acrescem outras consequências, como atrasos em cadeias de abastecimento e aumento de custos e deslocamentos de população.
Questionado sobre o impacto desta guerra na ordem internacional, António Costa elencou: "Na qualidade de presidente do Conselho Europeu, não sou jurista, pelo que tenho de analisar esta questão do ponto de vista político e, desse ponto de vista, (...) constato que os Estados Unidos e Israel decidiram lançar esta iniciativa sem informar os seus aliados, o que significa que enfrentamos um risco muito elevado de aumento das tensões internacionais e riscos consideráveis para a estabilidade em toda a região do Médio Oriente".
Além disso, acrescentou, "enfrentamos um risco grave para a segurança europeia, para a nossa segurança económica, o risco de agravamento de uma crise humanitária e também, aprendendo com o passado, o risco de aumento do terrorismo".
"Pedimos a todas as partes que se abstenham, que respeitem plenamente o direito internacional, especialmente os princípios da Carta das Nações Unidas, e que deem espaço à diplomacia", apelou.
À questão se a UE está sozinha na defesa de tais valores, António Costa respondeu: "Não, penso que estes são princípios comuns e universais (...) e o que ouvi de todos os diferentes intervenientes internacionais coincide com o que a União Europeia tem vindo a afirmar".
O presidente do Conselho Europeu garantiu, ainda, estar "totalmente alinhado" com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no respeito pelas regras internacionais, o multilateralismo e o apoio às Nações Unidas.
Na semana passada, Von der Leyen instou a UE a adotar uma abordagem mais firme face à nova era de rivalidade geopolítica, sugerindo que a velha ordem mundial estava extinta, enquanto António Costa disse ser do interesse europeu que o mundo continue a ser um espaço baseado em regras.
Estados Unidos e Israel têm em curso desde 28 de fevereiro uma ofensiva militar de grande escala contra o Irão.
O guia supremo da República Islâmica, o `ayatollah` Ali Khamenei, foi morto no primeiro dia da ofensiva e já foi oficialmente substituído como líder dos xiitas pelo filho, Mojtaba Khamenei.
Em resposta, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
Costa confia em apoios da UE à energia em momento dramático e desafiante
O presidente do Conselho Europeu confia que os líderes da União Europeia (UE), reunidos no final da semana, vão aprovar medidas de apoio face aos elevados preços da energia. "Temos de tomar decisões", reforça.
"Esta crise representa um momento dramático e desafiante para a ordem internacional baseada em regras e, evidentemente, tem um enorme impacto nos custos da energia. Por isso, apelamos à Comissão Europeia para que apresente um conjunto de medidas temporárias e específicas destinadas a fazer face a este aumento dos custos da energia", afirmou António Costa.
Em entrevista à Lusa e a outras agências noticiosas no âmbito do projeto Redação Europeia (European Newsroom) nas vésperas de uma cimeira europeia marcada para quinta e sexta-feira sobre competitividade económica, incluindo na energia, o presidente do Conselho Europeu vincou: "Sem dúvida, temos de tomar decisões. É por isso que precisamos de nos reunir [pois] é na reunião que vamos tomar decisões".
O encontro europeu de alto nível surge cerca de três semanas após o início da ofensiva militar levada a cabo por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irão e consequente resposta iraniana.
Aposta na energia produzida na Europa
"Esta situação recorda-nos que estamos no caminho certo ao investir na transição energética porque não podemos depender da energia importada e precisamos de desenvolver energia produzida internamente, seja a partir de fontes renováveis ou nucleares, mas precisamos de ser independentes e reforçar a nossa autonomia estratégica", acrescentou.
De acordo com o antigo primeiro-ministro português, ainda antes da atual crise energética provocada pela situação no Médio Oriente, o Conselho Europeu já tinha "identificado que é preciso reduzir o custo da energia" na UE.
"A melhor forma de o fazer é investir cada vez mais em energia produzida internamente. Quando se olha para o mapa dos custos da energia na Europa, fica claro que as regiões com preços mais baixos são aquelas onde a energia produzida internamente é mais intensa, a Península Ibérica e os países nórdicos", exemplificou.
As declarações do líder europeu surgem numa altura em que os preços da energia (gás e luz) sobem acentuadamente no espaço comunitário.
Entre as opções em discussão na UE estão a possibilidade de limitar temporariamente o preço do gás, reduzir impostos e encargos nas faturas de energia e permitir apoios estatais a empresas e setores industriais mais afetados pelos custos elevados da energia.
Bruxelas avalia ainda eventuais ajustes no mercado europeu de carbono e a utilização de reservas estratégicas de energia para ajudar a estabilizar os preços.
Paralelamente, a Comissão Europeia defende medidas de proteção aos consumidores e insiste que a resposta estrutural passa por acelerar o investimento em energias renováveis, redes elétricas e eficiência energética, mantendo o atual modelo do mercado europeu de eletricidade.
c/Lusa
Embaixada dos EUA em Bagdade foi atacada duas vezes em poucas horas
Israel bombardeia Teerão e Beirute
Trump afasta possibilidade de guerra terminar esta semana
"Não creio [que a guerra termine esta semana], mas será em breve. Não falta muito para termos um mundo muito mais seguro", respondeu Trump na Casa Branca, questionado pela imprensa sobre a duração do conflito iniciado a 28 de fevereiro, que causou fortes perturbações nos mercados energéticos globais.
Guerra Médio Oriente. JD Vance nega qualquer "discordância" com Donald Trump
O vice-presidente dos Estados Unidos nega qualquer discordância com Donald Trump sobre a guerra no Irão.
Preço do petróleo Brent abre a subir e aproxima-se dos 105 dólares por barril
O preço do petróleo Brent para entrega em maio voltou hoje a abrir em alta, com um aumento acentuado de mais de 4%, aproximando-se dos 105 dólares por barril.
Às 07:00 de hoje (06:00 hora de Lisboa), o Brent subia 4,53% para 104,95 dólares, segundo dados da Bloomberg analisados pela agência de notícias espanhola EFE.
Na segunda-feira, a forte subida dos preços do crude devido às tensões no Médio Oriente diminuiu e o Brent fechou a cair 2,84%, ligeiramente acima dos 100 dólares (100,21 dólares).
Entretanto, o crude West Texas Intermediate (WTI) subiu hoje 5,04% para 97,90 dólares, antes da abertura oficial do mercado norte-americano.
Os preços do crude voltaram a subir, afetados pelas tensões decorrentes da guerra no Irão e do bloqueio do Estreito de Ormuz.
O presidente norte-americano, Donald Trump, criticou na segunda-feira a falta de entusiasmo com que os seus aliados reagiram à sua proposta de formar uma coligação militar para garantir a segurança no estreito de Ormuz, sobretudo por parte dos europeus, que lhe disseram que a guerra no Irão não é a sua guerra.
"Alguns estão muito entusiasmados, outros não, e alguns são países que temos ajudado há muitos anos. Protegemo-los de fontes externas terríveis, e não estão tão entusiasmados. E o nível de entusiasmo é importante para mim", disse.
A Agência Internacional de Energia (AIE) indicou na segunda-feira que está preparada para libertar mais reservas estratégicas de petróleo se necessário, após o anúncio feito na passada quarta-feira de libertar 400 milhões de barris no mercado para mitigar o impacto da guerra no Irão.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o `ayatollah` Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre e na Turquia.