Vaga de frio assola continente asiático

por Inês Geraldo - RTP
Japão sente vaga de frio severo EPA

Temperaturas frias sem precedentes têm sido registadas em vários países na Ásia. No Japão e na Península Coreana, as autoridades emitiram avisos à população para se protegerem das temperaturas negativas, que já causaram vítimas mortais. No Afeganistão, morreram mais de uma centena de pessoas. Em alguns locais da China, as temperaturas a rondaram já os 50 graus negativos.

Várias regiões do Japão estão sob uma onda de frio severo em que se vão registar as temperaturas mais baixas da última década. Esta quarta-feira, Hirokazu Matsuno, secretário do Governo japonês, explicou que uma pessoa morreu na sequência de uma tempestade e outras duas mortes estão a ser investigadas. Na Península Coreana, foram registadas temperaturas de 25 graus negativos.

Para o centro do Japão está prevista queda de neve, com ventos a atingir mais de 100 quilómetros por hora. De terça para quarta-feira, a agência meteorológica japonesa calculou que caiu um recorde de 93 centímetros de neve na cidade de Maniwa. Noutros locais, muitas pessoas ficaram sem acesso a comboios e a voos de companhias aéreas, havendo possibilidade de serem cancelados mais de 200 voos.A agência meteorológica do Japão anunciou que muitas cidades vão registar temperaturas recorde de frio e que o tempo vai continuar assim até quinta-feira, com tempestades de neve e ventos fortes a serem esperados na costa japonesa.


As autoridades japonesas avisaram para que as populações não deixem as suas casas para viagens não-essenciais, terem cuidado com estradas com gelo e que as canalizações podem congelar. Tóquio, capital japonesa, pode vir a registar temperaturas de menos três graus.

Na Coreia do Sul também estão a ser sentidas temperaturas severas. Seoul registou 16 negativos, depois de as autoridades sul-coreanas terem emitido um aviso de “frio severo” para todo o país na terça-feira, o dia mais frio do ano, até agora.

Também na Coreia do Norte tem havido vários avisos para o frio extremo que se está a fazer sentir no país, especialmente nas áreas mais pobres onde as temperaturas frias se vão fazer sentir com maior intensidade.

A rádio norte-coreana avisou que as temperaturas podem baixar até aos 30 graus negativos. Em Pyongyang foram registados 19 graus negativos esta quarta-feira, números abaixo da média para esta altura do ano.

Esta onda de frio tem causado muitos incómodos pelo continente asiático. No Afeganistão, as temperaturas severas fizeram pelo menos 124 vítimas mortais. Autoridades afegãs confirmaram que o tempo sentido foi o mais frio nas últimas décadas, havendo partes do país que ficaram isoladas devido à neve.

Na China, a cidade de Mohe, no norte da província de Heilongjiang, sentiu temperaturas de -53 graus, com as autoridades a emitirem o comunidade mais grave para o frio que se faz sentir. Em média, as temperaturas na China desceram 16 graus. A agência meteorológica do país avisou que apesar de parte da onda de frio ter passado, as temperaturas continuarão a ser severas.

Taiwan também tem sido atingida com temperaturas baixas e muita neve.
A nova norma
Um professor da Universidade de Hanyang, em Seoul, explicou que a onda de frio sentida em vários países deve-se a ventos árticos provenientes da Sibéria e que a neve que caiu na Coreia do Sul se deveu ao derretimento de placas de gelo do ártico, consequência do aquecimento global.

“Tem havido um derretimento recorde neste último ano”, explicou Yeh Sang-wook. “Quando o gelo derrete, os mares abrem e enviam mais vapor para o ar, o que leva a maior queda de neve no norte”.

De acordo com o professor, à medida que as alterações climáticas pioram, maior será a probabilidade de a região da península da coreia sofrer com temperaturas severas. “Não existe outra explicação. A mudança climática está a mudar e agudizar este problema e há consenso entre cientistas que este tipo de fenómeno frio vai piorar nos próximos tempos”.

O Centro de Investigação Atmosférica dos Estados Unidos concordou com as explicações de Sang-Wook e que estes eventos de frio extremo vão tornar-se na “nova norma” e que estes fenómenos apenas vão intensificar-se com o passar do tempo.
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