"Vamos desfilar". Xerife junta-se a protestos pela morte de George Floyd

por Mariana Ribeiro Soares - RTP
Quique Garcia - EPA

Em Flint, no Estado de Michigan, o chefe da polícia despiu a farda e juntou-se aos manifestantes que procuram justiça pela morte de George Floyd, o afro-americano asfixiado por um polícia na semana passada. Os protestos estendem-se a várias cidades dos EUA. Entre aqueles que terminam em confrontos, existem agentes que têm marcado a diferença por se mostrarem solidários e se juntarem às marchas.

Os protestos pela morte de George Floyd nos EUA têm sido alvo de confrontos entre as autoridades e manifestantes que levaram a milhares de detenções. Por esta razão, Christopher Swanson, o chefe da polícia de Michigan, despiu o equipamento antimotim, largou a arma e juntou-se aos manifestantes.

“Quero fazer disto uma marcha, não um protesto”
, disse Swanson às centenas de manifestantes que protestavam contra o racismo e a violência policial naquela cidade.


“A única razão pela qual estamos aqui é para garantir que vocês tenham voz, só isso”, sublinhou o xerife. “Não pensem nem por um segundo que ele representa todos os polícias deste município”, acrescentou o chefe da polícia de Flint, referindo-se a Derek Chauvin, o agente que asfixiou Floyd.

“Estes polícias amam-vos. Aquele polícia ali abraça pessoas”, disse Swanson, apontando para um agente policial.

Depois de retirar o capacete, Swanson perguntou “O que querem que façamos?”. Os manifestantes repetiam: “Caminhe connosco!”. Swanson cumpriu e juntou-se à marcha. “Por onde querem ir? Vamos caminhar a noite toda”, disse o xerife.

“Provavelmente foi a pior decisão tática que pude tomar ao retirar toda a minha proteção e juntar-me à multidão, mas o benefício superou o risco”, revelou o chefe da polícia ao programa televisivo Today, da NBC.

“Não estou a tentar ser um herói, apenas digo que esta foi a melhor decisão para mostrar que não vou criar uma divisão, vou mostrar vulnerabilidade e caminhar com a multidão e dar o primeiro passo”, acrescentou Swanson.
De mãos dadas e de joelho no chão
O caso de Flint é apenas um exemplo dos muitos protestos pacíficos e da cooperação entre agentes policiais e manifestantes que têm ocorrido em algumas localidades dos EUA.

Em Camden, no Estado de New Jersey, o chefe da polícia Joseph Wysocki também se juntou à linha da frente de uma marcha no passado sábado e ajudou a carregar uma faixa onde se lia “Sem justiça, não há paz”.

“Sabemos que juntos somos mais fortes, sabemos que juntos, na cidade de Camden, podemos criar um espaço onde o policiamento está focado na diminuição das tensões e no diálogo", disse Wysocki à agência Associated Press.

Em Fargo, no Dacota do Norte, a polícia deu as mãos aos manifestantes enquanto ajudava a segurar um cartaz onde estava escrito “Uma raça, a raça humana”.


Na Califórnia, Nova Iorque e Washington os polícias aplaudiram os manifestantes e ajoelharam-se em homenagem a George Floyd que morreu depois de um agente policial o ter asfixiado com o joelho.


Dezenas de cidades norte-americanas têm sido palco de manifestações pela morte de Floyd, com protestos que resultam frequentemente em confrontos com a polícia. Até ao momento, mais de quarto mil pessoas foram detidas e na última noite há registo de três mortes.

George Floyd, o afro-americano de 46 anos, morreu na semana passada em Minneapolis após uma intervenção policial violenta. Floyd foi detido por suspeita de ter tentado pagar com uma nota falsa de 20 dólares num supermercado.
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