Vacina da Oxford tem "eficácia reduzida" contra a variante sul-africana

A farmacêutica AstraZeneca anunciou no sábado que, de acordo com um estudo, a sua vacina, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford, oferece apenas uma proteção limitada contra doenças leves causadas pela variante sul-africana da Covid-19. A vacina mostra-se, porém, eficaz contra a variante britânica.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Peter Cziborra - Reuters

O estudo da Universidade de Witwatersrand, da África do Sul, e da Universidade de Oxford demonstrou que a vacina da AstraZeneca tem “pouca eficácia” contra a variante sul-africana, segundo avançou o Finantial Times no sábado.

Neste pequeno estudo de fase I/II, os dados preliminares demonstram eficácia reduzida contra doenças leves principalmente devido à variante sul-africana B.1.351”, disse um porta-voz da AstraZeneca em resposta à notícia do Finantial Times.

O porta-voz avançou ainda que não foram capazes de “determinar adequadamente o seu efeito contra doenças graves e hospitalizações, uma vez que os indivíduos [que participaram no estudo] eram predominantemente adultos jovens e saudáveis”.


A farmacêutica diz, porém, acreditar que a sua vacina seja eficaz na proteção contra doenças graves derivadas da infeção por Covid-19, uma vez que os anticorpos neutralizantes detetados são equivalentes aos de outras vacinas que comprovaram eficácia contra doenças graves.

Apesar disso, o jornal afirma que nenhum dos mais de dois mil voluntários que participaram neste estudo foi hospitalizado ou morreu. O ensaio clínico, que envolveu 2026 participantes, ainda não foi revisto e, segundo o Finantial Times, deve ser publicado na próxima segunda-feira.

Michael Head, investigador na Universidade de Southampton, no Reino Unido, considera que se a vacina tiver menos eficácia contra doenças leves, mas tiver bons resultados contra doenças graves, ainda seria “um resultado muito bom”.

Não acho que é preciso estarmos muito alarmados [com os resultados], mas precisamos de ver o estudo completo para descobrir quais são as verdadeiras implicações”, disse o investigador à BBC.

O porta-voz da AstraZeneca afirmou que, em conjunto com a Universidade de Oxford, já começaram “a adaptar a vacina contra esta variante e irão avançar rapidamente no desenvolvimento clínico para que esteja pronta para entrega no outono, caso seja necessário”.
Vacina eficaz contra variante britânica
A notícia que dá conta da eficácia reduzida da vacina da Oxford contra a variante sul-africana surgiu um dia depois de a farmacêutica ter anunciado que a mesma é efetiva na proteção contra a nova variante britânica do SARS-CoV-2.

Cientistas da instituição britânica que criaram a substância apontam para um efeito semelhante quando se trata de lutar contra a variante ou quando enfrentam a estirpe original da Covid-19, usada nos ensaios clínicos.

Desde que surgiu, o vírus SARS-CoV-2 tem-se multiplicado em novas variantes. Os cientistas explicam que é normal que os vírus sofram pequenas alterações ou mutações na sua genética à medida que se reproduzem.

No entanto, os especialistas mostram-se particularmente preocupados com três novas mutações – as chamadas variantes britânica, sul-africana e brasileira – por parecerem ser mais contagiosas.

No geral, os cientistas acreditam que as vacinas, que foram projetadas para versões anteriores da Covid-19, possam ser eficazes contra estas novas estirpes, embora não seja claro o nível de sucesso na prevenção da doença. As farmacêuticas procuram, por isso, melhorar as suas vacinas para garantir que continuam a mostrar resultados positivos contra as novas variantes.

Os primeiros resultados sugerem que a vacina Pfizer-BioNTech protege contra as novas variantes. A empresa biotecnológica norte-americana Moderna também anunciou que a sua vacina mantém a eficácia contra as variantes britânica e sul-africana.

c/agências
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